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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cartografia das Chacinas na Grande Belém





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. Chacinas na Grande Belém

Uma chacina ocorre quando vários homicídios são registrados simultaneamente em um curto período de tempo, podendo ser cometido por pessoas de maneira isolada ou por organizações. Esses episódios são abomináveis e vêm ocorrendo com certa frequência nos centros urbanos ou na zona rural, pois normalmente há excesso de poder e força de um lado contra o outro. 

Na Grande Belém, capital do Estado do Pará, em um intervalo de 20 anos, ao menos 6 chacinas de moderada e alta proporção aconteceram. Muitos casos ainda não foram sequer investigados, o que gera uma preocupação muito grande por parte da população, principalmente aquela que reside nas periferias das cidades. Nessa postagem, o objetivo é realizar um registro das maiores chacinas que ocorreram na cidade, com o intuito de destacar onde tais tragédias mais aconteceram.




Figura 1. Ato público em São Paulo para lembrar vítimas de chacinas na Candelária
Fonte: Jornal Estadão (2013)


1.1 Chacina no Paar - Ananindeua (1995)

Em maio de 1995, ocorreu a primeira grande chacina na Região Metropolitana de Belém no bairro do Paar no município de Ananindeua, quando 2 policiais, 2 investigadores e 1 delegado foram mortos na Seccional do Paar por 5 bandidos logo após a morte de 1 traficante da área.


Mapa 01. Bairro com caso de chacina em Ananindeua (1995)
Fonte dos dados: Blog do Paar (2017)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas fatais = 5


1.2 Chacina no bairro da Cabanagem (2010)

Em 2010, 4 pessoas foram mortas em uma mesma casa no bairro da Cabanagem em Belém, caracterizando como uma chacina. Segundo relatos dos moradores, o episódio ocorreu por causa de discussões entre vizinhos. Os executores receberam 112 anos de reclusão no total.


Mapa 02. Bairro com caso de chacina em Belém (2010)
Fonte dos dados: G1 Notícias (outubro de 2010)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas = 4



1.3 Chacina no Distrito de Icoaraci - Belém (2011) 

Em novembro de 2011, 6 adolescentes foram assassinados em frente ao Instituto de Previdência de Belém (Ipamb) por tiros vindos de dois homens em uma moto. Cinco deles morreram no local, enquanto um faleceu durante o encaminhamento ao hospital. O principal responsável foi um Ex-Policial Militar que foi condenado a 120 anos de reclusão, que também fazia parte de um grupo de extermínio da RMB.


Mapa 03. Bairros com casos de chacina em Belém (2011)
Fonte dos dados: Jornal Diário do Pará (janeiro de 2011)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas fatais = 6

1.4 Chacina de Belém em 2014

Em Novembro de 2014, 11 pessoas foram vítimas de uma massacre ocorrido em vários bairros de Belém, a maioria era jovem. O episódio ocorreu logo após logo um policial ter sido vítima de uma "emboscada" no bairro do Guamá e perder a sua vida. Segundo as testemunhas e o resgate de fichas criminais, todos não tinham "passagem pela polícia", ou seja, não possuíam nenhum crime registrado. Caso alguns tivessem, ainda assim seria um massacre e algo imperdoável, pois somente as autoridades jurídicas devem penalizar conforme os atos.


Mapa 04. Bairros com casos de chacina em Belém (2014)
Fonte dos dados: Jornal Diário do Pará (janeiro de 2014)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas fatais = 11


1.5 Chacina da Grande Belém (2017)

Em janeiro de 2017, houve uma "onda de violência" na Região Metropolitana de Belém (RMB), logo após o homicídio de um policial da ROTAM (Ronda Tática Metropolitana) no bairro da Cabanagem. Muitos especulam que os homicídios caracterizados como execuções foram retaliações por causa da morte do policial. Os crimes ocorrera em vários bairros da capital, assim como em Ananindeua e Marituba. A maioria das execuções ocorreu em bairros periféricos da RMB (Mapa 4).



Mapa 05. Bairros com casos de chacina em Belém, Ananindeua e Marituba (2017)
Fonte dos dados: Jornal Diário do Pará (janeiro de 2017)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas fatais = Mais de 20



1.6 Chacina do Condor (2017)

Em maio de 2017, cerca de 4 pessoas foram assassinadas no bairro do Condor em Belém (Mapa 5). As vítimas assistiam televisão em um bar quando homens encapuzados chegaram em motocicletas e dispararam contra as pessoas. Outras 14 pessoas foram feridas no local e até o presente momento, possuíam um quadro estável.




Mapa 06. Bairro com caso de chacina em Belém (2017)
Fonte dos dados: G1 Notícias (Maio de 2017)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas fatais = 4


2. Distribuição espacial das vítimas por chacina na Grande Belém


Com base na avaliação das 6 maiores chacinas que ocorreram na Grande Belém com divulgação na mídia digital com grande repercussão, foi elaborado um mapa que destaca a distribuição espacial das vítimas em chacinas por bairro. É evidente que o número de vítimas pode ser maior, porém já é válido realizar um levantamento preliminar. 


Mapa 07. Homicídios em chacinas por bairro na Grande Belém (1995-2017)
Fonte dos dados: Blog do Paar (2017) e Jornal Diário do Pará (2010, 2011, 2014 e 2017), confirmados pela SEGUP/PA (Secretaria de Segurança Pública do Pará) conforme reportagem no mesmo.
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Segundo o mapa, mais de 50 pessoas já foram vítimas de chacinas entre 1995 e 2017, que tiveram grande repercussão local, predominando na cidade de Belém. Os bairros da Agulha, Terra Firme, Condor e Paar foram aqueles que mais registraram vítimas de chacinas, em que todos fazem parte das periferias da cidades, onde grande parte de sua população é de baixa renda e reside em bairros bastante desfavoráveis no que se refere a infraestrutura urbana.

Os bairros do Guamá, Cabanagem, Benguí, Parque Verde, Jurunas, Castanheira, Guanabara, Una e Curuçambá são aqueles que tiveram entre 2 e 4 vítimas de chacinas, todos da periferia da Região Metropolitana de Belém.  

No centro de Belém, apenas o bairro da Campina registrou 1 vítima por chacina, revelando que a maioria das chacinas ocorre na periferia da cidade. Em Ananindeua, somente o Cj. Cidade Nova 5 registrou uma ocorrência, diferente do centro de Marituba e das demais cidades da Grande Belém com nenhum caso (Mapa 08).




Mapa 08. Áreas com maiores vítimas de chacina em Belém e Ananindeua (1995-2017)
Fonte dos dados: Compilação e Processamento do Blog do Paar (2017) e do Jornal Diário do Pará (2010, 2011, 2014 e 2017)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Conforme o mapa, é visível que há 4 zonas que mais ocorreram vítimas por chacina na cidade de Belém e Ananindeua. Em Belém, a zona 1 corresponde aos bairros do Jurunas, Condor, Guamá e Terra Firme, com registro de mais de 10 vítimas. 

A zona 2 corresponde aos bairros do Benguí, Parque Verde, Cabanagem e Una, com registro maior que 10 vítimas. A zona 3 corresponde ao bairro da Agulha (Icoaraci) que registrou uma chacina em 2010, quando 6 jovens foram assassinados. Por último, a zona 4 em Ananindeua corresponde aos bairros do Paar, Icuí e Curuçambá, com registro próximo a 10. 


3. CONCLUSÃO

As chacinas são retaliações criminosas realizadas por grupos que impõe força e medo na sociedade, causando grande número de homicídios em curto espaço de tempo, em que os criminosos devem ser julgados e condenados conforme a Justiça. Na região metropolitana de Belém, as chacinas ocorrem principalmente na periferia, com destaque para os bairros do Sul e Centro-Oeste de Belém, assim como o norte do município de Ananindeua.


4. REFERÊNCIAS


Blog do Paar. A Chacina do Paar. Disponível http://bairrodopaar.blogspot.com.br/2014/05/a-chacina-do-paar.html


Diário do Pará. Disponível em http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2012/10/justica-condena-acusados-de-participacao-em-chacina-em-belem.html, 2012.

Diário do Pará. Disponível em http://www.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-391387-em-2-dias-24-pessoas-sao-mortas-na-grande-belem.html, 2017.

Diário do Pará. Disponível em http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2014/10/ex-pm-e-condenado-120-anos-de-prisao-por-chacina-de-icoaraci.html, 2014.

Diário do Pará. Chacina em Belém é marcada por impunidade. Disponível em http://m.diarioonline.com.br/noticias/policia/noticia-364384-%E2%80%9Cchacina-de-belem%E2%80%9D-e-marcada-pela-impunidade.html, 2016.

Estadão, Jornal. Disponível em http://politica.estadao.com.br/blogs/roldao-arruda/contra-chacinas-anistia-internacional-pede-mudanca-na-pm/, 2013.

G1. Governo confirma cinco mortos em chacina em Belém no bairro do Condor, Belém. Disponível http://g1.globo.com/pa/para/noticia/segup-confirma-cinco-mortos-em-chacina-no-bairro-da-condor-em-belem.ghtml, 2017.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Belém - Cartografia das Denúncias contra a Poluição Sonora




Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com





1. INTRODUÇÃO

A poluição sonora, nas últimas décadas, passou a compor mais um dos vários problemas nas cidades, principalmente nas grandes e médias, trazendo como consequência, problemas para a saúde pública e atingindo diretamente a qualidade de vida da população. A cidade de Belém é uma metrópole da Amazônia Oriental com 1.393.399 de habitantes (IBGE, 2010) que também enfrenta diariamente esse empecilho, através da emissão excessiva de ruídos oriundos de residências, bares, festas, sons automotivos, vias públicas, entre outras fontes emissoras de sons acima dos decibéis recomendados. Dentro desse contexto, esta postagem tem o objetivo de espacializar as denúncias  de poluição sonora nos bairros, registradas pela DEMA (Divisão Especializada do Meio Ambiente) da Polícia Civil, além de revelar outras variáveis importantes sobre o DISQUE-SILÊNCIO na cidade.

Palavras-chave: Belém. Poluição sonora. Bairros. Denúncias. Geografia da saúde.



2. MATERIAIS E MÉTODOS


Na tentativa de atingir os objetivos propostos pela postagem, foram utilizadas informações da DEMA (Divisão Especializada do Meio Ambiente) da Polícia Civil de Belém sobre a procedência total das denúncias do serviço DISQUE-SILÊNCIO  nos bairros para o ano de 2010, assim como no tratamento estatístico para obter informações como: Concentração das denúncias em Belém (% Denúncias dos bairros/Denúncias de Belém) e a intensidade de denúncias contra poluição sonora nos bairros. Na confecção dos mapas temáticos foi utilizado o software ArcGis com o método círculos proporcionais e coroplético.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 A contextualização da poluição sonora nas cidades

A vida na área urbana, mais do que os fluxos de pessoas e automóveis, apresenta um movimento de ruídos como sinônimo de som não desejado (MARCHETTI, M. et. al. 2011). Nas cidades, os sons vêm se transformando em fontes de poluição sonora, advindos de locais como residências, bares, restaurantes, boates, festas de aparelhagem, academias, automóveis, academias, igrejas, feiras, vias públicas, entre outros. 

As vezes nós mesmos procuramos os ruídos, como no excesso do volume nos aparelhos de mp3, mp4, telefones celulares, televisores e microsystems, por exemplo, em que na maioria das vezes não reconhecemos o "som aceitável" sendo convertido em "ruído excessivo", porque fomos habituados ao barulho.

Um estudo realizado em Londrina (PR) pela UFPR, revelou que o trânsito, os vizinhos, as sirenes, os animais e as construções civis são os principais motivos de reclamação por barulho na cidade. Segundo Calixto  e Rodrigues 2004 apud MARCHETTI, M. et. al. 2011), em Goiânia (GO), o barulho do trânsito é o que mais incomoda os moradores, seguido pelo volume intenso de som, telefone, conversas em voz alta, eletrodomésticos, animais e aviões. 


Segundo o Supremo Tribunal de Justiça do Brasil (2013), a poluição sonora só acontece, quando num determinado ambiente, o som altera a condição normal da audição, constituindo-se como um crime ambiental pela lei 9.605/98. Pensando em melhorar a qualidade de vida nos grandes centros urbanos, leis de silêncio foram criadas para combater a poluição sonora, estando proibido por exemplo, a emissão de som acima dos 60 (db) a partir das 22h nas residências.


A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2013) considera que o som deve ficar em até 55 decibéis (db) para não causar prejuízos ao ser humano, em que o som muito acima dessa medida pode causar efeitos negativos e até irreversíveis, como:


1. Insônia
2. Estresse
3. Depressão
4. Perda de audição
5. Agressividade
6. Perda de atenção, concentração e/ou memória 
7. Cansaço
8. Aumento da pressão arterial
9. Queda de rendimento escolar e de produtividade no trabalho
10. Surdez





Fonte: www.ambientelegal.com.br


A poluição sonora atrapalha diferentes atividades humanas, independentemente dos níveis sonoros serem potencialmente agressores aos ouvidos, podendo interferir significativamente o sistema nervoso e cardiovascular, quando a exposição é acentuada e prolongada. (Programa Nacional contra a Poluição Sonora, 2013)


3.2 A poluição sonora em Belém

A Polícia Civil do Estado do Pará, através da Divisão Especializada em Meio Ambiente (DEMA) dispõe do serviço DISQUE-SILÊNCIO, atuando no atendimento das denúncias de poluição sonora durante as 24 horas pelos números 9987-9712; 3238-3132 e 3238-1225. Esse serviço é realizado em toda a Região Metropolitana de Belém, se estendendo nos feriados prolongados e nas férias, para Outeiro, Mosqueiro e Salinópolis (DEMA, 2010).


Os meses de janeiro, março e setembro registraram o maior número de ocorrências, enquanto julho e agosto os menores, devido a saída de milhares de belenenses aos balneários e cidades do interior do estado. 

Das denúncias registradas pelo serviço, apenas 1/3 foram atendidas, enquanto 2/3 não foram não foram atendidas, causando indignação por parte da população prejudicada pelo excesso de som na cidade, ao mesmo tempo mostra a péssima qualidade do serviço prestado, pois a maioria dos casos são ignorados conforme o gráfico abaixo.




Fonte: Adaptado de DEMA (2010)


A maioria das denúncias na Região Metropolitana de Belém, assim como na maior parte das cidades, foi durante o final de semana, sendo domingo o dia da semana com maiores ocorrências, seguido do sábado e sexta (DEMA, 2010). É justamente nesses dias que os bares funcionam até mais tarde; as festas nas boates, de aparelhagem e nas residências excedem no barulho; os sons automotivos aparecem com mais frequência em frente as boates, pontos turísticos, residências, bares e nas vias públicas, mas como está essa "distribuição do barulho" nos bairros de Belém

Quais os bairros mais e os menos barulhentos? Quais bairros concentram essas denúncias? De qual lugar os denunciantes mais reclamam de barulho? Qual a intensidade de denúncia contra a poluição sonora nos bairros? Essas são algumas perguntas que vou tentar responder.


Mapa 01. Belém/PA - Distribuição das denúncias contra poluição sonora nos bairros em 2010

Fonte: Autoria própria (2018)

Segundo o mapa acima, a distribuição das denúncias contra a poluição sonora está bem distribuída, sendo maior nos bairros que circundam o centro da cidade e alguns mais afastados, no qual os que mais registraram ocorrências contra o excesso de barulho foram: Coqueiro (561), Pedreira (533), Distrito de Icoaraci (511), Marambaia (433), Jurunas (384), Marco (374) e Guamá (315) (DEMA, 2010, grifo nosso), sendo portanto, considerados os mais barulhentos em termos absolutos. 

Percebe-se claramente que são bairros afastados do centro. Todos são densamente povoados e bastante populosos, justificando o elevado número de ocorrências. Ainda de acordo com o mapa, os únicos que não foi registrado nenhuma ocorrência foram: Miramar, Universitário e São Clemente, por serem poucos densamente povoados. 

Entre os que tiveram menores ocorrências foram: Aurá (15), Val-de-Cans (30), Barreiro (36), Campina (40), Reduto (51), Batista Campos (52) e Souza (57) (DEMA, 2010, grifo nosso). A maioria tem menos de 50 habitantes por hectare (Baixa densidade de moradores). Alguns são bastante verticalizados como Batista Campos, Reduto e Campina, no qual uma parcela significativa da população está de acordo com o regimento interno dos edifícios contra o excesso de barulho.

Então, quais são os bairros e/ou distritos da cidade que concentram as ocorrências de excesso de barulho ou melhor, reclamações por barulho? Na lista estão: Coqueiro (8,57%), Pedreira (8,14%), Icoaraci (7,81%), Marambaia (6,61%), Jurunas (5,87%), Marco (5,71%) e Guamá (4,18%), ou seja, 6 bairros e 1 distrito de Belém são responsáveis por 46,9% das denúncias contra poluição em Belém (DEMA, 2010, grifo nosso). 




São nesses bairros e em Icoaraci aonde a fiscalização deve ser mais atuante, de forma a prevenir transtornos para a população, assim como deve haver um bom senso daqueles que querem se divertir, mas ao mesmo tempo não incomodar os vizinhos.


Os bairros e distritos mais barulhentos de Belém são: Icoaraci, Coqueiro, Marambaia e Pedreira, onde as denúncias são constantes e muito altas, todos com mais de 6% de participação das denúncias na cidade e localizados na periferia da cidade.

Em seguida, vem Guamá, Jurunas, Marco e Sacramenta aonde é considerado alto, entre 4,4% a 5,7% de participação das denúncias em Belém.

Ademais, na categoria razoável vem: Terra Firme, Canudos, Cremação, Telégrafo, Umarizal, Bengui, Parque Verde, Águas Lindas e Tapanã, entre 2% a 3,5% de participação das denúncias na cidade.




Já entre os mais sileciosos, a ordem dos bairros é a seguinte: Nazaré, Condor, São Brás, Fátima, Cidade Velha, Maracangalha, Mangueirão, Pratinha, Curió-Utinga, Guanabara, Aurá, Castanheira, Una, Cabanagem, Distrito de Outeiro, Tenoné e Souza, todos com números de denúncias considerado baixo.

Por último, com pouquíssimas denúncias ou nenhuma vem os bairros centrais: Batista Campos, Campina, Reduto; Entorno do centro: Barreiro; Distantes do centro: Val-de-Cans e Miramar. 

A vulnerabilidade ao desenvolvimento de insônia, estresse, depressão decorrente do som, perda de audição, de concentração, memória, queda no rendimento escolar ou no trabalho é maior naqueles bairros que possuem altos índices de poluição sonora.

Nesse caso, a poluição sonora tende a ser mais elevada onde a densidade demográfica é alta, associada com a baixa arborização, o que facilita a propagação do som com maior facilidade em todas as direções, aumentando o número de denúncias. O bairro da Pedreira mostrado abaixo é um dos locais com maior número de denúncias em Belém.


Fonte: Google Earth Pro (2015)


A baixa densidade demográfica e a abundância de áreas verdes podem ser indicadores que auxiliem a redução da poluição sonora e de denúncias contra esse tipo de crime, como podemos verificar no bairro São Clemente com nenhuma reclamação, onde predomina baixa densidade demográfica e grande áreas verdes.


Fonte: Google Earth Pro (2015)


Quais são as principais fontes emissoras do excesso na RMB? ou melhor, de qual lugar as pessoas mais reclamam do barulho?. Segundo o DEMA (2010), os denunciantes reclamavam mais das residências (40,45%), bares (20,91%), veículos (10,69%), templos (4,10%) e via pública (3,46%). 

É evidente que de acordo com o horário e com o bairro, vai haver a predominância de certo estabelecimento, como os bares, veículos e residências a partir das 8 horas da noite ou de templos em horário de reuniões, por exemplo. O importante é identificar o local e o horário para minimizar a "agressão aos ouvidos".




4. CONSIDERAÇÕES FINAIS


A incidência de poluição sonora é considerada muito alta  no Norte de Belém (Icoaraci e Coqueiro) e Centro-Leste (Marambaia e Pedreira), devendo ser evitada através da conscientização, pois são os moradores da cidade que provocam os ruídos. A poluição sonora é consideravelmente baixa nos bairros centrais e nobres, assim como em alguns da periferia leste, em razão de muitas estarem adaptados ou pelo baixo número de denúncias. Os órgãos da cidade também devem utilizar atividades educativas para conscientizar as pessoas dos prejuízos causados pela poluição sonora, atuando no sentido de prevenir este problema e multar os proprietários dos locais e as pessoas que não cumpram essas leis.





5. REFERÊNCIAS


DEMA. (Divisão especializada em Meio Ambiente). Relatório Estatístico 2010. Belém. Disque Silêncio. Relatório Anual 2010. Disponível em <<http://dema.policiacivil.pa.gov.br/sites/default/files/RELAT%C3%93RIO__DISQUE_SILENCIO_2010.PDF>>

MARCHETTI, M; CARVALHO, M. Ruídos na cidade de Londrina, PR. Brasil. Revista espaço geográfico em análise. Londrina, UFPR. 31 p.


SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Disponível em http://www.stj.jus.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp



















































sexta-feira, 19 de julho de 2013

Belém (PA) - Áreas verdes no bairro do Jurunas, Condor e Guamá.

Luiz Henrique Almeida Gusmão
Graduando em Geografia pela Universidade Federal do Pará
Instrutor/Monitor dos softwares: ArcGis, QGIS e  Google Earth
Mapas, Palestras e COnsultoria em Geoprocessamento e Cartografia (91) 98306-5306



1. INTRODUÇÃO

A partir dessa primeira postagem, será mostrada a situação das áreas verdes nos bairros da Primeira Légua Patrimonial de Belém, com base em imagens de satélite de 2010 do Google Earth. No primeiro, será apresentada a situação dos bairros do Jurunas, Guamá e Condor de acordo com a vetorização de áreas verdes nos bairros, como praças, parques, jardins, estádios de futebol, arborização no centro de vias, de complexos turísticos com áreas verdes, áreas de recreação com áreas verdes, quintais de casas com áreas verdes significativas. O propósito será uma amostra da situação aparente do bairro, com o intuito de avaliar a qualidade de vida em geral dos residentes.

Palavras-chave: Áreas verdes. Prefeitura de Belém. Jurunas. Condor. Guamá.


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Será apresentado imagens de satélite do Google Earth do bairro do Jurunas, Condor e Guamá com base na fundamentação teórica de CAVALHEIRO (1992); DEL PICCHIA (1992); LIMA (1994) e MOREIRO (2007).


3. DESENVOLVIMENTO

Para Geiser et al. (1975, p. 30) (apud CAVALHEIRO; DEL PICCHIA, 1992), as áreas verdes são "[...] áreas com vegetação fazendo parte dos equipamentos urbanos como parques, jardins, cemitários existentes, áreas de "pequenos jardins", alamedas, bosques, praças de esportes, "playgrounds", "plays-lots", "balneários", "camping" e margens de rios e lagos"
Contrários a esta ideia, Moreiro et al (2007, p.20) entende que:
                   [...] as áreas verdes engloba locais onde predominam a vegetação arbórea, praças, jardins e parques, e sua distribuição deve servir a toda população, sem privilegiar qualquer classe social e atingir as necessidades com sua estrutura e formação, como idade, educação, nível sócio-econômico.


Lima et al (1994) considera que é necessário um esforço para que os termos utilizados para a classificação da vegetação urbana sejam discutidos de forma convergente. Para eles, espaço livre é um termo mais abrangente que áreas verdes.

Nesse sentido, admitimos como áreas verdes, locais como praças, parques e jardins urbanos, complexos turísticos com vegetação arbórea significativa, gramados de estádios, vias com vegetação arbórea significativa no centro, no qual podem de alguma forma amenizar a temperatura local, proporcionar sombreamento, recreação e lazer, de forma a discutir a situação dos bairros da cidade. 

Abaixo será apresentado a situação das áreas verdes e áreas livres dos bairros listados:


Figura 1. Áreas verdes no bairro do Jurunas.
Fonte: Editado no Google Earth por GUSMÃO, L.H (2013)


O bairro do Jurunas, segundo o Anuário Estatístico de Belém (PREFEITURA DE BELÉM, 2010), tem 62.740 habitantes e 265,85 hab/ha, configurando-o como populoso e com alta densidade demográfica, no qual uma parcela significativa de sua população é de classe baixa. 

Na imagem acima, percebemos a existência da Praça Amazonas (noroeste) e poucas vias arborizadas, especialmente no Noroeste do bairro, já na proximidade com o bairro da Batista Campos.  Os locais com menos áreas verdes são aqueles ao longo da Bernardo Sayão e na fronteira com o bairro do Condor.

Há muitas áreas verdes privadas (quintais de casas) e poucas públicas (praça Veiga Cabral e praça Amazonas), ou seja, há pouca áreas verdes. Como a área da praça Amazonas é insuficiente para a demanda do bairro, muitos jurunenses vão em direção a Praça Batista Campos e a Praça da República, em bairros próximos, mas que exige a condução por linhas de ônibus, táxis e automóveis.


Figura 2. Áreas verdes no bairro do Condor
Fonte: Editado no Google Earth por GUSMÃO, L. H (2013)


O bairro do Condor, segundo o AEB (PREFEITURA DE BELÉM, 2010) tem cerca de 42.038 habitantes e 245,84 hab/ha, também sendo um bairro populoso com alta densidade demográfica, com predominância de moradores de classe baixa. 

A imagem acima, nos dá uma dimensão do bairro, no qual há apenas uma praça pequena e com pouca vegetação, a Praça Princesa Isabel ao sul, além da existência de muitas áreas verdes privadas. No bairro há poucas casas com quintais e quando há, a maioria das residências localiza-se em ruas principais.

A maioria dos moradores se direcionam com frequência para bairros com maior oferta de praças e áreas verdes como Batista Campos e Campina, por causa da quase inexistência de espaços públicos verdes.


Figura 3. Áreas verdes no bairro do Guamá
Fonte: Editado no Google Earth por GUSMÃO, L. H (2013)

O bairro do Guamá é o mais populoso de Belém e também um dos mais pobres da cidade, com diversos problemas socioambientais, tais como carência de saneamento básico, segurança pública, entre outros, assim como de áreas verdes. Segundo a AEB (PREFEITURA DE BELÉM, 2010), moram 102.124 pessoas, nas quais uma parcela significativa é de classe baixa. 

A imagem acima nos revela uma situação extremamente preocupante, pois há apenas a Praça Benedito Nunes, sendo muito pequena e com baixíssima área verde em sua volta. Outros espaços são de instituições privadas e públicas, como a do Hospital Barros Barreto, assim como de quintais particulares, ou seja, para uma população de mais de 100.000 habitantes, os espaços de recreação e lazer com áreas verdes é quase nula.

As demais áreas verdes que se destacam no Guamá estão dentro do Cemitério Santa Izabel, sendo portanto, inacessível a toda a população. As áreas mais carentes estão no nordeste e sul do Guamá, próximo ao bairro da Terra Firme e do Campus da UFPA.


2. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O bairro do Jurunas, Condor e Guamá são populosos, no qual juntos têm aproximadamente 206.902 habitantes (AEB, 2010), com elevada densidade demográfica, no qual grande parte de sua população é de classe baixa, estando disponíveis aos mesmos, minúsculos espaços de recreação e lazer, ocasionando deslocamento para bairros mais bem estruturados e com áreas verdes. O contingente populacional nos bairros exige maiores investimentos por parte da Prefeitura de Belém em áreas livres e verdes, contribuindo para uma melhoria na qualidade de vida dessa população. Peço para a atual gestão de Belém, a construção de uma praça maior no bairro do Jurunas e do Guamá, a melhoria e ampliação da Pça. Princesa Isabel no Condor e uma arborização compatível com a realidade das vias desses bairros.


3. REFERÊNCIAS

CAVALHEIRO, F.; DEL PICCHIA, P. C. D. Áreas verdes: conceitos, objetivos e diretrizes para o planejamento. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE ARBORIZAÇÃO URBANA, 4. 1992, Vitória . ES. Anais... v. 1. Vitória, 1992. p. 29 . 38.

MOREIRO, A.M.; SANTOS, R.F.; FIDALGO, E.C.C. Planejamento ambiental de áreas verdes: estudo de caso de Campinas-SP. Revista do Instituto Florestal, v. 19, n. 1, p. 19-30, jun. 2007.

NUCCI, J.C. Qualidade ambiental e adensamento urbano. São Paulo, SP: Humanitas, 2001.