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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Distribuição espacial dos brancos no Brasil por Anamorfoses





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. Anamorfose, o que é?

Anamorfose vem do grego anamórphosis – transformação – imagem disforme. Em francês, “anamorphose” [anamorfose]; em inglês: Cartogram [cartograma], ”variable scale maps” [mapas com escala varáveis] ou “value-by-area” cartograms [cartogramas de valores de áreas] e em alemão: “verzerrte Karte” [carta distorcida, disforme] (Tobler, 2004:59-60 apud DUTENKEFER, E). 

Na Cartografia, o termo Anamorfose refere-se a documentos que representam uma base com viés geográfico (continentes, países, estados, municípios, etc) de maneira distorcida, de forma a realçar um tema específico. 

O objetivo principal dessas representações cartográficas é destacar da forma mais direta possível a extensão de um fenômeno que ocorre no espaço geográfico. 

As anamorfoses são formas de representação cartográficas peculiares, pois o processo de elaboração requer bastante técnica, dados confiáveis, base cartográfica oficial, tratamento cartográfico adequado, legenda compatível com a proporcionalidade da base e um layout exíminio, com o intuito de facilitar a compreensão dos "leitores" e "expectadores" das figuras.

Na verdade, as anamorfoses não são mapas propriamente ditos, pois carecem de informações importantes para a compreensão real da superfície terretre. 

Por outro lado, o uso desses recursos são de extrema importância, principalmente em apresentações acadêmicas, palestras de modo geral e até em textos jornalísticos, pois facilitam a comunicação geográfica.

O uso desses recursos deve ser utilizado excluvisamente com dados quantitativos (Figura 1), sejam estes brutos ou relativos, já que o intuito principal é expressar a noção de proporcionalidade.



Figura 1. PIB das microrregiões do Brasil em 2002 por anamorfose
Fonte: Adaptado de THERY, H (2006)
Fonte dos dados: IBGE (2002)


2. A distribuição dos brancos por anamorfose

O Brasil é um país sul-americano diverso com 207.437.503 habitantes (IBGE, 2017), dividindo-se em 27 unidades que constituem a federação. Conforme o IBGE (2010), 47,67% da população se autoclararam como brancos; 42,98% como pardos, 7,83% como negros; 1,11% como amarelos e 0,41% como indígenas.

De posse dos dados do IBGE de 2010, foram elaborados anamorfoses para expressar a distribuição dos brancos por região e estado. Os dados correspondem aqueles que se autodeclararam brancos nas pesquisas.

Na avaliação das regiões brasileiras, a região "mais branca" do Brasil é a Sul com 78,4% (Figura 2), seguido pelo Sudeste com 55,16% e Centro-Oeste com 41,8%. Entre as "menos branca", destacam-se Nordeste (29,4%) e Norte (23,4%). 


Figura 2. Percentual da população branca nas regiões brasileiras em 2010 por anamorfose
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
Fonte dos dados: IBGE (2010)
*A anamorfose é uma amostra de trabalho. O seu uso se dá mediante pagamento para retirada da marca d' água.


Conforme a anamorfose acima, apesar da Região Sudeste ter o maior número de pessoas autodeclaradas brancas, a região Sul tem a maior proporção de pessoas brancas na população. 

Uma das explicações que justicam tal índice é a forte migração preferencial de europeus para a região mais meridional do Brasil no século XX, principalmente alemães, poloneses, italianos, entre outros, o que contribuiu para aumentar gradativamente a população com cor de pele predominante branca. Tal migração também ocorreu no Sudeste, mas com menor intensidade.


No Brasil, cerca de 91 milhões de brasileiros se autodeclarou como branco. A maior quantidade absoluta de brancos está no Estado de São Paulo (26,3 milhões), seguido pelo Rio Grande do Sul (8,9 milhões), Minas Gerais (8,8 milhões), Rio de Janeiro (7,5 milhões), Paraná (7,3 milhões) e Santa Catarina (5,2 milhões). 

Em relação a população relativa em cada unidade da federação, os brancos são predominantes nos estados do Sul e Sudeste do país (Figura 3). O Estado de Santa Catarina é o "mais branco" de todos com índice igual a 83,9%, seguido pelo Rio Grande do Sul (83,2%), Paraná (70%), São Paulo (63,7%) e Rio de Janeiro (47,3%).



Figura 3. Percentual da população branca nos estados brasileiros em 2010 por anamorfose
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
Fonte dos dados: IBGE (2010)
*A anamorfose é uma amostra de trabalho. O seu uso se dá mediante pagamento para retirada da marca d' água.


A anamorfose acima expressa um forte contraste da população branca nos estados brasileiros, sendo a composição mais baixa na região Norte e no Estado da Bahia, seguido por demais estados da região Nordeste. 

Entre os estados "menos branco", Roraima possui o menor índice do país com 20,9%, seguido do Amazonas (21%), Pará (21,5%), Bahia (21,9%) e Maranhão (21,9%), onde prevalece uma população que se autodeclarou parda ou negra.



3. CONCLUSÕES

As anamorfoses são excelentes recursos cartográficos para expressar a proporcionalidade de determinado tema, que nesse caso evidenciou a distribuição espacial da população que se declarou como branca por estado e região. As figuras cartográficas destacaram a forte composição étnica branca nos estados das regiões Sul e Sudeste em contraposição aos estados das regiões Norte e Nordeste, onde a população é predominantemente parda e negra.


4. REFERÊNCIAS


DUTENKEFER, E. Anamorfose como mapa: história, aplicativos e aplicações. 2010. Disponível em https://3siahc.files.wordpress.com/2010/04/eduardodutenkeferartigosimposio.pdf. Acesso em 06/05/2017.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em http://www2.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?z=cd&o=6&i=P&c=3145, 2010.

THERY, H. Orientação metodológica para construção e leitura de mapas temáticos. Revista Confins. Disponível https://confins.revues.org/3483. Acesso em 08/05/2017.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Cartografia do Índice de Desenvolvimento Humano da América do Sul





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com




1. O Índice de Desenvolvimento Humano

O índice de desenvolvimento humano (IDH) é um indicador comparativo usado para avaliar a qualidade de vida de todos os países do mundo. Este índice é calculado com base em dados da educação, expectativa de vida ao nascer e o produto interno bruto (PIB) per capita (PNUD, 2015). 

A expectativa de vida ao nascer reflete as condições de saúde da população, a educação leva em conta a taxa de alfabetização de adultos e a taxa combinada de matrícula nos níveis fundamental, médio e superior, e a renda é medida pelo poder de compra da população, baseada no PIB per capita ajustado ao custo de vida local, por meio da metodologia conhecida como Paridade do Poder de Compra (PCC) (Scarpin & Slomski, 2007). Os índices são organizados pelas Nações Unidas desde a década de 90 como forma de comparar o progresso da qualidade de vida dos países.

Critérios como educação, renda e longevidade são parâmetros importantes na avaliação da qualidade de vida de um país e podem expressar como a população está vivendo de um modo geral, apesar das desigualdades sociais existentes no território, ou seja, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) calculado pelas Nações Unidas não expressa o padrão de vida de toda a população, de norte e sul, mas uma aproximação da realidade.

O resultado é organizado em forma de ranking, em que valores mais próximos de 1 significam melhor desenvolvimento humano, enquanto os valores mais próximos de 0, demonstram piores desenvolvimentos humanos. O IDH muito alto varia entre 0,8 - 1; o IDH alto entre 0,700 - 0,799, o médio entre 0,699 - 0,500 e o IDH baixo varia de 0,499 a 0 (PNUD, 2015). Para atingir patamares elevados de desenvolvimento humano, os governos devem fomentar as capacidades humanas, proporcionando uma vida longa e saudável, conhecimento e um nível de vida digno a sua população (Figura 1).

Figura 1. Dimensões do desenvolvimento humano
Fonte: PNUD (2015)


É necessário criar condições ao desenvolvimento humano, ampliando os direitos humanos e a segurança pública, a participação na vida política e comunitária, a igualdade e justiça social entre as classes e etnias, assim como valorizar a sustentabilidade ambiental em todos os países. 

O desenvolvimento humano de uma sociedade não deve estar baseada somente na renda adequada aos custos da vida local, ao acesso à educação e aos serviços de saúde disponíveis, mas também a qualidade ambiental, com ampla acesso ao saneamento básico, ao equilíbrio da exploração econômica e sustentabilidade.



2. A Cartografia do Índice de Desenvolvimento Humano na América do Sul

Em 2000, o índice de desenvolvimento humano da maioria dos países sul-americanos (66,6%) era considerado médio, principalmente na porção noroeste e central do subcontinente, abrangendo países como: Brasil, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Guiana. Por outro lado, a porção mais ao sul possuía um padrão de vida melhor, considerado alto, com destaque para a Argentina, Uruguai e Chile (Mapa 1). 




Mapa 01. Índice de Desenvolvimento Humano dos países da América do Sul em 2000

Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
Fonte dos dados: PNUD/ONU (2015)

Após 14 anos, com base na avaliação do IDH, observa-se uma relativa melhoria na qualidade de vida da população sul-americana, com destaque para países como o Brasil, Peru, Venezuela, Colômbia e Equador. Apesar da melhoria, é evidente que ainda há grandes disparidades sociais em cada país, onde há unidades federativas que pouco avançaram nos índices de educação, longevidade ou renda, porém estamos retratando um índice generalizado com base na taxa média de cada país calculado pela ONU. 

Em 2014, 7 países (58,3%) já tinham uma qualidade de vida considerada alta; 2 países com índice muito alto (16,6%) e 3 países com índice médio, ou 25% (Mapa 2). Entre os países, novamente a Argentina e o Chile são os mais bem posicionados, alcançando um nível de vida melhor do que alguns países europeus como Letônia, Croácia e Montenegro, por exemplo (PNUD, 2015).




Mapa 02. Índice de Desenvolvimento Humano dos países da América do sul em 2014

Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
Fonte dos dados: PNUD/ONU (2015)


Em contrapartida, países como a Bolívia, Guiana e o Paraguai são os que oferecem menor qualidade de vida à sua população, sendo comparados a outros países como Indonésia, Vietnã, Nicaraguá ou El Salvador, por exemplo (PNUD, 2015). 

No ranking do IDH de 2014, se fossemos expressar as emoções em viver nos países sul-americanos através dos emotions, a Argentina e o Chile teriam um semblante melhor e mais feliz, pois possuem IDH muito elevado, com ampla cobertura da área da saúde, educação e maior longevidade (Figura 2).




Figura 02. Ranking do IDH dos países da América do Sul em 2014
Elaborador; Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
Fonte dos dados: PNUD/ONU (2014)


Um rosto mais questionador e duvidoso iniciaria a partir da Venezuela, indo em direção ao Brasil, Peru e Equador, onde as tensões políticas, os problemas de instabilidade econômica e a qualidade de vida razoável modificam drasticamente o semblante do emotion. O rosto mais triste começaria a partir da Colômbia em direção a Guiana, pois a cobertura da saúde e educação está em fraca expansão desde 2000. A Colômbia ainda possui o agravante de guerra civil e problemas ligados ao narcotráfico em larga escala que contribuiu para a migração de milhões de pessoas no próprio país, enquanto a Bolívia e a Guiana, ainda convivem com graves problemas de subnutrição e pobreza em várias regiões.



3. Conclusões

O padrão de vida da população sul-americana tem melhorado, apesar de toda dificuldade na política, finanças e na ampliação dos serviços de saúde e educação. Entre as nações da América do Sul, a Argentina e o Chile são os melhores países no que se refere ao índice de desenvolvimento humano calculado pela Organização das Nações Unidas (ONU), classificados como muito alto, seguido pelo Uruguai, Venezuela e Brasil, intitulados com índice alto, diferentemente da Guiana, Bolívia e Paraguai que possuem os mais baixos IDH da região. Sabemos que o IDH não reflete a condição de vida da população de modo geral, pois há contrastes sociais notáveis em todos as regiões desses países, porém é um dos melhores parâmetros para compararmos as nações a nível global. Os mapas elaborados com o uso do ArcGis mostram a eficiência desse software na confecção e análise de dados espaciais, sendo essenciais na compreensão do espaço geográfico.


4. Referências


PNUD. Relatório do desenvolvimento humano (Human Development Report). Disponível em http://hdr.undp.org/sites/default/files/2015_human_development_report.pdf. 2015.

Scarpin, J. E. & Slomski, V. (2007). Estudo dos fatores condicionantes do índice de desenvolvimento humano nos municípios do estado do Paraná: instrumento de controladoria para a tomada de decisões na gestão governamental. Revista de Administração Pública, 41(5), 909-933.