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terça-feira, 5 de junho de 2018

Mapeamento de Riscos Ambientais (Serviço)




Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com

gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. Mapeamento de Riscos Ambientais, estudo de caso (Serviço)

A expansão demográfica nos centros urbanos tem ocasionado grande pressão junto ao meio em que vivemos, na forma de processos constantes de emissão de poluentes líquidos, sólidos e gasosos nos meios receptores, tais como no ar, no solo e na água, assim como a ocorrência de erosão, inundação e outros processos que impactam diretamente o meio. 

Deste modo, o processo de urbanização tem contribuído para que vários riscos ambientais apareçam ou sejam potencializados. No entanto, existem diversas formas para solucionar esses problemas, em que o mapeamento participativo pode ser um grande aliado na identificação desses problemas, assim como na compreensão da distribuição dos mesmos. Nesse sentido, o mapeamento é uma das etapas mais importantes para resolver esta situação das cidades, especialmente as metrópoles, onde a demanda é alta.


Este mapeamento deve ser realizado junto à comunidade local, uma vez que moradores e trabalhadores da área são os principais prejudicados e por conhecerem melhor os problemas ambientais do local. Esse tipo de trabalho é essencial e pode ser aplicado com ajuda de uma equipe multiprofissional em campo.

Com base no estudo de caso do conjunto Bela Vista em Belém, ofereço o serviço de mapeamento de riscos ambientais para pesquisas científicas com o uso de GPS em campo, análise dos dados e elaboração de mapas temáticos exclusivos.



2. Mapeamento de Riscos Ambientais, estudo de caso no conjunto Bela Vista (Belém/PA)

O Bela Vista é um conjunto de classe média localizado no bairro de Val-de-Cans em Belém, em que o seu uso é predominantemente residencial com muitas áreas de lazer, poucos estabelecimentos comerciais e nenhum industrial (Figura 1). Embora o padrão socioeconômico do mesmo seja elevado, isto não impede que não haja problemas ambientais em sua área. 



Figura 01. Carta-imagem do conjunto Bela Vista com sua infraestrutura urbana, Belém/PA
Fonte: Trabalho de Campo (2018)
*É expressamente proibido o uso, aproveitamento e compartilhamento do mapa sem autorização prévia do autor.


Nesse cenário, usamos um GPS Etrex para o mapeamento em campo e dois softwares livres (QGIS e Google Earth Pro) para a confecção de mapas temáticos dos riscos ambientais encontrados no conjunto Bela Vista.

Neste sentido, este mapeamento foi realizado de forma experimental no período entre 25/05 e 02/06 com a contribuição de poucos moradores, entre eles: advogados, corretores de imóveis, aposentados, universitários, um agente comunitário e um geógrafo. 

Este mapeamento enquadrou os riscos ambientais em cinco das seis categorias propostas por Dagnino, R; Carpi Jr, S. (2006), sem levar em consideração a "Vulnerabilidade Social". A simbologia gráfica foi adaptada para este projeto.

a) Água 
b) Solo
c) Ar
d) Resíduos 
e) Animais e Vegetação
f) Vulnerabilidade Social



Ao todo foram mapeados 26 riscos ambientais no conjunto Bela Vista, dos quais 42% estão relacionados aos resíduos; 34,6% à água; 11,5% aos animais e vegetação; 7,7% aos solos e 4,2% ao ar, conforme a figura abaixo, ou seja, prevalecem problemas relacionados ao saneamento básico no que se refere ao esgoto a céu aberto e a deposição indiscriminada de lixo, seguido por empecilhos ligados a alagamentos.



Gráfico 01. Riscos Ambientais mapeados no Conjunto Bela Vista em Val-de-Cans (Belém/PA)
Fonte: Trabalho de campo (Entre 25/05 e 02/06 de 2018)


No que se refere ao item "Água" foram mapeados nove (9) riscos ambientais relacionados à alagamento, especialmente nas partes mais baixas das ruas: Natal, São Luís, João Pessoa, Altamira, Aracaju, Guajará, parte da Florianópolis e em um trecho da Júlio César (Figura 2), onde a capacidade de escoamento da água da chuva é mínima.



Figura 02. Mapa dos riscos ambientais relacionados à água no conjunto Bela Vista (2018)
Fonte do mapa: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2018)
Fonte dos dados: Trabalho de Campo (25/05 - 02/06)
*É expressamente proibido o uso, aproveitamento e compartilhamento do mapa sem autorização prévia do autor.


Em relação ao item "Solos" foram identificados dois (2) riscos ambientais associados a erosão, um por causa de um lava jato (Rua Cuiabá) e outro devido a retirada de cobertura vegetal (Travessa Guajará), conforme podemos ver abaixo:



Figura 03. Mapa dos riscos ambientais relacionados aos solos no conjunto Bela Vista (2018)
Fonte do mapa: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2018)
Fonte dos dados: Trabalho de Campo (25/05 - 02/06)

*É expressamente proibido o uso, aproveitamento e compartilhamento do mapa sem autorização prévia do autor.


Na avaliação do item "Ar" foi identificado um (1) risco ambiental, associado a forte emissão de gases poluentes nos primeiros metros da avenida principal do conjunto (Rua Florianópolis), muitas das vezes também com poeira em suspensão, como podemos visualizar abaixo:



Figura 04. Mapa dos riscos ambientais relacionados ao ar no conjunto Bela Vista (2018)
Fonte do mapa: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2018)
Fonte dos dados: Trabalho de Campo (25/05 - 02/06)

*É expressamente proibido o uso, aproveitamento e compartilhamento do mapa sem autorização prévia do autor.


No item "Resíduos" foram mapeados onze (11) riscos ambientais, dos quais sete (7) estão relacionados ao esgoto a céu aberto de forma grave, conhecido como "vala negra", em que os resíduos estão em decomposição a bastante tempo. A maioria deles está associado ao descarte irregular e constante de resíduos sólidos, especialmente o orgânico. Ainda foram mapeados três (3) riscos relacionados ao acúmulo de lixo em proporção moderada com mau cheiro. Por último, um (1) risco foi mapeado referente a entulho, onde o acúmulo de resíduos é oriundo de construção civil.



Figura 05. Mapa dos riscos ambientais relacionados a resíduos no conjunto Bela Vista (2018)
Fonte do mapa: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2018)
Fonte dos dados: Trabalho de Campo (25/05 - 02/06)
*É expressamente proibido o uso, aproveitamento e compartilhamento do mapa sem autorização prévia do autor.


No item "Animais e Vegetação" foram mapeados três (3) riscos ambientais, em que um (1) é referente ao desmatamento causado pela construção de uma casa e os outros dois (2) associados a constante presença de vetores de doenças (roedores, baratas, moscas, etc) por causa da deposição indiscriminada de lixo orgânico, como podemos visualizar abaixo:



Figura 06. Mapa dos riscos ambientais relacionados a animais e vegetação no conjunto Bela Vista (2018)
Fonte do mapa: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2018)
Fonte dos dados: Trabalho de Campo (25/05 - 02/06)
*É expressamente proibido o uso, aproveitamento e compartilhamento do mapa sem autorização prévia do autor.


Quando avaliamos a distribuição geral dos riscos ambientais, conseguimos perceber que muitos deles estão associados, como a presença de acúmulo lixo e a circulação de roedores e insetos por exemplo, ou problemas de alagamento com a presença de "vala negra" em alguns pontos, o que eleva significativamente o risco ambiental daquela área, como podemos ver abaixo:


Figura 07. Quantidade de riscos ambientais no conjunto Bela Vista (2018)
Fonte do mapa: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2018)
Fonte dos dados: Trabalho de Campo (25/05 - 02/06)
*É expressamente proibido o uso, aproveitamento e compartilhamento do mapa sem autorização prévia do autor.


Nota-se que o trecho entre a Av. Júlio César e a R. Florianópolis possui a maior quantidade de riscos ambientais, seguidos também no cruzamento da R. Florianópolis com a Av. Transamazônica, Altamira, Cuiabá e com a Rio Branco. Merecem destaque também as ruas Altamira, Guajará e o bosque no final do conjunto. Sob outra perspectiva, os riscos ambientais são maiores nos primeiros metros do conjunto Bela Vista do que nos últimos, justamente por causa da maior circulação de pessoas e da concentração de estabelecimentos comerciais.


2. Conclusões

A partir do mapeamento dos riscos ambientais no conjunto Bela Vista, constata-se que no mesmo há 26 ameaças a população, como a chance de contrair doenças por causa de locais com concentração de insetos e roedores (vetores) ou lixo; a possibilidade de entrar em contato com água parada através de alagamentos ou esgoto a céu aberto (vala negra); a probabilidade de haver feridos por causa da erosão; a chance de inalar substâncias tóxicas como monóxido de carboro ou poeira, ou parte da vegetação natural do conjunto ser destruída. 
Nesse cenário do avanço da urbanização e do melhor gerenciamento de recursos naturais, o mapeamento participativo é uma etapa essencial na identificação dos riscos ambientais da comunidade, nos ajudando a localizar onde tais problemáticas são mais frequentes, assim como auxiliar na discussão de quais as melhores soluções diante desses impasses.


3. Referências

Capri, S. et al. Levantamento de riscos ambientais na bacia do ribeirão de Anhumas. Disponível em http://www.iac.sp.gov.br/projetoanhumas/pdf/riscos_ambientais_bacia_ribeirao_anhumas.pdf.pdf. Acesso em 01/06/2018.

Dagnino, R; CAPRI, S. Mapeamento participativo de riscos ambientais na bacia hidrográfica do Ribeirão das Anhumas, 2006. Disponível em http://www.anppas.org.br/encontro_anual/encontro3/arquivos/TA157-06032006-105325.PDF. Acesso em 28/05/2018.



ANEXO

Figura 8. Área com "vala negra" e com ocorrência de alagamento na Tv. João Pessoa


Figura 9. Área com ocorrência de alagamento, presença de "vala negra" e acúmulo de lixo na Rua Florianópolis


Figura 10. Área com ocorrência de alagamento na Tv. Guajará


Figura 11. Área com forte tráfego de veículos e com poeira em suspensão na Rua Florianópolis














quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Análise da presença de praças em Belém/PA



Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. INTRODUÇÃO

Esta postagem tem o propósito de realizar breve análise espacial da presença de praças no município de Belém (parte continental), assim como discutir a importância desses espaços como pontos de práticas sociais, manifestações culturais e esportivos, assim como de convívio social. O principal objetivo proposto é representar e analisar a presença de praças nos bairros de Belém (parte continental).




2. MATERIAIS E MÉTODOS  

A partir dos dados do IMAZON (2006) foram realizados mapas temáticos que destacam a proporção de praças por habitante nos bairros de Belém. Além disso, destacou-se praças importantes de Belém e as principais do bairro da Campina. Todas as figuras foram confeccionadas com o software Philcarto através do método coroplético e corocromático.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Definições do conceito de praça

A praça é o lugar intencional do encontro, de práticas sociais, de manifestações de vida urbana e comunitária (MENDONÇA, E. apud LAMAS, 2000). Esse espaço é recordado por muitos como ponto de encontro da infância, onde brincava-se com os balanços, gangorras, escorregadores, patinetes, bicicletas, patins, skates, entre outros, enquanto na adolescência, era lugar de ponto de namoro ou de encontro com os amigos após a escola.

Na fase adulta, é lembrando como espaço em que se levam os filhos, sobrinhos e primos para passear, brincar e comer; ponto de manifestações culturais como o Arrastão do Pavulagem, de manifestações políticas como o Passe Livre, "Brasil sem corrupção", Movimento LGBT; da prática de atividades físicas, entre outros. Enfim, todos nós temos recordações de algum modo desse espaço que fez ou faz parte da nossa vida.

Conforme o IMAZON (2007), as cidades mais aprazíveis são aquelas que reservam amplos espaços do seu território para as praças. Isso porque as praças têm um papel essencial nos centros urbanos ao proporcionar lazer, espaço para atividades culturais e esportivas, e oportunidades para o sossego e contemplação.

Segundo (MENDONÇA, E. apud CASSETI, A. 1995), a praça é considerada desde sempre, como âmbito da visibilidade, onde aparecer significa existir na qualidade de ator social. Em Belém, na "época áurea da borracha na Amazônia", era espaço por onde as elites desfilavam com trajes finos "la francesa". 

Hoje é considerado como espaço das multiterritorialidades, onde de acordo com o horário e o dia, os sujeitos sociais são diferenciados, como famílias; "Tribos urbanas" como "rockeiros", "reggaeiros", "metaleiros", mendigos, feirantes, ambulantes, entre outros. Muitas vezes, há uma coexistência entre esses sujeitos sociais, dependendo muitas vezes da praça. 



Figura 1. Visão da Praça da República a partir do coreto
Fonte: Google Maps (2017)

Nesse sentido, a praça pode ser definida, de maneira ampla, como qualquer espaço público urbano, livre de edificações, que propicie convivência e/ou recreação para os seus usuários (MENDONÇA, E. apud VIERO, 2009).

As praças são espaços livres, haja vista, nos dias de hoje serem vista pela maioria da sociedade como espaços abandonados, de mendicância, ponto de drogas e até mesmo de prostituição (MENDONÇA apud CHIES, 2000). 

Em Belém, as praças localizadas no centro da cidade em sua maioria tem manutenção razoável e esporádica, principalmente a Praça da República, Batista Campos, Frei Caetano Brandão, Praça D. Pedro II, Felipe Patroni, Brasil, no qual muitas vezes só são "cuidadas" após reclamações constantes pelos meios de comunicação ou por agentes comunitários. 

No entanto, muitos bairros da cidade não têm praça e são aqueles, em sua maioria, periféricos e pobres da cidade, no qual as famílias têm que se deslocar até o centro da cidade para usufruir de um espaço público igual a esse.


3.2 A situação das praças na Belém Continental

Em 2004, Belém possuía 47 bairros com praças e 24 sem praças, porém a qualidade das áreas verdes nessas praças é considerada ruim, pois apenas 34% se mantêm conservados, possuindo ainda 49% de espaços sem jardinagem, 5% sem áreas verdes e 12% abandonadas (IMAZON, 2004). 

Quanto aos equipamentos como bancos, coretos, brinquedos, postes, gramado, etc, a pesquisa constata que quase a metade deles (48%) está depredada ou inutilizada (38%) (IMAZON, 2004). 

Para o IMAZON (2004), a péssima condição das praças em Belém e na Região Metropolitana de Belém é reflexo do crescimento urbano desordenado, que invade as áreas verdes, diminuindo a qualidade de vida da população. Nesse caso, destaca-se também a falta de planejamento público no setor de áreas verdes e recreação nos bairros pela Prefeitura de Belém, assim como a demora na manutenção das existentes.

As praças significam dar à população um espaço para lazer e prática esportiva, o que resulta em uma diminuição da violência e melhoria na saúde. (IMAZON, 2004). As praças não cuidadas são lugares propícios a prática do consumo de drogas, de pequenos delitos e outros crimes, como visto em algumas da capital paraense, assim como em outras cidades do Brasil.


Figura 2. Visão parcial da Pça. Batista Campos
Fonte: Google Maps (2017)


Conforme a figura abaixo, os bairros com melhor disponibilidade de praça por habitante são: Campina, Cidade Velha e Souza. Nos bairros centrais, as praças remontam o período da Belle Epoque, onde vários espaços públicos arborizados foram feitos para amenizar o calor e embelezar a cidade. Nesses bairros estão as mais praças mais frequentadas e tradicionais de Belém como República, Sereia, Waldermar Henrique e Bandeira. 



Figura 1. Belém Continental - Área de praça em m2 por habitante nos bairros em 2006 pelo Philcarto
* Autorizo a utilização e a reprodução desde que a fonte seja citada e nenhum elemento modificado
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2013)


Ainda conforme a figura, outros bairros que se destacam estão na porção oeste de Belém: Val-de-Cans, Maracangalha e Miramar, onde a ocupação é mais recente e muitas praças foram planejadas, sendo alguns dos bairros mais arborizados da cidade. 

De forma isolado, destacam-se: Souza e Coqueiro. São bairros com menor densidade demográfica, onde ainda é possível ver alguns resquícios de praças arborizadas.

Por outro lado, percebe-se que a maioria dos bairros de Belém tinha até 1 m² de praça por habitante, sendo aqueles com maior adensamento populacional. Muitos desses bairros são os mais pobres e periféricos, com algumas exceções.

Já aqueles sem praças, destacam-se muitos bairros de Icoaraci, Barreiro e outros na borda leste da cidade, quase no município de Ananindeua.


Muitas vezes, a praça é um dos únicos locais de lazer de famílias mais pobres, no qual a sua ausência é mais sentida nos bairros periféricos da cidade do que os centrais. A maioria está distante do centro, entre 4 e 30 km. Muitos deles tem poder aquisitivo inferior a 2 salários mínimos, com difícil acesso ao centro e poucas opções de lazer público neles.


A partir disso realizamos uma classificação dos bairros conforme a situação da área de praça por habitante, destacando hotspots para futura implantação. As categorias são: muito confortável, confortável, razoável, crítico e muito crítico.



Figura 02. Belém continental - Condição do bairro por área de praça (2006)
* Autorizo a utilização e a reprodução desde que a fonte seja citada e nenhum elemento modificado
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2013)


A figura acima revela que na maioria dos bairros de Belém a presença de praça é crítica, com poucos espaços desse tipo. No entanto, raros bairros se destacam com maior presença de praças como Campina, Cidade Velha e Souza. As figuras abaixo destacam os hotspot sem nenhuma praça.


# Área 1: Norte de Belém, especialmente em Icoaraci;
# Área 2: Bairro de Águas Lindas, Aurá e Castanheira;
# Área 3: Bairro da Cabanagem e Una
# Área 4: Bairro São Clemente 
# Área 5: Bairro do Barreiro. 

Figura 03. Bairros de Icoaraci
Fonte: Google Earth (2013)

Figura 04. Bairros da Guanabara, Águas Lindas e Aurá
Fonte: Google Earth (2013)


Figura 05. Bairros da Cabanagem e Una
Fonte: Google Earth (2013)


Figura 06. Bairro São Clemente
Fonte: Google Earth (2013)


Figura 07. Bairro do Barreiro
Fonte: Google Earth (2013)


Em outro extremo, cerca de 6 bairros estão em uma situação razoável: Batista Campos, Reduto, Val-de-Cans, Miramar, Maracangalha e Coqueiro. Já a Cidade Velha e o Souza gozam de uma situação confortável, enquanto o bairro da Campina está enquadrado em muito confortável, contrastando com a maioria dos bairros da cidade, como podemos ver abaixo:

Figura 08. Bairro da Campina
Fonte: Google Earth (2013)



Figura 09. Situação e quantidade dos bairros de Belém em relação a Área de Praça/Habitante (2006)
Fonte: IMAZON (2006)
Org. Luiz Henrique Almeida Gusmão

Cerca de 81% dos bairros de Belém está entre o crítico e o crônico, tornando-se muito preocupante. Entre 2006 a 2013, poucas praças foram reformadas, e construídas (Nos bairros centrais), porém tais informações não estão disponíveis ao público em geral. É claro que os índices em alguns bairros variaram, mas foi pouco significativo, já que tais bairros mostrados ainda permanecem sem suas áreas livres.


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A distribuição das praças públicas em Belém é muito desigual, no qual poucos bairros centrais gozam de considerável espaço para a prática esportiva, cultural, contemplação da natureza e portanto, lazer, enquanto outros não têm este direito garantido, contribuindo no deslocamento de centenas de pessoas para as áreas centrais. Muitos bairros da cidade mal tem uma "pracinha" ou por causa da rápida ocupação espontânea ou pela supressão de possíveis espaços por avenidas, edifícios e outras construções. 


5. REFERÊNCIAS

FIGUEIREDO, S. de L; BAHIA, M.C. A privatização do público: áreas verdes e espaços de lazer em Belém/Brasil. NAEA. UFPA. 2008. Disponível em <http://www.ufpa.br/naea/siteNaea35/anais/html/geraCapa/FINAL/GT11-89-1103-20081123135431.pdf>. Acesso em 09/11/2013.

MENDONÇA, E. M. de S. Apropriações do espaço público, alguns conceitos. UERJ. 2007. Disponível em <http://www.revispsi.uerj.br/v7n2/artigos/pdf/v7n2a13.pdf>. Acesso em 01/11/2013.

NETUNO, L, et. al. Belém Sustentável 2007. Belém. Instituto do Homem e do meio ambiente da Amazônia 2008. Disponível em <http://www.bibliotecaflorestal.ufv.br/bitstream/handle/123456789/3468/Livro_Belem-sustentavel-2007-IMAZON.pdf?sequence=1> Acesso em 10/11/2013. 

IMAZON. Instituto do homem e do meio ambiente da Amazônia. Disponível em< http://www.imazon.org.br/publicacoes/livros/belem-sustentavel-1. Acesso em 06/11/2013.

IMAZON. Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia. <http://www.imazon.org.br/publicacoes/livros/copy9_of_Figura9.JPG/image_view_fullscreen>Acesso em 05/11/2013


Software Philcarto. Disponível em http://philcarto.free.fr

Software Google Earth. Disponível em http:googleearth.com

WebGIS. Google maps. Disponível em http:googlemaps.com


sábado, 2 de novembro de 2013

Belém/PA - Espacialização dos Acidentes de Trânsito com o software Philcarto






Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. INTRODUÇÃO


O progressivo agravamento da violência no tráfego das vias públicas levou as Nações Unidas a proclamar a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011/2020, procurando estabilizar e posteriormente, reduzir as cifras de vítimas em todo o mundo. Em 2009, aconteceram perto de 1,3 milhão de acidentes de trânsito em 178 países. Estima-se que ocorrerá 1,9 milhão de mortes no trânsito em 2020 e 2,4 milhões em 2030 (OMS, 2009). 

Entre 20 a 50 milhões de pessoas sobrevivem com traumatismos e feridas resultantes de acidentes de trânsito, sendo responsável pela principal causa de morte na faixa etária de 15-29 anos de idade; a segunda entre 5-19 anos e a terceira entre 30-44 anos (OMS, 2009). 

Nesse sentido, esta postagem tem o propósito de espacializar os acidentes de trânsito no município de Belém em 2007-2009, para podermos compreender quais bairros estão mais vulneráveis aos acidentes, os que mais concentram, as vias mais frequentes e os principais motivos desses acidentes.

Palavras-chave: Acidentes de trânsito. Belém. Bairros. Espacialização. Philcarto.


2. MATERIAIS E MÉTODOS

A metodologia utilizada será a análise tabelas referentes aos acidentes de trânsito em Belém com base no documento: Mapa da violência 2012 - Acidentes de Trânsito e do Departamento de Trânsito do Pará (DETRAN-PA); a produção de mapas temáticos com o software Philcarto, como os de vulnerabilidade de acidentes de trânsito 2007-2009 pelo método isoplético e o de variação do comportamento dos acidentes de trânsito 2007-2009 pelo método corocromático, com base nos dados disponíveis pela Secretaria Estadual de Segurança Pública do Estado do Pará e do Departamento de Trânsito do Pará (DETRAN-PA).


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Frota de veículos em Belém 2007-2009

Em 2007, a frota de veículos de Belém era de 212.401 veículos, passando para 235.161 em 2008 e em 2009, atingindo 258.220 veículos, ou seja, a frota da cidade entre 2007 a 2009 cresceu 17,7%. (DETRAN-PA, 2009). 

Esse crescimento é percebido nas vias públicas através da sensação de maior lentidão no trânsito, do aumento da poluição sonora e consequentemente da rotina dos acidentes de trânsito. Um dos motivos que estimularam a compra de automóveis pelos brasileiros foi a alíquota baixa do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para carros novos, concedido pelo Governo Federal, assim como a facilidade  de crédito na compra de motos. 


Figura 1. Frota do tipo de veículos no município de Belém no período de 2007 a 2009.
Fonte: DTI/UCP/DETRAN-PA

Entre os veículos, a frota de Belém em 2009 é constituída principalmente por automóveis (61,8%), motocicletas (17,3%) e caminhonetes (6,4%). 


3.2 Acidentes de trânsito, feridos e mortos em Belém 2007-2009.

Figura 2. Acidentes, feridos e mortos no município de Belém no período de 2007 a 2009.

Fonte: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA


No período analisado, o número de acidentes em Belém aumentou em (7,2%), o de feridos em (0,8%), enquanto o número de mortos teve uma redução de (31,4%).


Figura 3. Veículos envolvidos em acidentes de trânsito no município de Belém durante o período de 2007 a 2009.
Fonte: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA

Os condutores de automóveis, motocicletas e de ônibus foram os principais envolvidos em acidentes de trânsito em 2009, por estarem em maior número. Houve uma redução de acidentes com bicicletas, por uma expansão de ciclovias em algumas ruas da cidade, em contrapartida, as vans expandiram sua participação, devido a demanda acentuada de passageiros de bairros com baixa oferta de ônibus ou de difícil acesso.


3.3 Espacialização dos acidentes de trânsito nos bairros 2007-2009


Figura 4. Acidentes de trânsito nos 20 bairros onde ocorreram mais acidentes no município de Belém em 2007, 2008 e 2009.
Fonte: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA 2007, 2008 e 2009.

Em 2007, o maior número de acidentes de trânsito ocorreu no bairro do Marco, Umarizal, Marambaia, São Brás e Pedreira e Nazaré, responsáveis por mais da metade dos acidentes, cerca de 52,1%.

Em 2008, o Marco permaneceu como o principal bairro com acidentes de trânsito, seguido do Umarizal, Pedreira, São Brás, Marambaia e Campina, responsáveis por 53,2% dos acidentes.

Em 2009, o bairro do Marco além de permanecer como o principal local dos acidentes de trânsito da cidade, teve um crescimento de 18,7% nos acidentes em relação a 2007, seguido por Marambaia, Umarizal, Pedreira, São Brás e Campina, responsáveis por 53,1%.

Com base dos dados do DETRAN - PA, o número de acidentes aumentou nos bairros em vermelho: Mangueirão, Marambaia, Castanheira, Pedreira, Marco, São Brás, Umarizal, Guamá, Reduto, Cidade Velha e Batista Campos, enquanto nos bairros em verde houve uma redução, a saber: Val-de-Cans, Sacramenta, Telégrafo, Souza, Nazaré, Cremação e Jurunas. A coleta de dados é uma dificuldade dos órgãos competentes, no qual a maioria dos bairros não possui registro, dificultando uma análise mais minuciosa.


Prancha 1. Mapas de vulnerabilidade de acidentes de trânsito em Belém 2007-2009.


Figura 5. Zoom na principal área de vulnerabilidade aos acidentes de trânsito em Belém em 2009 pelo Philcarto.
Fonte: O autor (2013)

JUR - Jurunas; CON - Condor; GUA - Guamá; TER - Terra Firme; UNI - Universitário; CAN - Canudos; SBS - São Brás; CRE - Cremação; NAZ - Nazaré; CAM - Campina; RED - Reduto; UMA - Umarizal; FAT - Fátima; TEL - Telégrafo; MAR - Marco; CUR - Curió Utinga; SOU - Souza; PED - Pedreira; SAC - Sacramenta; MRG - Maracangalha; VAL - Val-de-cans; SOU - Souza; MAB - Marambaia; CAS - Castanheira; MAN - Mangueirão e PQV - Parque Verde.


Figura 6. Zoom na principal área de vulnerabilidade aos acidentes de trânsito em Belém em 2009 pelo Google Earth.
Fonte: Google Earth (2013)

Os mapas elaborados com o software Philcarto através do método isoplético buscou unir os pontos com valores próximos. Acima, os mapas revelam a vulnerabilidade de acidentes de trânsito, ou seja, a condição de risco que os motoristas se encontram. 

Os mapas de 2007, 2008 e 2009 nos revelam a alta e média vulnerabilidade de acidentes de trânsito no centro da cidade (Sul e Sudoeste de Belém), em bairros como Umarizal, Campina, Batista Campos, Cremação, Cidade Velha, Reduto, São Brás e Nazaré, devido a circulação de veículos ser mais intenso nessa área em decorrência da concentração dos mais diversos serviços, da melhor condição financeira de seus habitantes e ser o centro comercial, financeiro e noturno da cidade. 

Bairros próximos ao centro como Marco, Pedreira, Souza, Guamá, Telégrafo, Sacramenta e Jurunas, também são altamente vulneráveis a acidentes de trânsito. O Marco inclusive, se destaca como o primeiro em número de acidentes, por ter um tráfego intenso e "pesado" em suas avenidas, como a Almirante Barroso, a Duque de Caxias, a João Paulo II, a Dr. Freitas, entre outras transversais, pelas suas ruas darem acesso ao Centro da cidade. 

Bairros periféricos e distantes do centro como Mangueirão Parque Verde, também estão entre os principais "palcos" de acidentes, por serem atravessados pela Av. Augusto Montenegro e portanto, terem um tráfego intenso de ônibus, automóveis e motocicletas. 

O bairro do Castanheira, apesar de pequeno em extensão territorial, também tem alta vulnerabilidade a acidente, por ser local dos primeiros quilômetros da BR-316 próximo ao Entrocamento e ao Shopping Castanheira, principalmente depois do estreitamento das vias pelas obras do BRT Belém.

A ausência de informações pelo Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA, pelo DETRAN e pela AMUB, dos outros bairros da cidade fez com que aparecessem com baixa vulnerabilidade à acidentes, no entanto sabemos que é comum tais fatos em Icoaraci e no Tapanã, por exemplo.


Figura 7. Acidentes de trânsito nas principais vias urbanas no município de Belém em 2007, 2008 e 2009.
Fonte: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA 2007, 2008 e 2009.

A partir da figura acima, percebemos que as vias com mais acidentes de trânsito são: Augusto Montenegro, Almirante Barroso, Pedro Álvares Cabral, Senador Lemos, Júlio César e Governador José Malcher, logo as mais movimentadas da cidade. Nesse sentido, foram editados algumas imagens do Google Earth dos principais cruzamentos que devemos ter uma atenção exacerbada.


Figura 8. Áreas de extrema atenção no trânsito em Belém
Fonte: Google Earth (2013)
Org. Luiz Henrique Almeida Gusmão (2013)

Na imagem acima destacamos a entrada/saída de Belém, a área 1: Complexo do Entroncamento e área 2: BR-316 próximo ao Shopping Castanheira.


Figura 9. Área de extrema atenção no trânsito em Belém
Fonte: Google Earth (2013)
Org. Luiz Henrique Almeida Gusmão (2013)

Na imagem acima destacamos o Complexo Viário Daniel Berg, no qual a Av. Pedro Álvares Cabral, Av. Senador Lemos e Av. Júlio César se entrelaçam.


Figura 10. Principais causas dos acidentes de trânsito registrados no município de Belém em 2009.
Fonte: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA 2009


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que as principais vítimas no trânsito são os jovens (19-24 anos), sendo portanto, mais vulneráveis, em que os automóveis e as motocicletas têm sido os veículos mais envolvidos em acidentes. Em Belém, o número de feridos e de acidentes no trânsito vem aumentando ao longo dos anos, em que o centro da cidade concentra essas tragédias, principalmente o bairro do Umarizal, Campina, São Brás e Nazaré, assim como nos bairros mais próximos ao centro, como Marco, Pedreira, Sacramenta e Guamá, e aos mais distantes do centro como Castanheira, Mangueirão e Marambaia. As avenidas mais movimentadas da cidade, como a Almirante Barroso, Pedro Álvares Cabral e a Augusto Montenegro são as vias com maior número de acidentes e consequentemente mais propensas, resultado de manobras irregulares, falta de atenção, embriaguês alcoólica ao volante e desrespeito a preferencial. Clamo aos motoristas, mais paciência e responsabilidade no trânsito de Belém, enquanto aos órgãos competentes como o DETRAN, DNIT e AMUB, maior fiscalização, comprometimento na execução de obras e sinalização nas ruas, em respeito aos altos impostos pagos por todos nós.


5. REFERÊNCIAS

http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2012/mapa2012_transito.pdf. Acesso em 01/22/2013

GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ. Relatório estatístico de trânsito no Estado do Pará e no município de Belém, período 2007 a 2009. Belém, 2010. Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA.


Software [Google Earth]. Acesso em 30/10/2013.


Software [Philcarto]. Disponível em philcarto.free.fr.


Software [Phildigit]. Disponível em philcarto.free.fr


maps.google.com.br. Google Maps. Acesso em 28/10/2013.



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