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sábado, 10 de dezembro de 2016

Exposição de Mapas/Artigos Importantes do Blog sobre Belém




Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com

gusmao.geotecnologias@gmail.com




1. Exposição de Mapas/Artigos importantes do Blog sobre Belém

Essa postagem tem o propósito de expor alguns dos melhores ou mais importantes mapas de Belém que o autor do blog já confeccionou. Tratam-se de mapas que levaram horas de trabalho pelo uso de várias técnicas de Geoprocessamento e Cartografia, além de abordar artigos/postagens importantes do Blog.

1.1 Análise da distribuição das praças nos bairros de Belém usando Geotecnologias (Postagem de 2013)


Mapa 1. Área de praça em m² por habitante nos bairros de Belém em 2006
Fonte: Imazon (2006)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão


Esse foi um dos primeiros mapas que eu produzi. A ideia surgiu em 2013, quando eu estava estudando sobre a relação entre os espaços de lazer público, no caso, as praças, e a quantidade de residentes nos bairros de Belém. Os dados são todos do Imazon (2006), porém foi realizado um novo mapa com base em outra abordagem, com destaque para a visualização do nome dos bairros. Para ler sobre o artigo, chamado "Análise da distribuição das praças de Belém usando Geotecnologias", acessem:  http://geocartografiadigital.blogspot.com.br/2013/11/o-uso-do-software-philcarto-e-do-google.html


1.2 Espacialização dos acidentes de trânsito em Belém com o software Philcarto (Postagem de 2013)



Mapa 2. Vulnerabilidade de acidentes de trânsito no município de Belém de 2007 a 2009
Fonte: DETRAN (2007, 2008 e 2009)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão

Eu considero esse mapa, um dos mais criativos que já publiquei no blog, simplesmente porque ele é sequencial e mostra o mesmo tema: acidente de trânsito. Os dados do mapa referem-se a quantidade de acidentes de trânsito que teve em cada bairro de Belém, tornando-os menos ou mais vulneráveis de ocorrer essa situação. Para ler mais, acessem: http://geocartografiadigital.blogspot.com.br/2013/11/belempa-espacializacao-dos-acidentes-de.html


1.3 Mapeamento dos homicídios dos bairros de Belém - 2008 e 2009 (Postagem de 2014)


Mapa 3. Quantidade de homicídios dos bairros de Belém (2009)
Fonte: Anuário Estatístico de Belém (2010)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão


O mapa dos homicídios nos bairros de Belém foi um dos que mais teve repercussão. Por que?, porque ninguém ainda tinha feito ou tinha compartilhado um mapa que mostra os bairros que tiveram mais homicídios. Algo impensável, porque vivemos na era da tecnologia e da comunicação, e nenhum órgão da cidade compartilhou um mapa que retratasse esse tema. O mapa destaca a explosão de homicídios nos bairros da periferia de Belém em detrimento do centro da cidade. Para ler mais, acessem: http://geocartografiadigital.blogspot.com.br/2014/01/mapeamento-dos-homicidios-nos-bairros.html



1.4 Cartografia das Favelas de Belém com o uso do software Philcarto e Google Earth Pro (Postagem de 2015)



Mapa 04. Intensidade de aglomerado subnormal ou favelas nos bairros de Belém em 2010


Fonte: IBGE (2010)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão


O mapa mais importante e um dos mais vistos na página do facebook do blog, principalmente por expressar uma realidade tão triste da nossa cidade, as baixadas ou favelas, distribuídas por bairro, algo que a prefeitura não destaca e os órgãos não compartilham, porque mostra a incompetência na gestão do município e a quase ausência de políticas voltadas a moradia na cidade. O mapa ressalta alta taxa de favelização de bairros na zona norte e no sul de Belém, em detrimento da ausência no centro da cidade. Para ler mais, acesse: http://geocartografiadigital.blogspot.com.br/2015/01/cartografia-das-favelas-de-belem-com.html


2. Conclusões

Hoje eu destaquei alguns dos mapas mais importantes do blog e consequentemente, os artigos ou postagens que explicam cada mapa e o tema específico. Ademais, irei realizar outras postagens para mostrar demais artigos e mapas importantes do blog.


terça-feira, 25 de junho de 2013

Cartografia da População de Belém (1960)





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



Segundo Antônio Rocha Penteado (1968), tomando como base as características funcionais, a cidade de Belém nos anos de 1960 era dividida em quatro áreas:

a) Zona Sul: Era formada pelos bairros da Batista Campos , Jurunas, Cremação, Condor e Guamá

b) Zona Leste: Era formada pelos bairros de Nazaré, São Brás, Canudos e Terra Firme.

c) Zona Norte: Era formada pelos bairros da Matinha (Atual Fátima), Umarizal, Telégrafo sem Fio (Atual Telégrafo), Sacramenta, Pedreira, Marco, Sousa e Marambaia. 

d) Zona Oeste: Campina, Reduto e Cidade Velha.


Mapa 01. Divisão dos bairros de Belém em zonas (1960)
Fonte: GUSMÃO (2016)
É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor, configurando-se como plágio.

Belém em 1960 era constituída por 20 bairros situado em 4 zonas diferentes, na qual a Zona Norte tinha a maior extensão territorial, era a mais populosa e com o maior crescimento urbano da época, predominando uma população com baixo poder aquisitivo e estando em áreas de várzea (áreas inundáveis periodicamente). 

Os bairros da Zona Oeste eram predominantemente comerciais, com imensas e variadas lojas, principalmente em Campina. O bairro do Reduto era industrial, contendo inúmeras fábricas alimentícias, têxteis e de limpeza. O bairro da Cidade Velha possuía e ainda tem um rico patrimônio histórico e arquitetônico do século XVI, XVII e XVIII nas suas ruas estreitas.

Os bairros de Batista Campos, São Brás, Canudos, Marco, Nazaré e área Norte da Cremação possuíam terrenos mais elevados, com quarteirões amplos e traçados com um certo planejamento. Neles residia a classe média e alta belenense. Suas casas eram revestidas de azulejo, construídas no alinhamento da rua, geralmente asfaltadas e, com exceção de Canudos, todas eram arborizadas. Na porção sul do bairro da Cremação moravam geralmente os operários e comerciantes. 

No bairro de Nazaré, havia o contraste entre  novo e o velho, se destacando a Basílica de Nazaré, os grandes palacetes, alguns transformados em repartições públicas, outros ainda ocupados pelas famílias tradicionais de Belém, e as modernas construções, como o edifício Manoel Pinto da Silva, o mais alto de Belém na época. 

Além de ser um centro religioso, o bairro funcionava como centro educacional, comercial e recreativo, pois concentrava a Faculdade de Administração da Universidade do Pará, os núcleos de ciências exatas e humanas, colégios de ensino médio, fundamental e língua estrangeira, galerias, livrarias, papelarias, institutos de beleza, cinemas, restaurantes, bares, lanchonetes, farmácias, entre outros, sendo responsável pela maior agitação da vida noturna de Belém nos anos de 1960. (PENTEADO, 1968)

Nos outros bairros residia a população pobre de Belém, alguns apresentando graves problemas de saneamento básico, como a falta de água potável. O Guamá, Telégrafo sem fio, Matinha, Sacramenta, Pedreira Jurunas e Condor eram bairros de várzea e seus moradores viam-se sujeitos às enchentes anuais do rio Guamá ou da Baía de Guajará.

As casas, a maioria barracas de madeira e pau-a-pique, cobertas de folhas de palmeira, eram construídas em um nível mais elevado ligadas através de pontes, conhecida como Estivas. Nesses bairros as principais vias comerciais e industriais eram a Estrada Nova (Atual Bernado Sayão), a Tv. Pe. Eutíquio, a Av. Sen. Lemos e a Av. Pedro Miranda.

Os bairros do Umarizal, Marco, Telégrafo sem Fio e Pedreira concentravam quase 40% da população da cidade, enquanto o restante estava distribuída pelos 16 bairros.


Tabela 1. População dos bairros de Belém em 1960
Fonte: PENTEADO, 1968. p. 208.


Mapa 02. População dos bairros de Belém (PA) em 1960
Fonte: GUSMÃO (2016)
É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor, configurando-se como plágio.


O mapa 02 evidencia a distribuição espacial da população de Belém nos seus bairros, no qual o Umarizal e Marco eram os mais populosos do período, com mais de 26.000 habitantes. Em seguida, entre 14.900 a 16.778 habitantes, estavam Telégrafo sem Fio, Pedreira, São Brás e Jurunas. Em 1960, o setor Norte concentrava a maioria da população da cidade, assim como registrava a maior taxa de crescimento populacional no período.

A área central de Belém naquele período compreendia os bairros da Campina, Cidade Velha e Reduto, que possuíam melhor infraestrutura, no que se refere aos serviços bancários, educacionais, de saúde, de recreação, financeiro, entre outros, no qual a população de classe média e alta habitava. 

A maior parte da população morava em bairros periféricos, denotando um aglomerado de habitantes pobres no Umarizal, Telégrafo sem fio, Pedreira, Guamá, Condor, Matinha, Marco, Sacramenta, Marambaia, Souza e Jurunas, enquanto em São Brás havia uma classe média ascendente decorrente da exaustão de terrenos em Nazaré. O bairro da Terra Firme, apesar de evidência de ocupação, não há dados registrados na obra (PENTEADO, 1968).


O mapa abaixo (Mapa 03) expressa a forte densidade demográfica nos bairros do Setor Leste e Oeste, destacando-se Campina, Umarizal, São Brás, Reduto, Batista Campos, Cidade Velha, Canudos e Matinha, todos com mais de 100 habitantes por hectare, ou seja, cerca de 40% dos bairros já possuíam essa característica. 


Mapa 03. Densidade demográfica dos bairros em 1960 de Belém (PA)
Fonte: GUSMÃO (2016)
É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor, configurando-se como plágio.


Os menos povoados eram Sacramenta, Souza, Marambaia e Condor, entre 6 a 25 moradores por hectare, em decorrência da incorporação recente dos mesmos na malha urbana da cidade, sendo distantes do centro com uma população extremamente pobre.

Em 1960, já era evidente um adensamento populacional nos bairros com melhor infraestrutura e pouco susceptíveis aos constantes alagamentos, principalmente pelo baixo custo na manutenção das casas, assim como pela proximidade com o centro comercial da cidade. Em contrapartida, as pessoas que viviam na Zona Norte e na Zona Sul, percorriam grandes distâncias para exercer suas atividades e estavam mais susceptíveis às doenças pela precariedade do saneamento básico.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os mapas destacaram algumas características demográficas de Belém em 1960, como a primeira tentativa de regionalização da cidades; a forte densidade demográfica nos bairros da Zona Oeste e Leste, assim como a alta concentração populacional nos bairros da Zona Norte. É evidente que Belém passava por um período acelerado de crescimento populacional, em decorrência do avanço do sistema capitalista, através da expansão do comércio e da prestação de serviços no centro, o que motivou a ocupação de bairros que eram ocupados por várzeas no Setor Norte e Sul. A cidade em 1960 tinha uma população de 225.218 habitantes, enquanto em 2010 era de 1.392.031, o que destaca o forte e acelerado processo de ocupação do seu território nas últimas décadas.




REFERÊNCIAS

PENTEADO, A. R. Belém do Pará: Estudo de Geografia Urbana. Volume 1. Coleção Amazônica. Série José Veríssimo. Universidade Federal do Pará - UFPA, 1968.