sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Mapeamento dos Homicídios nos bairros de Belém/PA





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com


INTRODUÇÃO

A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece no art.3, que, "todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal" e adiciona no art.5: "ninguém será submetido à tortura nem a pena ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes" (Waiselfisz, 2012). Porém, diariamente somos surpreendidos com notícias sobre homicídios, furtos, roubos, entre outros tipos de violência contra adultos, crianças, mulheres, adolescentes e idosos em diversas partes do mundo, nos causando indignação contra aqueles que praticam tais atos de violência. Em Belém, a precariedade da segurança pública tem ceifado milhares de belenenses durante os anos, revelando um descaso por parte daqueles que tem a obrigação de nos proteger.



1. Etimologia da palavra homicídio e sua conceituação

A palavra Homicídio vem do latim, "hominis e excidium", que significam (Homem e Destruição), ou seja, consiste na destruição do homem e portanto da vida, sendo punido em praticamente todas as culturas. Segundo o art. 121 do Código Penal Brasileiro, homicídio é o ato de matar alguém, podendo ser qualificado, culposo ou doloso.


2. Homicídios em Belém


Segundo (WAISELFISZ, 2012), entre 2001 a 2010 houve um crescimento de 8,9% dos casos de homicídios no Brasil; 66,8 % na Região Norte e em Belém esse valor chegou a 63,1%, e representou um dado preocupante em relação ao país. Na Amazônia, outras capitais tiveram uma expansão considerável, como Manaus/AM (181,1%) e Palmas/TO (80%). As demais capitais brasileiras também tiveram incremento preocupante (MAPA DA VIOLÊNCIA, 2013). 

Com base nos dados do Anuário Estatístico de Belém foi possível produzir os mapas (Mapa 1 e Mapa 2) de homicídios abaixo.


Mapa 01. Belém - Espacialização dos homicídios em 2008 com o Philcarto
É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor
Fonte: Autoria própria (2015)

Conforme o mapa acima, os bairros com maiores vítimas de homicídio em 2008 eram do sul de Belém, principalmente aqueles da periferia imediata, como Guamá, Terra Firme, Jurunas, Cremação, Sacramenta e Barreiro. No noroeste, destacaram-se Cabanagem, Bengui, Tapanã e Pratinha, da chamada periferia distante. Por outro lado, os bairros centrais tiveram baixos registros de homicídio, assim como o Curió-Utinga, Universitário, Miramar, Souza, São Clemente e alguns bairros de Icoaraci.

Percebe-se que a maioria dos bairros da periferia tem uma quantidade de homicídios acima da média da cidade (8,5), enquanto os bairros centrais têm números inferiores a esta média, mostrando que os homicídios ocorrem na maior parte da periferia, porém próximo ao centro.



Os bairros com mais homicídios em 2008 foram: 

1. Terra Firme (69 vítimas)
2. Guamá (58 vítimas)
3. Cabanagem (52 vítimas)
4. Bengui (47 vítimas)
5. Jurunas (34 vítimas)
6. Sacramenta (28 vítimas)

Os bairros com menos homicídios ou melhor, ausentes:

44. Itaiteua (0)
45. Miramar (0)
46. Reduto (0)
47. São Clemente (0)
48. Souza (0)
49. Universitário (0)


Mapa 02. Belém - Espacialização dos homicídios em 2009 com o Philcarto
Fonte: Autoria própria (2013)
É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor
Fonte: Autoria própria (2015)

Segundo o mapa, os homicídios foram mais frequentes nos bairros do sul e do noroeste da cidade, principalmente os periféricos e aqueles próximos ao centro da cidade, em contraste com a menor quantidade desse delito no Centro, Norte e leste de Belém. Houve um aumento no número de assassinatos em vários bairros, principalmente no Guamá, Terra Firme e Cabanagem. A violência homicida continua a ser mais forte na periferia, enquanto nos bairros mais elitizados e bem-estruturados é menor.

No centro de Belém, bairros como São Brás e Umarizal registraram aumento do número de homicídios, enquanto Reduto, Batista Campos e Nazaré têm os mais baixos casos de homicídio, isto quando ocorre.



Os bairros com mais homicídios em 2009 foram:

1. Guamá (83 vítimas)
2. Cabanagem (63 vítimas)
3. Terra Firme (56 vítimas)
4. Sacramenta (31 vítimas)
5. Tapanã (30 vítimas) 
6. Bengui (29 vítimas)


Os bairros com menos homicídios em 2009 eram:

44. Ponta Grossa (1 vítima)
45. Souza (1 vítima)
46. Águas Negras (0)
47. Miramar (0)
48. Reduto (0)
49. Universitário (0)


Nota-se que os bairros do Guamá, Terra Firme e Cabanagem se configuram entre os mais violentos, assim como a Sacramenta e o Bengui também lideram a lista. Os motivos são diversos, desde o "acerto de contas" (Morte por dívida de drogas) e o Latrocínio (Roubo seguido de morte). Segundo COUTO (2010), o Guamá é o campeão de homicídios em Belém e pode-se sim, relacionar com o tráfico de drogas, os "acertos de conta" e latrocínios praticados por grupos de assaltantes que muitas vezes usam o dinheiro para o consumo de cocaína. 

É importante destacar que o Guamá tem aproximadamente 102.000 habitantes (IBGE, 2010), mas não o descarta, assim como a Terra Firme com aproximadamente 66.000 (IBGE, 2010), entre os mais violentos da metrópole.


3. O Narcotráfico no Igarapé do Tucunduba (Terra Firme/Guamá)

Conforme (COUTO, 2010, p. 151): "É inegável a relação do tráfico de drogas no bairro do Guamá e da Terra Firme com as redes ilegais de narcotráfico em escala internacional, no qual o igarapé do Tucunduba, ver (figura 01) aparece como uma área estratégica para a distribuição/comercialização/consumo de drogas, existindo uma disputa pelo controle da área", ou seja, muitos traficantes tentam marcar um território da droga. 

É importante relatar que a Polícia Civil tem conhecimento dessa realidade, porém é uma área de difícil acesso, formada por vielas e "becos", sendo as vezes impossível as viaturas policiais adentrarem nas mesmas, ver (Figura 02).


Figura 01. Localização do Igarapé (Riacho) do Tucunduba

Fonte: Adaptado de Google Earth (2013)


Figura 02. Exemplo das vias de difícil acesso e a ocupação na margem do canal do Tucunduba (Guamá/Terra Firme)

Fonte: Adaptado de COUTO (2010)


Conforme (COUTO, 2010), a área do Tucunduba  tem localização a sudeste de Belém e corresponde a um dos afluentes do Rio Guamá, em áreas de "baixadas" (Suscetíveis aos alagamentos e com terreno até 4 m acima do nível do mar), englobando partes do bairro do Guamá, Terra Firme, Marco e Canudos, com aproximadamente 175 mil pessoas, ocupando de modo informal, terrenos de propriedade da UFPA, conforme mostra no parecer elaborada pela instituição (ALCÂNTARA, 1998 apud COUTO, 2010).

A nossa intenção não é associar os bairros mais violentos em 2008 e 2009 (Guamá, Terra Firme, Cabanagem, Sacramenta, Bengui, Tapanã e Jurunas) ao crime, mas é de alertar a necessidade de uma intervenção social mais atuante  da Prefeitura de Belém nesses bairros, pois concentram uma parcela significativamente da população de Belém, que está mais suscetível ao mundo das drogas e da violência, por inúmeros motivos, como diz COUTO (2010):

- Desemprego elevado de jovens e adultos
- Predomínio de baixa escolaridade
- Dificuldade de inserção no mercado de trabalho formal
- Baixo rendimento familiar
- Baixa qualificação profissional
- Presença de desestruturação familiar (uso de drogas, álcool, vícios e outros)
- Frequência de pequenos delitos como forma de obter dinheiro mais rapidamente


Em Belém, tais bairros têm alta incidência das características citadas acima, levando a uma maior vulnerabilidade as práticas associadas ao crime. 
Nesse contexto, aumenta o preconceito em relação aos moradores do bairro, que são vítimas da violência marginal ou "policial", do "abandono" e da discriminação ou até mesmo da estigmatização (COUTO, 2010). 

A busca pela intervenção não é de apenas policiamento como é sempre feito, mas de uma intervenção social, na promoção de políticas públicas na área da educação, do lazer e da saúde, como forma de minimizar os índices de violência nos bairros. Ressaltamos que o bairro do Guamá e da Terra Firme não é perigoso como um todo, mas existem algumas ruas e avenidas e principalmente passagens, "becos" e vielas com difícil acesso da Polícia Civil.

É importante ressaltar que os números de homicídios em Belém podem ser maiores, pois as vezes há um desconhecimento ou não registro do caso dos órgãos competentes, evidenciando apenas um "aparente mapa do homicídio em 2008 e 2009 em Belém". Nota-se a carência de informações de alguns bairros como Marambaia e Coqueiro (Muito populosos), por exemplo, justificando que os números devem ser maiores do que esses que estão apresentados abaixo.


Tabela 01. Ranking dos bairros por homicídios (2008 e 2009 somados) de Belém 
Não há dados dos bairros: Marambaia, Coqueiro e Águas Lindas
*Esses dados estão disponíveis no Anuário Estatístico de Belém e são os mais recentes para todos os bairros /Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2010)
Fonte das informações: Anuário Estatístico de Belém (2010)




4. CONSIDERAÇÕES FINAIS


O software Philcarto foi essencial na produção dos mapas dos homicídios nos bairros de Belém em 2008 e 2009, evidenciando a concentração nos bairros periféricos da cidade em relação aos bairros nobres e mais bem-estruturados. Clamo para essa realidade de homicídios na cidade seja reduzida significativamente, através de políticas públicas mais eficazes e constantes na área da educação, saúde, lazer, emprego, segurança pública e habitação em todos os bairros, porém mais precisamente naqueles onde a sensação de cidadania vem se perdendo, com destaque para a Terra Firme, o Guamá, a Cabanagem, o Bengui e a Sacramenta, onde o abandono, o esquecimento e a marginalização da população mais vulnerável vem ocorrendo com frequência. 

Está precisando de mapas temáticos sobre Violência? Mande os seus dados que nós faremos um mapa personalizado para trabalhos acadêmicos ou secretarias de polícia com sigilo! Ligue para 91 (98306-5306).



REFERÊNCIAS

ANUÁRIO ESTATÍSTICO DE BELÉM. Segurança pública. Prefeitura de Belém, 2010.


COUTO, A. A Geografia do crime na metrópole: da economia do narcotráfico à territorialização perversa em uma área de baixada em Belém. (Monografia de especialização). UFPA. Núcleo de Altos Estudos Amazônicos. Belém, 2008. Disponível em http://www.obed.ufpa.br/pdfs/monografia_geografia_crime_metropole_direito.pdf.

Google maps. Disponível em http://google.maps.com.br

Software Adobe Illustrator C6.

Software Philcarto. Disponível em http://philcarto.free.fr

Software Excel 2007. Disponível em http://officemicrosoft.com/excel


WAISELFISZ, J.J. Mapa da violência 2012: crianças e adolescentes do Brasil. 1a Edição. Rio de Janeiro. 2012. CEBELA. 

www.mapadaviolencia.org.br. Acesso em 01/12/2013



5. ALGUNS SERVIÇOS DE GEOPROCESSAMENTO






sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Mapeando Locais de Roubo em Belém usando o Google Earth.




Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com


De acordo com Código Penal Brasileiro, o art.157 sobre roubo, é definido como: "O ato de subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outro, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou não, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzindo à impossibilidade de resistência". 

Nas metrópoles, é um dos crimes mais comuns que acontecem, com o auxílio de armas brancas (facas, canivetes, etc) ou de fogo (revólveres e em casos raros, as metralhadoras e as pistolas), sendo mais comuns as armas de fogo. 

Em Belém, as maiores vítimas são os pedestres e os objetos que são levados mais constantemente são celulares e cordões (Polícia Militar, 2013), portanto, é preciso ter muita atenção quando caminhar em algumas ruas.


Segundo dados da Polícia Militar (2010), as ocorrências de roubo vêm reduzindo em Belém, porém continuam elevadas e a sensação de insegurança prevalece em diversas partes da cidade, onde em alguns bairros os casos de roubo são comuns. 


#Pontos com maiores casos de roubo em Belém 2010 

Segundo o jornal O Diário do Pará, com base nos dados disponíveis pela Polícia Militar em 2010, as ruas mais perigosas da cidade são, em ordem:

Primeiro Lugar: Av. Augusto Montenegro (Complexo do Entroncamento no limite entre Belém e Ananindeua)
Segundo Lugar: Av. Almirante Barroso (Bairro de São Brás)
Terceiro Lugar: Av. Pedro Álvares Cabral (Bairro da Sacramenta)
Quarto Lugar: Av. Bernado Sayão (Bairro do Jurunas)
Quinto Lugar: Av. Perimetral (Bairro da Terra Firme)

Com base nessas informações, foi espacializado tais pontos no Google Earth como forma de visualização por imagens de satélite na tentativa de alertar e de redobrar a atenção dos moradores da cidade e dos turistas que vem para a cidade.



Figura 01. Complexo do Entroncamento eem Belém
Fonte: Google Earth


No Complexo do Entroncamento no limite entre Belém e Ananindeua foram 710 roubos (Polícia Militar, 2010). Acreditamos que a circulação constante de pedestres e de automóveis na saída de Belém seja o principal motivo de atração de meliantes, assim como a reduzida iluminação pública nos arredores dessas vias e da imensa quantidade de becos e passagens estreitas nessa área contribuem para a fácil fuga dos assaltantes.


Figura 02. Av. Almirante Barroso (São Brás)
Fonte: Google Earth


Na Av. Almirante Barroso no bairro de São Brás foram 604 roubos (Polícia Militar, 2010). Novamente a intensa circulação de pedestres e de veículos também atraem muitos meliantes, somado a área de comércio existente na Av. Cipriano Santos e Av. Almirante Barroso. Nos arredores do Terminal Rodoviário de Belém e da Praça da Leitura também devemos ter uma atenção redobrada quando estivermos circulando por essas redondezas.



Figura 03. Av. Pedro Álvares Cabral perto da Ponte do Barreiro (Barreiro)
Fonte: Google Earth


Na Av. Pedro Álvares Cabral no bairro da Sacramenta foram 595 roubos (Polícia Militar, 2010). Essa área é famosa pelos roubos, principalmente nas proximidades da Ponte do Barreiro que na verdade fica na Sacramenta, na Ponte do Galo (Divisa entre Telégrafo/Sacramenta e Pedreira) e na Pass. Mirandinha (Sacramenta/Barreiro). Admitimos os pontos em destaque como os mais propensos aos roubos, por informações repassados por familiares, amigos, amigos de amigos, colegas e reportagens nos jornais. 

Nessa localidade há "bocas de fumo" (Áreas ou casas com manipulação de drogas ilícitas) em alguns becos e passagens estreitas com difícil acesso da polícia, o que vem justificando a frequência desse delito para a aquisição de drogas ilícitas nas mesmas.


Figura 04. Avenida Bernado Sayão no Jurunas
Fonte: Google Earth


Na Av. Bernado Sayão no bairro do Jurunas foram 573 roubos (Polícia Militar, 2010). Apesar de ser uma avenida, é muito estreita com intensa circulação de pedestres e automóveis em geral. Destacamos o cruzamento com a Rua Osvaldo de Caldas Brito e a Rua dos Mundurucus como os principais pontos suscetíveis ao delito. 

Há conglomerados de ocupações espontâneas, conhecidas aqui como "baixadas" e "invasões", com vias secundárias estreitas e com precárias condições de infraestrutura básica, onde também há "bocas de fumo" (Áreas ou casas com manipulação de drogas ilícitas), contribuindo para a manutenção do tráfico de drogas nessa área e propiciando o roubo por usuários.


Figura 05. Av. Perimetral na Terra Firme
Fonte: Google Earth


Na Av. Perimetral no bairro da Terra Firme foram 313 roubos (Polícia Militar, 2010). A principal avenida da Terra Firme fica nas proximidades de vias e becos estreitos, onde historicamente é residência de populações com baixo poder aquisitivo, geralmente oriundos do interior do Estado do Pará e da Região Nordeste do Brasil, onde há precariedade de infraestruturas básicas (Abastecimento e distribuição de água potável; Acesso ao saneamento básico e fornecimento de energia elétrica). As características socioeconômicas da maioria dos moradores e geográficas do bairro contribuiu para o alojamento de pequenos e médios grupos de traficantes que disputam alguns pontos de comercialização de drogas, o que pode justificar a frequência de roubo nos pontos em destaque por usuários.

Com base nesses dados, foi elaborado um mapa no Google Earth Pro versão 2015, para espacializar todos os pontos com maiores ocorrências de roubo na cidade, como está abaixo: 


Mapa 01. Os pontos com maiores casos de roubo registrados em Belém no ano de 2010
Fonte das informações: O Diário do Pará com base nos dados da Polícia Militar 2010
Elaboração: Luiz Henrique Almeida Gusmão - Blog Geografia e Cartografia Digital de Belém


5. REFERÊNCIAS.

Constituição Federal. Art 157. Inciso I. Roubo. Disponível em http:<<www.jusbrasil.com.br>>

O Diário do Pará. Dossiê Belém: 783 assassinatos em 11 meses. Polícia Militar 2010 http<<diariodopara.diarioonline.com.br. Belém. 2010>>


Software Google Earth. Disponível em http://www.google.com.br/intl/pt-BR/earth/.



WAISELFISZ, J.J. Mapa da violência 2012: crianças e adolescentes do Brasil. 1a Edição. Rio de Janeiro. 2012. CEBELA. 


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Belém - Cartografia das Denúncias contra a Poluição Sonora




Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
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1. INTRODUÇÃO

A poluição sonora, nas últimas décadas, passou a compor mais um dos vários problemas nas cidades, principalmente nas grandes e médias, trazendo como consequência, problemas para a saúde pública e atingindo diretamente a qualidade de vida da população. A cidade de Belém é uma metrópole da Amazônia Oriental com 1.393.399 de habitantes (IBGE, 2010) que também enfrenta diariamente esse empecilho, através da emissão excessiva de ruídos oriundos de residências, bares, festas, sons automotivos, vias públicas, entre outras fontes emissoras de sons acima dos decibéis recomendados. Dentro desse contexto, esta postagem tem o objetivo de espacializar as denúncias  de poluição sonora nos bairros, registradas pela DEMA (Divisão Especializada do Meio Ambiente) da Polícia Civil, além de revelar outras variáveis importantes sobre o DISQUE-SILÊNCIO na cidade.

Palavras-chave: Belém. Poluição sonora. Bairros. Denúncias. Geografia da saúde.



2. MATERIAIS E MÉTODOS


Na tentativa de atingir os objetivos propostos pela postagem, foram utilizadas informações da DEMA (Divisão Especializada do Meio Ambiente) da Polícia Civil de Belém sobre a procedência total das denúncias do serviço DISQUE-SILÊNCIO  nos bairros para o ano de 2010, assim como no tratamento estatístico para obter informações como: Concentração das denúncias em Belém (% Denúncias dos bairros/Denúncias de Belém) e a intensidade de denúncias contra poluição sonora nos bairros. Na confecção dos mapas temáticos foi utilizado o software ArcGis com o método círculos proporcionais e coroplético.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 A contextualização da poluição sonora nas cidades

A vida na área urbana, mais do que os fluxos de pessoas e automóveis, apresenta um movimento de ruídos como sinônimo de som não desejado (MARCHETTI, M. et. al. 2011). Nas cidades, os sons vêm se transformando em fontes de poluição sonora, advindos de locais como residências, bares, restaurantes, boates, festas de aparelhagem, academias, automóveis, academias, igrejas, feiras, vias públicas, entre outros. 

As vezes nós mesmos procuramos os ruídos, como no excesso do volume nos aparelhos de mp3, mp4, telefones celulares, televisores e microsystems, por exemplo, em que na maioria das vezes não reconhecemos o "som aceitável" sendo convertido em "ruído excessivo", porque fomos habituados ao barulho.

Um estudo realizado em Londrina (PR) pela UFPR, revelou que o trânsito, os vizinhos, as sirenes, os animais e as construções civis são os principais motivos de reclamação por barulho na cidade. Segundo Calixto  e Rodrigues 2004 apud MARCHETTI, M. et. al. 2011), em Goiânia (GO), o barulho do trânsito é o que mais incomoda os moradores, seguido pelo volume intenso de som, telefone, conversas em voz alta, eletrodomésticos, animais e aviões. 


Segundo o Supremo Tribunal de Justiça do Brasil (2013), a poluição sonora só acontece, quando num determinado ambiente, o som altera a condição normal da audição, constituindo-se como um crime ambiental pela lei 9.605/98. Pensando em melhorar a qualidade de vida nos grandes centros urbanos, leis de silêncio foram criadas para combater a poluição sonora, estando proibido por exemplo, a emissão de som acima dos 60 (db) a partir das 22h nas residências.


A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2013) considera que o som deve ficar em até 55 decibéis (db) para não causar prejuízos ao ser humano, em que o som muito acima dessa medida pode causar efeitos negativos e até irreversíveis, como:


1. Insônia
2. Estresse
3. Depressão
4. Perda de audição
5. Agressividade
6. Perda de atenção, concentração e/ou memória 
7. Cansaço
8. Aumento da pressão arterial
9. Queda de rendimento escolar e de produtividade no trabalho
10. Surdez





Fonte: www.ambientelegal.com.br


A poluição sonora atrapalha diferentes atividades humanas, independentemente dos níveis sonoros serem potencialmente agressores aos ouvidos, podendo interferir significativamente o sistema nervoso e cardiovascular, quando a exposição é acentuada e prolongada. (Programa Nacional contra a Poluição Sonora, 2013)


3.2 A poluição sonora em Belém

A Polícia Civil do Estado do Pará, através da Divisão Especializada em Meio Ambiente (DEMA) dispõe do serviço DISQUE-SILÊNCIO, atuando no atendimento das denúncias de poluição sonora durante as 24 horas pelos números 9987-9712; 3238-3132 e 3238-1225. Esse serviço é realizado em toda a Região Metropolitana de Belém, se estendendo nos feriados prolongados e nas férias, para Outeiro, Mosqueiro e Salinópolis (DEMA, 2010).


Os meses de janeiro, março e setembro registraram o maior número de ocorrências, enquanto julho e agosto os menores, devido a saída de milhares de belenenses aos balneários e cidades do interior do estado. 

Das denúncias registradas pelo serviço, apenas 1/3 foram atendidas, enquanto 2/3 não foram não foram atendidas, causando indignação por parte da população prejudicada pelo excesso de som na cidade, ao mesmo tempo mostra a péssima qualidade do serviço prestado, pois a maioria dos casos são ignorados conforme o gráfico abaixo.




Fonte: Adaptado de DEMA (2010)


A maioria das denúncias na Região Metropolitana de Belém, assim como na maior parte das cidades, foi durante o final de semana, sendo domingo o dia da semana com maiores ocorrências, seguido do sábado e sexta (DEMA, 2010). É justamente nesses dias que os bares funcionam até mais tarde; as festas nas boates, de aparelhagem e nas residências excedem no barulho; os sons automotivos aparecem com mais frequência em frente as boates, pontos turísticos, residências, bares e nas vias públicas, mas como está essa "distribuição do barulho" nos bairros de Belém

Quais os bairros mais e os menos barulhentos? Quais bairros concentram essas denúncias? De qual lugar os denunciantes mais reclamam de barulho? Qual a intensidade de denúncia contra a poluição sonora nos bairros? Essas são algumas perguntas que vou tentar responder.


Mapa 01. Belém/PA - Distribuição das denúncias contra poluição sonora nos bairros em 2010

Fonte: Autoria própria (2018)

Segundo o mapa acima, a distribuição das denúncias contra a poluição sonora está bem distribuída, sendo maior nos bairros que circundam o centro da cidade e alguns mais afastados, no qual os que mais registraram ocorrências contra o excesso de barulho foram: Coqueiro (561), Pedreira (533), Distrito de Icoaraci (511), Marambaia (433), Jurunas (384), Marco (374) e Guamá (315) (DEMA, 2010, grifo nosso), sendo portanto, considerados os mais barulhentos em termos absolutos. 

Percebe-se claramente que são bairros afastados do centro. Todos são densamente povoados e bastante populosos, justificando o elevado número de ocorrências. Ainda de acordo com o mapa, os únicos que não foi registrado nenhuma ocorrência foram: Miramar, Universitário e São Clemente, por serem poucos densamente povoados. 

Entre os que tiveram menores ocorrências foram: Aurá (15), Val-de-Cans (30), Barreiro (36), Campina (40), Reduto (51), Batista Campos (52) e Souza (57) (DEMA, 2010, grifo nosso). A maioria tem menos de 50 habitantes por hectare (Baixa densidade de moradores). Alguns são bastante verticalizados como Batista Campos, Reduto e Campina, no qual uma parcela significativa da população está de acordo com o regimento interno dos edifícios contra o excesso de barulho.

Então, quais são os bairros e/ou distritos da cidade que concentram as ocorrências de excesso de barulho ou melhor, reclamações por barulho? Na lista estão: Coqueiro (8,57%), Pedreira (8,14%), Icoaraci (7,81%), Marambaia (6,61%), Jurunas (5,87%), Marco (5,71%) e Guamá (4,18%), ou seja, 6 bairros e 1 distrito de Belém são responsáveis por 46,9% das denúncias contra poluição em Belém (DEMA, 2010, grifo nosso). 




São nesses bairros e em Icoaraci aonde a fiscalização deve ser mais atuante, de forma a prevenir transtornos para a população, assim como deve haver um bom senso daqueles que querem se divertir, mas ao mesmo tempo não incomodar os vizinhos.


Os bairros e distritos mais barulhentos de Belém são: Icoaraci, Coqueiro, Marambaia e Pedreira, onde as denúncias são constantes e muito altas, todos com mais de 6% de participação das denúncias na cidade e localizados na periferia da cidade.

Em seguida, vem Guamá, Jurunas, Marco e Sacramenta aonde é considerado alto, entre 4,4% a 5,7% de participação das denúncias em Belém.

Ademais, na categoria razoável vem: Terra Firme, Canudos, Cremação, Telégrafo, Umarizal, Bengui, Parque Verde, Águas Lindas e Tapanã, entre 2% a 3,5% de participação das denúncias na cidade.




Já entre os mais sileciosos, a ordem dos bairros é a seguinte: Nazaré, Condor, São Brás, Fátima, Cidade Velha, Maracangalha, Mangueirão, Pratinha, Curió-Utinga, Guanabara, Aurá, Castanheira, Una, Cabanagem, Distrito de Outeiro, Tenoné e Souza, todos com números de denúncias considerado baixo.

Por último, com pouquíssimas denúncias ou nenhuma vem os bairros centrais: Batista Campos, Campina, Reduto; Entorno do centro: Barreiro; Distantes do centro: Val-de-Cans e Miramar. 

A vulnerabilidade ao desenvolvimento de insônia, estresse, depressão decorrente do som, perda de audição, de concentração, memória, queda no rendimento escolar ou no trabalho é maior naqueles bairros que possuem altos índices de poluição sonora.

Nesse caso, a poluição sonora tende a ser mais elevada onde a densidade demográfica é alta, associada com a baixa arborização, o que facilita a propagação do som com maior facilidade em todas as direções, aumentando o número de denúncias. O bairro da Pedreira mostrado abaixo é um dos locais com maior número de denúncias em Belém.


Fonte: Google Earth Pro (2015)


A baixa densidade demográfica e a abundância de áreas verdes podem ser indicadores que auxiliem a redução da poluição sonora e de denúncias contra esse tipo de crime, como podemos verificar no bairro São Clemente com nenhuma reclamação, onde predomina baixa densidade demográfica e grande áreas verdes.


Fonte: Google Earth Pro (2015)


Quais são as principais fontes emissoras do excesso na RMB? ou melhor, de qual lugar as pessoas mais reclamam do barulho?. Segundo o DEMA (2010), os denunciantes reclamavam mais das residências (40,45%), bares (20,91%), veículos (10,69%), templos (4,10%) e via pública (3,46%). 

É evidente que de acordo com o horário e com o bairro, vai haver a predominância de certo estabelecimento, como os bares, veículos e residências a partir das 8 horas da noite ou de templos em horário de reuniões, por exemplo. O importante é identificar o local e o horário para minimizar a "agressão aos ouvidos".




4. CONSIDERAÇÕES FINAIS


A incidência de poluição sonora é considerada muito alta  no Norte de Belém (Icoaraci e Coqueiro) e Centro-Leste (Marambaia e Pedreira), devendo ser evitada através da conscientização, pois são os moradores da cidade que provocam os ruídos. A poluição sonora é consideravelmente baixa nos bairros centrais e nobres, assim como em alguns da periferia leste, em razão de muitas estarem adaptados ou pelo baixo número de denúncias. Os órgãos da cidade também devem utilizar atividades educativas para conscientizar as pessoas dos prejuízos causados pela poluição sonora, atuando no sentido de prevenir este problema e multar os proprietários dos locais e as pessoas que não cumpram essas leis.





5. REFERÊNCIAS


DEMA. (Divisão especializada em Meio Ambiente). Relatório Estatístico 2010. Belém. Disque Silêncio. Relatório Anual 2010. Disponível em <<http://dema.policiacivil.pa.gov.br/sites/default/files/RELAT%C3%93RIO__DISQUE_SILENCIO_2010.PDF>>

MARCHETTI, M; CARVALHO, M. Ruídos na cidade de Londrina, PR. Brasil. Revista espaço geográfico em análise. Londrina, UFPR. 31 p.


SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Disponível em http://www.stj.jus.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp