Mostrando postagens com marcador mapa do jurunas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mapa do jurunas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cartografia das Chacinas na Grande Belém





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. Chacinas na Grande Belém

Uma chacina ocorre quando vários homicídios são registrados simultaneamente em um curto período de tempo, podendo ser cometido por pessoas de maneira isolada ou por organizações. Esses episódios são abomináveis e vêm ocorrendo com certa frequência nos centros urbanos ou na zona rural, pois normalmente há excesso de poder e força de um lado contra o outro. 

Na Grande Belém, capital do Estado do Pará, em um intervalo de 20 anos, ao menos 6 chacinas de moderada e alta proporção aconteceram. Muitos casos ainda não foram sequer investigados, o que gera uma preocupação muito grande por parte da população, principalmente aquela que reside nas periferias das cidades. Nessa postagem, o objetivo é realizar um registro das maiores chacinas que ocorreram na cidade, com o intuito de destacar onde tais tragédias mais aconteceram.




Figura 1. Ato público em São Paulo para lembrar vítimas de chacinas na Candelária
Fonte: Jornal Estadão (2013)


1.1 Chacina no Paar - Ananindeua (1995)

Em maio de 1995, ocorreu a primeira grande chacina na Região Metropolitana de Belém no bairro do Paar no município de Ananindeua, quando 2 policiais, 2 investigadores e 1 delegado foram mortos na Seccional do Paar por 5 bandidos logo após a morte de 1 traficante da área.


Mapa 01. Bairro com caso de chacina em Ananindeua (1995)
Fonte dos dados: Blog do Paar (2017)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas fatais = 5


1.2 Chacina no bairro da Cabanagem (2010)

Em 2010, 4 pessoas foram mortas em uma mesma casa no bairro da Cabanagem em Belém, caracterizando como uma chacina. Segundo relatos dos moradores, o episódio ocorreu por causa de discussões entre vizinhos. Os executores receberam 112 anos de reclusão no total.


Mapa 02. Bairro com caso de chacina em Belém (2010)
Fonte dos dados: G1 Notícias (outubro de 2010)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas = 4



1.3 Chacina no Distrito de Icoaraci - Belém (2011) 

Em novembro de 2011, 6 adolescentes foram assassinados em frente ao Instituto de Previdência de Belém (Ipamb) por tiros vindos de dois homens em uma moto. Cinco deles morreram no local, enquanto um faleceu durante o encaminhamento ao hospital. O principal responsável foi um Ex-Policial Militar que foi condenado a 120 anos de reclusão, que também fazia parte de um grupo de extermínio da RMB.


Mapa 03. Bairros com casos de chacina em Belém (2011)
Fonte dos dados: Jornal Diário do Pará (janeiro de 2011)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas fatais = 6

1.4 Chacina de Belém em 2014

Em Novembro de 2014, 11 pessoas foram vítimas de uma massacre ocorrido em vários bairros de Belém, a maioria era jovem. O episódio ocorreu logo após logo um policial ter sido vítima de uma "emboscada" no bairro do Guamá e perder a sua vida. Segundo as testemunhas e o resgate de fichas criminais, todos não tinham "passagem pela polícia", ou seja, não possuíam nenhum crime registrado. Caso alguns tivessem, ainda assim seria um massacre e algo imperdoável, pois somente as autoridades jurídicas devem penalizar conforme os atos.


Mapa 04. Bairros com casos de chacina em Belém (2014)
Fonte dos dados: Jornal Diário do Pará (janeiro de 2014)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas fatais = 11


1.5 Chacina da Grande Belém (2017)

Em janeiro de 2017, houve uma "onda de violência" na Região Metropolitana de Belém (RMB), logo após o homicídio de um policial da ROTAM (Ronda Tática Metropolitana) no bairro da Cabanagem. Muitos especulam que os homicídios caracterizados como execuções foram retaliações por causa da morte do policial. Os crimes ocorrera em vários bairros da capital, assim como em Ananindeua e Marituba. A maioria das execuções ocorreu em bairros periféricos da RMB (Mapa 4).



Mapa 05. Bairros com casos de chacina em Belém, Ananindeua e Marituba (2017)
Fonte dos dados: Jornal Diário do Pará (janeiro de 2017)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas fatais = Mais de 20



1.6 Chacina do Condor (2017)

Em maio de 2017, cerca de 4 pessoas foram assassinadas no bairro do Condor em Belém (Mapa 5). As vítimas assistiam televisão em um bar quando homens encapuzados chegaram em motocicletas e dispararam contra as pessoas. Outras 14 pessoas foram feridas no local e até o presente momento, possuíam um quadro estável.




Mapa 06. Bairro com caso de chacina em Belém (2017)
Fonte dos dados: G1 Notícias (Maio de 2017)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Vítimas fatais = 4


2. Distribuição espacial das vítimas por chacina na Grande Belém


Com base na avaliação das 6 maiores chacinas que ocorreram na Grande Belém com divulgação na mídia digital com grande repercussão, foi elaborado um mapa que destaca a distribuição espacial das vítimas em chacinas por bairro. É evidente que o número de vítimas pode ser maior, porém já é válido realizar um levantamento preliminar. 


Mapa 07. Homicídios em chacinas por bairro na Grande Belém (1995-2017)
Fonte dos dados: Blog do Paar (2017) e Jornal Diário do Pará (2010, 2011, 2014 e 2017), confirmados pela SEGUP/PA (Secretaria de Segurança Pública do Pará) conforme reportagem no mesmo.
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Segundo o mapa, mais de 50 pessoas já foram vítimas de chacinas entre 1995 e 2017, que tiveram grande repercussão local, predominando na cidade de Belém. Os bairros da Agulha, Terra Firme, Condor e Paar foram aqueles que mais registraram vítimas de chacinas, em que todos fazem parte das periferias da cidades, onde grande parte de sua população é de baixa renda e reside em bairros bastante desfavoráveis no que se refere a infraestrutura urbana.

Os bairros do Guamá, Cabanagem, Benguí, Parque Verde, Jurunas, Castanheira, Guanabara, Una e Curuçambá são aqueles que tiveram entre 2 e 4 vítimas de chacinas, todos da periferia da Região Metropolitana de Belém.  

No centro de Belém, apenas o bairro da Campina registrou 1 vítima por chacina, revelando que a maioria das chacinas ocorre na periferia da cidade. Em Ananindeua, somente o Cj. Cidade Nova 5 registrou uma ocorrência, diferente do centro de Marituba e das demais cidades da Grande Belém com nenhum caso (Mapa 08).




Mapa 08. Áreas com maiores vítimas de chacina em Belém e Ananindeua (1995-2017)
Fonte dos dados: Compilação e Processamento do Blog do Paar (2017) e do Jornal Diário do Pará (2010, 2011, 2014 e 2017)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
*É expressamente proibido o uso e compartilhamento sem autorização prévia do autor do mapa

Conforme o mapa, é visível que há 4 zonas que mais ocorreram vítimas por chacina na cidade de Belém e Ananindeua. Em Belém, a zona 1 corresponde aos bairros do Jurunas, Condor, Guamá e Terra Firme, com registro de mais de 10 vítimas. 

A zona 2 corresponde aos bairros do Benguí, Parque Verde, Cabanagem e Una, com registro maior que 10 vítimas. A zona 3 corresponde ao bairro da Agulha (Icoaraci) que registrou uma chacina em 2010, quando 6 jovens foram assassinados. Por último, a zona 4 em Ananindeua corresponde aos bairros do Paar, Icuí e Curuçambá, com registro próximo a 10. 


3. CONCLUSÃO

As chacinas são retaliações criminosas realizadas por grupos que impõe força e medo na sociedade, causando grande número de homicídios em curto espaço de tempo, em que os criminosos devem ser julgados e condenados conforme a Justiça. Na região metropolitana de Belém, as chacinas ocorrem principalmente na periferia, com destaque para os bairros do Sul e Centro-Oeste de Belém, assim como o norte do município de Ananindeua.


4. REFERÊNCIAS


Blog do Paar. A Chacina do Paar. Disponível http://bairrodopaar.blogspot.com.br/2014/05/a-chacina-do-paar.html


Diário do Pará. Disponível em http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2012/10/justica-condena-acusados-de-participacao-em-chacina-em-belem.html, 2012.

Diário do Pará. Disponível em http://www.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-391387-em-2-dias-24-pessoas-sao-mortas-na-grande-belem.html, 2017.

Diário do Pará. Disponível em http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2014/10/ex-pm-e-condenado-120-anos-de-prisao-por-chacina-de-icoaraci.html, 2014.

Diário do Pará. Chacina em Belém é marcada por impunidade. Disponível em http://m.diarioonline.com.br/noticias/policia/noticia-364384-%E2%80%9Cchacina-de-belem%E2%80%9D-e-marcada-pela-impunidade.html, 2016.

Estadão, Jornal. Disponível em http://politica.estadao.com.br/blogs/roldao-arruda/contra-chacinas-anistia-internacional-pede-mudanca-na-pm/, 2013.

G1. Governo confirma cinco mortos em chacina em Belém no bairro do Condor, Belém. Disponível http://g1.globo.com/pa/para/noticia/segup-confirma-cinco-mortos-em-chacina-no-bairro-da-condor-em-belem.ghtml, 2017.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Belém (PA) - Áreas verdes no bairro do Jurunas, Condor e Guamá.

Luiz Henrique Almeida Gusmão
Graduando em Geografia pela Universidade Federal do Pará
Instrutor/Monitor dos softwares: ArcGis, QGIS e  Google Earth
Mapas, Palestras e COnsultoria em Geoprocessamento e Cartografia (91) 98306-5306



1. INTRODUÇÃO

A partir dessa primeira postagem, será mostrada a situação das áreas verdes nos bairros da Primeira Légua Patrimonial de Belém, com base em imagens de satélite de 2010 do Google Earth. No primeiro, será apresentada a situação dos bairros do Jurunas, Guamá e Condor de acordo com a vetorização de áreas verdes nos bairros, como praças, parques, jardins, estádios de futebol, arborização no centro de vias, de complexos turísticos com áreas verdes, áreas de recreação com áreas verdes, quintais de casas com áreas verdes significativas. O propósito será uma amostra da situação aparente do bairro, com o intuito de avaliar a qualidade de vida em geral dos residentes.

Palavras-chave: Áreas verdes. Prefeitura de Belém. Jurunas. Condor. Guamá.


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Será apresentado imagens de satélite do Google Earth do bairro do Jurunas, Condor e Guamá com base na fundamentação teórica de CAVALHEIRO (1992); DEL PICCHIA (1992); LIMA (1994) e MOREIRO (2007).


3. DESENVOLVIMENTO

Para Geiser et al. (1975, p. 30) (apud CAVALHEIRO; DEL PICCHIA, 1992), as áreas verdes são "[...] áreas com vegetação fazendo parte dos equipamentos urbanos como parques, jardins, cemitários existentes, áreas de "pequenos jardins", alamedas, bosques, praças de esportes, "playgrounds", "plays-lots", "balneários", "camping" e margens de rios e lagos"
Contrários a esta ideia, Moreiro et al (2007, p.20) entende que:
                   [...] as áreas verdes engloba locais onde predominam a vegetação arbórea, praças, jardins e parques, e sua distribuição deve servir a toda população, sem privilegiar qualquer classe social e atingir as necessidades com sua estrutura e formação, como idade, educação, nível sócio-econômico.


Lima et al (1994) considera que é necessário um esforço para que os termos utilizados para a classificação da vegetação urbana sejam discutidos de forma convergente. Para eles, espaço livre é um termo mais abrangente que áreas verdes.

Nesse sentido, admitimos como áreas verdes, locais como praças, parques e jardins urbanos, complexos turísticos com vegetação arbórea significativa, gramados de estádios, vias com vegetação arbórea significativa no centro, no qual podem de alguma forma amenizar a temperatura local, proporcionar sombreamento, recreação e lazer, de forma a discutir a situação dos bairros da cidade. 

Abaixo será apresentado a situação das áreas verdes e áreas livres dos bairros listados:


Figura 1. Áreas verdes no bairro do Jurunas.
Fonte: Editado no Google Earth por GUSMÃO, L.H (2013)


O bairro do Jurunas, segundo o Anuário Estatístico de Belém (PREFEITURA DE BELÉM, 2010), tem 62.740 habitantes e 265,85 hab/ha, configurando-o como populoso e com alta densidade demográfica, no qual uma parcela significativa de sua população é de classe baixa. 

Na imagem acima, percebemos a existência da Praça Amazonas (noroeste) e poucas vias arborizadas, especialmente no Noroeste do bairro, já na proximidade com o bairro da Batista Campos.  Os locais com menos áreas verdes são aqueles ao longo da Bernardo Sayão e na fronteira com o bairro do Condor.

Há muitas áreas verdes privadas (quintais de casas) e poucas públicas (praça Veiga Cabral e praça Amazonas), ou seja, há pouca áreas verdes. Como a área da praça Amazonas é insuficiente para a demanda do bairro, muitos jurunenses vão em direção a Praça Batista Campos e a Praça da República, em bairros próximos, mas que exige a condução por linhas de ônibus, táxis e automóveis.


Figura 2. Áreas verdes no bairro do Condor
Fonte: Editado no Google Earth por GUSMÃO, L. H (2013)


O bairro do Condor, segundo o AEB (PREFEITURA DE BELÉM, 2010) tem cerca de 42.038 habitantes e 245,84 hab/ha, também sendo um bairro populoso com alta densidade demográfica, com predominância de moradores de classe baixa. 

A imagem acima, nos dá uma dimensão do bairro, no qual há apenas uma praça pequena e com pouca vegetação, a Praça Princesa Isabel ao sul, além da existência de muitas áreas verdes privadas. No bairro há poucas casas com quintais e quando há, a maioria das residências localiza-se em ruas principais.

A maioria dos moradores se direcionam com frequência para bairros com maior oferta de praças e áreas verdes como Batista Campos e Campina, por causa da quase inexistência de espaços públicos verdes.


Figura 3. Áreas verdes no bairro do Guamá
Fonte: Editado no Google Earth por GUSMÃO, L. H (2013)

O bairro do Guamá é o mais populoso de Belém e também um dos mais pobres da cidade, com diversos problemas socioambientais, tais como carência de saneamento básico, segurança pública, entre outros, assim como de áreas verdes. Segundo a AEB (PREFEITURA DE BELÉM, 2010), moram 102.124 pessoas, nas quais uma parcela significativa é de classe baixa. 

A imagem acima nos revela uma situação extremamente preocupante, pois há apenas a Praça Benedito Nunes, sendo muito pequena e com baixíssima área verde em sua volta. Outros espaços são de instituições privadas e públicas, como a do Hospital Barros Barreto, assim como de quintais particulares, ou seja, para uma população de mais de 100.000 habitantes, os espaços de recreação e lazer com áreas verdes é quase nula.

As demais áreas verdes que se destacam no Guamá estão dentro do Cemitério Santa Izabel, sendo portanto, inacessível a toda a população. As áreas mais carentes estão no nordeste e sul do Guamá, próximo ao bairro da Terra Firme e do Campus da UFPA.


2. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O bairro do Jurunas, Condor e Guamá são populosos, no qual juntos têm aproximadamente 206.902 habitantes (AEB, 2010), com elevada densidade demográfica, no qual grande parte de sua população é de classe baixa, estando disponíveis aos mesmos, minúsculos espaços de recreação e lazer, ocasionando deslocamento para bairros mais bem estruturados e com áreas verdes. O contingente populacional nos bairros exige maiores investimentos por parte da Prefeitura de Belém em áreas livres e verdes, contribuindo para uma melhoria na qualidade de vida dessa população. Peço para a atual gestão de Belém, a construção de uma praça maior no bairro do Jurunas e do Guamá, a melhoria e ampliação da Pça. Princesa Isabel no Condor e uma arborização compatível com a realidade das vias desses bairros.


3. REFERÊNCIAS

CAVALHEIRO, F.; DEL PICCHIA, P. C. D. Áreas verdes: conceitos, objetivos e diretrizes para o planejamento. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE ARBORIZAÇÃO URBANA, 4. 1992, Vitória . ES. Anais... v. 1. Vitória, 1992. p. 29 . 38.

MOREIRO, A.M.; SANTOS, R.F.; FIDALGO, E.C.C. Planejamento ambiental de áreas verdes: estudo de caso de Campinas-SP. Revista do Instituto Florestal, v. 19, n. 1, p. 19-30, jun. 2007.

NUCCI, J.C. Qualidade ambiental e adensamento urbano. São Paulo, SP: Humanitas, 2001.