quinta-feira, 10 de março de 2016

Marajó/PA - Cartografia dos Indicadores Ambientais



Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



O USO DE MAPAS TEMÁTICOS NA AVALIAÇÃO DE INDICADORES AMBIENTAIS DA MESORREGIÃO MARAJÓ, PARÁ/BRASIL

Luiz Henrique Almeida Gusmão1; João dos Santos Carvalho2; Tassio Koiti Igawa3 e Bianca Cristina Cirino4

1Geógrafo (UFPA) e Bolsista CNPq, Embrapa Amazônia Oriental.
Email: henrique.ufpa@hotmail.com
2Doutor em Ciências Agrárias; Docente na Universidade Federal do Pará.
Email: carvajo55@yahoo.com.br
3Acadêmico em Agronomia; Bolsista CNPq, Embrapa Amazônia Oriental.
Email: tassio.igawa@gmail.com
4Acadêmica em Eng. Ambiental e Energias Renováveis na Universidade Federal do Pará; Bolsista CNPq, Embrapa Amazônia Oriental.
Email: b.cristina57@yahoo.com


RESUMO

No presente trabalho foram utilizados alguns indicadores ambientais relativo aos municípios da Mesorregião Marajó no estado do Pará de 2010, tais como: a porcentagem de acesso à rede de água, a porcentagem de acesso ao sistema de esgoto e a porcentagem de acesso à coleta de lixo, com o sentido de visualizar as desigualdades socioespacial entre os municípios, a partir da associação desses indicadores com mapas temáticos através do método coroplético. Essa abordagem mostra-se importante ao permitir entender o direcionamento de políticas públicas nesses municípios e as situações mais problemáticas. Os resultados da pesquisa apontam que a maioria dos municípios marajoaras possuem baixos índices de acessibilidade a rede de abastecimento de água, a rede de esgotamento sanitário e de coleta de resíduos, culminando em vários problemas envolvendo-a saúde pública e o meio ambiente, tais como: proliferação de doenças através da água, contaminação do solo e dos corpos hídricos, entre outros. O destaque é a potencialidade dos mapas temáticos para a análise crítica dos indicadores construídos com dados estatísticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e para o software Philcarto que foi utilizado para espacializar às informações pertinentes ao ambiente com o método de mapeamento coroplético.

Palavras-chave: Marajó. Indicadores Ambientais. Mapas Temáticos.

Área de Interesse do Simpósio: Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento



1.      INTRODUÇÃO

      O uso de indicadores sociais tem sido intrínseco na consolidação de atividades do planejamento no setor público ao longo do século XX, como sugere Jannuzzi (2015). A disseminação do seu uso decorre da necessidade de avaliar e acompanhar as políticas, assim como do critério de mensuração e comparação de informações demográficas, econômicas, ambientais, entre outras, contribuintes das muitas tomadas de decisões advindas do poder público.
          Os indicadores ambientais associados com mapas são imprescindíveis, ou mais eficientes para a visualização e compreensão de fenômenos do espaço geográfico, considerando que os mapas conseguem expressar de maneira instantânea e clara os espaços para os quais as políticas públicas devem ser direcionadas para amenizar ou solucionar problemas sociais.
  A mesorregião Marajó compreende 16 municípios no Estado do Pará, os quais compõe a área deste estudo devido ser uma região historicamente marginalizada no que tange a baixa capilaridade de políticas públicas, serviços infraestruturais e equipamentos coletivos de proteção e promoção social, voltados ao desenvolvimento sócio-territorial, acarretando problemas em diversos âmbitos, de onde se destacam as dimensões sociais e ambientais.
 Este artigo busca espacializar indicadores ambientais, tais como: acesso a rede de água, da rede de esgoto e a coleta de lixo, tomando como base os domicílios, abrangidos pelos municípios dessa mesorregião e como referência os dados de 2010 disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



2. METODOLOGIA
2.1 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

    A área estudada está inserida na Região Amazônica, mais precisamente no Norte do Estado do Pará, no qual está localizada a Mesorregião do Marajó, abrangendo 16 municípios e possuindo 487.010 habitantes (IBGE, 2010).

Fonte: Autores (2015)
* É expressamente proibido o uso, compartilhamento, publicação e comercialização do mapa sem autorização prévia do autor


2.2 DEFINIÇÕES DE INDICADORES AMBIENTAIS

Os indicadores são utilizados para avaliar o desempenho de políticas ou processos, podendo ser aplicados às questões ambientais, proporcionando uma síntese das pressões sobre o meio ambiente e de possíveis respostas encontradas pela sociedade (FIRJAN, 2008). No entanto, o desafio é utilizar um instrumento de aferição capaz de prover informações e facilitar a validação de diferentes graus de ocorrência ou de intervenção necessária à realidade de um fenômeno, que contribua para a sociedade monitorar as tendências de seu desenvolvimento. Este trabalho selecionou três indicadores ambientais: o índice de acesso à rede água, o de acesso à rede de esgoto e a coleta de lixo dos 16 municípios que formam a mesorregião Marajó no Estado do Pará.


2.3 ELABORAÇÃO DE MAPAS TEMÁTICOS

            Os mapas temáticos sobre saneamento básico foram elaborados com o uso do software francês de Cartografia Temática, conhecido como “Philcarto”, disponível para download em http://philcarto.free.fr. Com ele, cruzaram-se informações estatísticas em formato *txt (texto separado por tabulações) oriundas do IBGE (2010) com uma base cartográfica no formato “Ai” (Adobe Illustrator) para confeccionar os recursos cartográficos sobre acessibilidade a rede água, esgoto e a coleta de lixo dos 16 municípios da Mesorregião Marajó do Estado do Pará.


2.4 ANÁLISE DOS DADOS

         A elaboração dos produtos cartográficos foi sustentada no método de mapeamento coroplético, por oferecer melhor compreensão da distribuição geográfica dos índices de infraestrutura na área de estudo (MARTINELLI, 2011). Para tratamento dos dados relativos à porcentagem dos domicílios com acesso aos serviços de saneamento básico, foi utilizado o método estatístico “Quebras Naturais”, conhecido também como “Jenks”. [...] este é capaz de minimizar a variância intraclasse e maximizar a variância extraclasse (GIRARDI, 2007). Esse recurso exalta a discrepância entre os valores e facilita a compreensão do fenômeno observado.
           
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1 ABASTECIMENTO DE ÁGUA

    O abastecimento de água é realizado através de um sistema constituído por um conjunto de equipamentos e fluxos hidráulicos, cujas instalações são responsáveis pelo suprimento de água para o atendimento das necessidades da população no âmbito local, devendo ser garantido pelo poder público estadual e/ou municipal, no qual é um componente essencial na avaliação ambiental.
Segundo o IBGE (2010), 82,8% da população brasileira tinha acesso à rede geral de distribuição de água. No estado do Pará, este índice alcançou 47,9% e no Marajó, apenas 35,6% da população tinha acesso ao serviço, o que revela um contraste social muito forte no acesso a este recurso indispensável à vida de qualquer ser humano.
A distribuição espacial desse recurso é mostrada pela figura 2, na qual se pode ver que os melhores índices de acesso à rede de água nos domicílios estão no leste do Marajó, principalmente nos municípios de Santa Cruz do Arari (81,8%), Salvaterra (79,4%) e Soure (75,8%). Por outro lado, são visíveis os piores desempenhos localizados no oeste e norte da região, compreendendo os municípios de Chaves (14,8%), Melgaço (11,1%) e Anajás (7,5%), portanto, é evidente que há um contraste muito grande no abastecimento de água potável aos habitantes marajoaras.

Figura 2. Acesso a rede de água nos municípios do Marajó (PA) - 2010
Fonte: Autores (2015)
*É expressamente proibido o uso, o compartilhamento, publicação e a comercialização do mapa sem autorização prévia do autor.

Essa condição é precária, considerando que essa baixa cobertura no acesso a rede de água canalizada, representa um grave problema social, pois contribui para a proliferação de doenças, principalmente as de veiculação hídrica, assim como o desconforto devido ao frequente deslocamento para a captação de água.
É possível notar, também, que dentre os 16 municípios do Marajó, apenas 4 deles (25%) apresentam índices acima da média paraense, restando aos outros 12 (75%) valores abaixo dessa média, denotando que a maior parte dos domicílios marajoaras tem o acesso a rede de água local em condições inferiores as dos demais municípios paraenses e que isso contribui para que esses residentes busquem alternativas para o provimento deste recurso a suas habitações.
Isto é preocupante porque, “No Marajó, o rio serve não apenas como fornecedor de água para as necessidades básicas, mas também como depósito de dejetos fecais, denotando precárias condições de saneamento ambiental” (BRASIL, 2007). A população de Soure, Salvaterra e Santa Cruz do Arari apresenta-se como em menor vulnerabilidade a contrair doenças relacionadas à água, porque esses municípios têm os melhores índices de acesso à rede de distribuição de água potável, acima de 75,8%, relativamente próximo à média brasileira de 82,5%.
Um dos significados dessa constatação é que população de Chaves, Melgaço, Anajás, Portel, Afuá, Curralinho, São Sebastião da Boa Vista e Cachoeira do Arari está mais vulnerável a contrair qualquer doença de veiculação hídrica como: giardíase, amebíase, ascaridíase, esquistossomose, dengue, febre amarela, e outras, uma vez que esses municípios possuem os piores índices de abastecimento de água nos domicílios, abaixo de 34,7%, o que desencadeia muitas vezes, o consumo de água retirada diretamente dos rios e igarapés.
Os dados do IBGE (2010) mostram que a maioria dos municípios do Marajó possuem baixos índices de acessibilidade à rede água nos domicílios, revelando graves problemas socioeconômicos para os residentes, mesmo que essa situação encontre contradições em função da heterogeneidade da distribuição desse serviço pelo território marajoara, uma vez que alguns municípios possuem índices considerados satisfatórios, enquanto outros apresentam estado de penúria.

3.2 COLETA DE LIXO

 Das preocupações envolvendo equipamentos de infraestrutura urbana, a limpeza vem assumindo um papel de destaque entre as demandas da sociedade brasileira e de comunidades locais, como as dos municípios do Marajó, pois está diretamente relacionada à saúde pública, aumentando as discussões em torno da veiculação de doenças, do aspecto ambiental, das condições sociais dos trabalhadores envolvidos na coleta e destinação do lixo, ou nas pressões advindas do setor turístico pela cobrança da regularidade do serviço.
       Conforme o IBGE (2010), 80,2% da população brasileira tinha acesso à coleta de lixo. No Estado do Pará, este índice alcançava 61,1% da população e no Marajó, somente 30,3% tinha acesso a este serviço, o que mostra claramente a condição precária da região de estudo em relação ao patamar estadual e nacional.
O mapa da figura 3 mostra a distribuição dos municípios marajoaras segundo os melhores índices de acesso a coleta de lixo nos seus domicílios. Percebe-se que ela é heterogênea e o destaque é para o município de Soure com 76,3% de acesso a esse serviço, seguido por Santa Cruz do Arari (64%) e Breves (53,8%), com situações opostas aos municípios de Melgaço (24%), Cachoeira do Arari (18,8%) e Chaves (13,5%), cujos desempenhos são os piores da região. Na verdade, essa situação tão desigual no Marajó enfatiza claramente que as prefeituras não têm seguido a mesma lógica quando presta esse serviço à população, o que suscita uma atitude de alerta, já que em muitos domicílios, esse direito não vem sendo garantido, contrariando a Constituição Federal Brasileira.

Figura 3. Porcentagem dos domicílios com acesso a coleta de lixo nos municípios da mesorregião Marajó em 2010.
Fonte: Autores (2015)
*É expressamente proibido o uso, o compartilhamento, a publicação e a comercialização do mapa sem autorização prévia do autor.

Ainda no exame dessa peça de análise (o mapa), é possível perceber claramente que apenas o município de Soure tem índice superior à média do Estado do Pará, constatando-se que os outros 15 municípios (94%) apresentam índices inferiores, ou seja, a maioria dos municípios marajoaras não estão no mesmo patamar de prestação desse serviço à população, e se comparados ao índice estadual, evidencia-se que é necessário um avanço significativo nesse aspecto com vistas à expansão do sistema de coleta.
Outra vez o significado disto é que “a baixa coleta de lixo em grande parte dos municípios do Marajó contribui para que suas populações busquem outras maneiras de eliminar seus resíduos, utilizando muitas vezes o uso do fogo e o descarte a céu aberto” (BRASIL, 2010). Até mesmo o lançamento nos cursos d’ água, o que é ainda mais grave. Este indicador mostra-se essencial quando se pretende avaliar a saúde da população e a proteção ao ambiente, tendo em vista que a irregularidade da coleta de resíduos sólidos está associada ao despejo inadequado e capaz de contaminar diretamente os corpos hídricos, assim como o solo e outros meios.
No Brasil, algumas prefeituras já implantaram sistemas específicos para a coleta de resíduos, mas mesmo no nível nacional, na maioria dos municípios essa destinação tem sido os lixões (MONTEIRO, J. et. al, 2001). É necessário que a coleta de lixo seja acompanhada de disposição adequada desses resíduos para evitar a proliferação de lixões urbanos, principalmente em cidades com alta densidade demográfica, pois os impactos danosos à população e ao meio ambiente são maiores e mais prováveis.

3.3 REDE DE ESGOTO

O acesso ao serviço de esgoto é condição necessária à saúde humana e particularmente, à dignidade das pessoas, mas a participação de homens e mulheres nas atividades econômicas e sociais depende de uma vida saudável, por isso a existência de um sistema de esgoto é imprescindível para o bem-estar de todos, evitando o lançamento indiscriminado de resíduos sólidos e líquidos in natura no meio ambiente, e, por conseguinte, o surgimento de doenças para a população, e poluição dos corpos hídricos e do solo.
Segundo o IBGE (2010), somente 55,4% da população brasileira era atendida pelo sistema de esgoto. No Estado do Pará, apenas 10,2% era beneficiada por esse serviço, e no Marajó não mais que 1,1% da sua população tinha acesso. São dados que refletem a situação da precariedade do esgotamento sanitário e ambiental, em todas as esferas de gestão, em particular, na área de estudo, onde transparece um maior descaso por parte do poder público na expansão desse recurso essencial à manutenção de boa qualidade de vida da população.
A figura 4 espacializa a situação do sistema de esgoto na região e mostra que ele é menos caótico no município de Ponta de Pedras onde o acesso é representado por 9,7% dos moradores, restando-aos demais municípios índices abaixo de 2,5%. Mas os piores desempenhos estão no oeste e norte da região, majoritariamente nos municípios de Salvaterra (0,28%), Portel (0,28%), Melgaço (0,27%) e Cachoeira do Arari (0,16%). Esta análise constata ainda que todos os municípios do Marajó apresentam índices abaixo da média brasileira e mesmo da paraense, reduzida inserção da população no sistema de esgoto permite dizer que grande parte dos marajoaras encontra-se em risco de adquirir doenças relacionadas à dificuldade de descartar o material inservível proveniente dos usos residenciais e/ou outros.

Figura 04. Porcentagem dos domicílios com acesso ao sistema de esgoto nos municípios da Mesorregião Marajó em 2010
Fonte: Autores (2015)
*É expressamente proibido o uso, o compartilhamento, a publicação e a comercialização do mapa sem autorização prévia do autor.

Junior, A (2009) lembra que o déficit dos serviços de água e esgoto “no Brasil é mais acentuado nas populações de baixa renda, nas quais se constatam os maiores problemas de saúde pública”. Ou seja, além da desigualdade existente entre os próprios municípios, ainda prevalece à importância da renda familiar para a acessibilidade a esses sistemas, de modo que aquelas famílias com maior poder aquisitivo buscam contornar esse problema.
O mesmo autor propõe que “o déficit de esgoto e de água no país pode ser explicado através da fragmentação das políticas públicas e da carência dos instrumentos de regularização”, apontando a extinção do Plano Nacional de Saneamento no final da década de 1980” como fator de alta relevância. Lembra também que isso dificulta a implantação de políticas setoriais de água e esgoto, destacando a abrangência do conjunto de leis, e os mecanismos de investimentos e políticas regulatórias, embora isso possa também dificultar a expansão desse sistema nos municípios, levando-os a baixos indicadores de acessibilidade como se pode constatar na mesorregião Marajó.

4. CONCLUSÕES

        O foco na análise dos mapas temáticos permitiu avaliar a acessibilidade de água, esgoto e coleta de lixo no Marajó, e revelou-os como peças úteis para o diagnóstico das disparidades sociais nos municípios ao tornar evidente a precariedade ambiental dos serviços de saneamento básico na maioria dos domicílios, com raras exceções, como a boa oferta de água no município de Soure, Santa Cruz do Arari e Salvaterra, além da satisfatória coleta de lixo em Soure. Sobretudo, tornou possível entender o processo de distribuição desses serviços, e as dificuldades de expansão e melhoria, assim como a condição atual que aparece como alarmante por prejudicar, significativamente, a qualidade de vida da população. 

REFERÊNCIAS
BRASIL. Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável para o Arquipélago do Marajó: resumo executivo da versão preliminar para discussão nas consultas públicas/Governo Federal, Grupo Executivo Interministerial. – Brasília: Ed. do Ministério da Saúde, 2007. Disponível: http://www.sudam.gov.br/Adagenor/PRDA/Plano-Marajo/07_0035_FL.pdf. Acesso em 02/05/2015.
Censo Demográfico 2010. In IBGE. Sistema IBGE de Recuperação Automática – SIDRA. http://www.sidra.ibge.gov.br/cd/cd2010rpu.asp?o=6&i=P. Acesso em 01/04/ 2015.
FIRJAN. Manual de Indicadores Ambientais: Instrumentos de Gestão Ambiental. Rio de Janeiro: DIM/GTM, 2008.
GIRARDI, E. Manual de utilização do programa Philcarto: versão 4x para Windows. Disponível em http://www2.fct.unesp.br/docentes/geo/girardi/Cartografia%20PPGG%202015/MANUAL%20ANTIGO%20PHILCARTO.pdf. 2007. Acesso em 02/04/2015.
JUNIOR, G. AC. Desafios para a universalização dos serviços de água e de esgoto no Brasil. Revis. Panam Salud Púbica. 2009, 25. (6): 548-56.
LEONETTI, et. al. Saneamento básico no Brasil: considerações sobre investimentos e sustentabilidade para o século XXI. Revista de Administração Pública (RPA). Rio de Janeiro 45 (2):331-48. MAR/ABR, 2011.
JANNUZZI, P. Indicadores para diagnóstico, monitoramento e avaliação de programas sociais no Brasil. Revista do Serviço Público. Brasília 56 (2): 137-160. Abr/Jun/2015.
MARTINELLI, M. Mapas da Geografia e Cartografia Temática. 6° ed. ampl. E atual – São Paulo: Contexto, 2011.
MONTEIRO, J. et al. Manual de Gerenciamento Integrado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: IBAM, 2001. Disponível em http://www.resol.com.br/cartilha4/manual.pdf. Acesso em 02/08/2015.
PHILCARTO. Disponível em http://philcarto.free.fr. Acesso em 01/01/2015.







terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Google Earth Aplicado a Análise Temporal da Paisagem





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com


1. Imagens Históricas no Google Earth

A ferramenta "Imagens Históricas" no software Google Earth Pro, disponível em https://www.google.com.br/earth/download/gep/agree.html tem um acervo enorme de imagens aéreas em diferentes anos, principalmente entre 2000 a 2016. Esse recurso é bastante útil quando você pretende mostrar a dinâmica ocorrida no espaço, principalmente em grandes e médias cidades, assim como em locais com mudanças radicais na paisagem. O uso da ferramenta é fácil, como pretendo ensinar:

1) Acesse o Software Google Earth.
2) Pesquise alguma cidade, a sua área de estudo ou qualquer outra parte do planeta.
2) Procure o ícone que parece um relógio em verde na barra superior.
3) Clique no ícone e aparecerá várias opções de imagens por mês e ano.



Figura 01. Ferramenta Imagens Históricas em destaque
Fonte: Google Earth



Figura 02. Zoom no ícone de Imagens Históricas em destaque
Fonte: Google Earth


Figura 03. Barra com a disposição de imagens históricas
Fonte: Google Earth



2. Exemplos do uso de imagens históricas do Google Earth

O espaço geográfico é bastante dinâmico, pois as relações entre o homem e o meio mudam constantemente, principalmente nas cidades, onde a paisagem é constante alterada para dá suporte as necessidades humanas. 

Para destacar como as imagens do Google Earth podem ser usadas em palestras, artigos, apresentações ou seminários, resolvi ilustrar a mudança substancial da paisagem urbana em alguns pontos da cidade de Belém/PA (Brasil), conforme as figuras abaixo:


Figura 04. Dinâmica espacial ao redor de um shopping center na cidade de Belém/PA (Brasil)
Fonte: Imagens Digital Globe 2006, 2009, 2011 e 2015 (Google Earth)

Conforme a figura 04, em 2006, a paisagem ao redor do atual shopping center era totalmente coberta de áreas verdes, inexistindo qualquer sinal de intervenção urbanística. 

Em 2009, é perceptível a abertura de uma futura avenida através dos rastros de lama e areia ao longo do caminho. Em 2011, a avenida já está completamente asfaltada e sinalizada; uma parcela significativa das áreas verdes do local foram suplantadas para dá lugar a construção do que seria um shopping center, um condomínio horizontal e as casas, visto principalmente através dos contornos demarcados no espaço. 

Já em 2015, a paisagem está completamente alterada através da implantação do shopping center, do início das obras de um condomínio horizontal ao lado, da redução de áreas verdes ao redor das casas e da expansão viária.




Figura 05. Imagem Histórica de 2009 e 2015 de uma avenida em Belém/PA (Brasil)
Fonte: Imagens Digital Globe 2009 e 2015 (Google Earth)


Conforme a figura 05, em 2009, a Avenida João Paulo II terminava próximo a uma grande área verde, mas em 2015 já é possível vê a expansão da mesma avenida, onde a vegetação urbana foi suplantada para dá prosseguimento a via. 

O uso da ferramenta pode destacar o impacto das atividades humanas sobre os elementos naturais, como as consequências do desvio de parte da água do Mar de Aral para a irrigação na Ásia Central, visto abaixo:





Figura 06. Mar de Aral em 1986, 2006, 2011 e 2013
Fonte: Imagens NASA (1986), Digital Globe (2006, 2011 e 2013) Google Earth


É visível na imagem que ao longo dos anos, a quantidade de água presente no Mar de Aral vai reduzindo significativamente, alcançando um estado crítico em 2013, onde o mar quase some em meio ao deserto.

Lembramos que para elaborar uma composição das imagens de forma sequencial como mostra na postagem, é necessário usar outros softwares como o Paint ou o Power Point para deslocar e ajustar as figuras. O exercício de compor uma figura comparativa da paisagem é fácil. Faça você mesmo! 



3. Conclusões


O uso da ferramenta "Imagens Históricas" presente no Google Earth é excelente, válida e de fácil utilização na área de pesquisa e ensino, pois consegue destacar a mudança na paisagem, principalmente se for ativada no meio urbano ou em áreas que tiveram substancial alteração paisagística.



4. Referências

LIMA, R. Google Earth aplicado a ensino e pesquisa da Geomorfologia. http://www.revistaensinogeografia.ig.ufu.br/N.5/Art2v3n5final.pdf.

GOOGLE EARTH, 2016. Como visualizar imagens históricashttps://support.google.com/earth/answer/148094?hl=pt-BR.

GOOGLE EARTH, 2016. Imagens Históricashttps://www.google.com.br/earth/explore/showcase/historical.html.










terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Brasil - Cartografia da População com o software Philcarto





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
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1. RESUMO

O objetivo dessa postagem é mostrar a potencialidade dos mapas temáticos elaborados no software Philcarto, assim como as possíveis análise espaciais que podem ser realizadas através da interpretação correta. Nessa postagem, escolhi algumas variáveis sobre a população brasileira, tais como: População total; População Urbana; População Rural; População Urbana x População Rural e Densidade Demográfica. Esta postagem fará uma breve análise da distribuição populacional no Brasil tomando como base os estados e as regiões.  


2. METODOLOGIA

Para elaboração dos mapas temáticos foi usado o software Philcarto, disponível em http://philcarto.free.fr/. Todos os dados são oriundos do IBGE - 2010 (Sistema de Recuperação Automática IBGE), disponível em http://www.sidra.ibge.gov.br/. As bases cartográficas em formato (Ai.) foram cruzadas com planilhas advindas do Excel em formato (texto separado por tabulações - txt) no Philcarto para os mapas poderem ser gerados. As imagens de satélites foram extraídas do Google Earth Pro, disponível em https://www.google.com.br/earth/download/gep/agree.html. As bases cartográficas foram extraídas do próprio site do Philcarto http://philcarto.free.fr/FondsDeCartes.html. No site, ainda há bases de distritos e regiões de vários países do mundo.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 CARTOGRAFANDO A POPULAÇÃO BRASILEIRA

Segundo o último censo em 2010, a população brasileira era de 195.200.000 habitantes, no qual a distribuição era e ainda continua sendo bastante desigual, com forte concentração populacional no litoral do país, especialmente na região Sudeste, Sul e Nordeste em contraposição a Região Norte e Centro-Oeste (Mapa 1), onde foi usado a técnica cartográfica símbolos proporcionais com o Philcarto para evidenciar a proporcionalidade da população dos estados brasileiros.


Mapa 1. Brasil - População absoluta dos estados em 2010

Conforme o mapa, o Estado de São Paulo continua sendo o mais populoso do Brasil com 41.262.199 habitantes, seguido por Minas Gerais (19.597.330 hab), Rio de Janeiro (15.989.000 hab), Bahia (14.016.906 hab) e Rio Grande do Sul (10.693.929). Os estados menos populosos estão sobretudo na Região Norte, destacando-se Roraima, Amapá, Acre e Rondônia, em razão da ocupação ter sido mais recente do que nos demais estados, além da forte presença de áreas de conservação e florestas em grande parte do seu território. A população brasileira concentra-se no litoral, principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste em detrimento do menor adensamento na Região Norte e Centro-Oeste.

A maioria da população brasileira já vive em cidades (84,3%), sendo uma realidade em todos os estados. Para a representação do mesmo foi utilizado a técnica cartográfica de símbolos proporcionais opostos com o software Philcarto para destacar a proporcionalidade e o contraste de duas informações. O forte processo de urbanização que se verifica a partir da 2° Guerra Mundial está diretamente relacionado aos progressos sanitários e a melhoria dos padrões de vida que ocasionou aumento da natalidade e redução das taxas de mortalidade no país. 


A partir da década de 80, as taxas de natalidade e mortalidade começam a reduzir significativamente, o que repercute no baixo crescimento vegetativo ao longo dos anos, assim como o crescente êxodo rural. Esses acontecimentos favoreceram a preponderância da população urbana em todas as unidades da federação (Mapa 2), sendo mais evidente na Região Sul, Sudeste e Centro-Oeste, principalmente no estado do Rio de Janeiro, Goiás e no Distrito Federal.




Mapa 2. Brasil - População Urbana x População Rural em 2010


Conforme o mapa, entre os estados com a menor proporção de pessoas morando nas cidades, destaca-se o Maranhão, Piauí, Pará e Bahia. É evidente que a Região Norte e Nordeste ainda é representativo o número de pessoas vivendo no campo e de atividades primárias, como agricultura, extrativismo e pecuária. Porém, essas regiões possuem grandes e médios centros urbanos e um sistema viário relativamente integrado com o restante do país, principalmente a Região Nordeste.

A urbanização brasileira foi bastante acelerada no período da década de 60-90, onde milhões de pessoas se dirigiram para as grandes e médias cidades, em um fenômeno conhecido como êxodo rural, motivada principalmente pela concentração de terras por grandes fazendeiros no interior do país que dificultou o acesso a terra. A mecanização agrícola vem contribuído para a substituição da mão-de-obra não-qualificada no campo em decorrência da substancial melhoria da produtividade por causa das máquinas e como forma e evitar problemas trabalhistas. Muitas famílias buscam melhorar a qualidade de vida, migrando para os centros urbanos com o intuito de fugir da fome, miséria e buscar melhores oportunidades de trabalho, porém nem sempre conseguem, pois a qualificação exigida nas cidades é mais elevada, o que contribui para que os migrantes busquem formas de se adaptar no mercado ou trabalharem informalmente.

No Brasil, esses fatores contribuíram para que o Estado de São Paulo e Rio de Janeiro alcançassem as maiores taxas de urbanização do país, acima de 96%, enquanto o DF, em razão da centralidade política, forte migração para a construção e fixação em Brasília. No geral, uma parcela significativa da população das regiões: Sul, Sudeste e Centro-Oeste vive nos centros urbanos, em contraste com taxas mais discretas no restante do país (exceção do Amapá), porém predominantemente urbana, acima de 64% (Mapa 3). 

Mapa 3. Brasil - Urbanização em 2010

No Brasil, os estados que possuem os maiores índices de sua população morando nas zonas rurais são: Pará, Maranhão e Piauí, entre 31% a 36%, seguido por outros estados da Região Nordeste e Norte do país (Mapa 4), contrastando com índices menores dos estados da Região Sul, Sudeste e Centro-Oeste.


Mapa 4. Brasil - População Rural em 2010

A distribuição espacial da população brasileira é bastante desigual (Mapa 5), resultado do início do povoamento no litoral do país e a ascensão dos primeiros centros urbanos próximo ao oceano atlântico, em que é evidente as altas densidades demográficas no litoral nordestino, principalmente do Ceará em direção a Bahia, onde estão localizadas as maiores cidades e suas respectivas regiões metropolitanas como a de Fortaleza, Recife e Salvador. 

É perceptível no mapa que a alta concentração de pessoas por Km² se estende por grande parte do Sudeste do Brasil, essencialmente no estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Centro-Sul de Minas Gerais e Espírito Santo, onde estão grandes e médias cidades. Essa área também concentra grande parte do PIB brasileiro e é muito industrializada.


Mapa 5. Densidade Demográfica no Brasil em 2010
Fonte: Adaptado de HERVE THERY
Revista Confins


Ainda conforme o mapa, no sul do país, o número de pessoas por quilômetro quadrado é elevado, principalmente na porção leste do estado de Santa Catarina, no centro-sul do Rio Grande do Sul, no leste e norte do Paraná, enquanto na Região Norte e Centro-Oeste, a densidade é predominantemente muito baixa, variando entre 0,1 a 15 hab/km², em consequência da presença da floresta amazônica no Norte; pelo Pantanal e Cerrado no Centro-Oeste, com exceção dos arredores da cidade de Belém/PA (Norte) e Goiânia/GO (Centro-Oeste) que possuem regiões metropolitanas consolidadas, assim como algumas áreas como a RIDE de Brasília, a cidade de Manaus/AM (Norte), Cuiabá/MT e o Sul de Goiás.



4. CONCLUSÕES

O Philcarto mostrou ser um excelente recurso na elaboração de mapas temáticos a partir de dados estatísticos, onde é evidente a sua potencialidade para confeccionar produtos similares. Os mapas mostraram a desigual distribuição da população brasileira, onde a Região Sul e Sudeste possuem as mais altas taxas de urbanização, concentram os estados mais populosos e possuem as maiores densidades populacionais do país, principalmente no litoral, em contraposição a Região Norte e Nordeste, que possuem taxas mais discretas de urbanização e ocupação demográfica mais rarefeita. O software usado para elaborar os mapas é livre, gratuito e pode ser encontrado facilmente em http://philcarto.free.fr/



5. REFERÊNCIAS

IBGE, 2010. Sistema IBGE de Recuperação Automática. Disponível em http://www.sidra.ibge.gov.br/. Acesso em 27/12/2015

THERY, H. A população do Brasil em 2010. Revista Confins. Disponível em  https://confins.revues.org/7215?lang=pt. Acesso em 06/01/2016









terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Belém, 400 anos de conquistas e de muitas lutas!





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



A cidade de Belém é a capital do Pará e o principal portão da Amazônia Brasileira que no dia 12/01/2016 completou 400 anos de fundação. Desde a construção do Forte do Castelo em 1616 nas margens da Baía de Guajará, a cidade cresce vertiginosamente, principalmente durante o período áureo da comercialização da borracha para os principais centros europeus, o que contribuiu para diversas construções imponentes como: Casarões, Mercados, Lojas no estilo europeu, grandes e arborizadas avenidas, entre outros. 

Hoje, com 1.439.000 habitantes, a cidade celebra seus 400 anos, apesar de grandes dificuldades na área do saneamento básico, da saúde, da mobilidade urbana, entre outros, o que causa extrema aflição daqueles que vivem e esperam morar em uma cidade mais segura, menos corrupta, mais arborizada, com um trânsito menos caótico, menor desigualdade social, entre outros.  

A cidade carinhosamente chamada de "Cidade das Mangueiras", "Cidade Morena" e "Metrópole da Amazônia" busca dias melhores para que a sua população possa usufruir de todas as suas belezas naturais, sem grandes degradações ambientais. O anseio dessa população é viver em uma cidade mais digna!

Figura 1. Parte central de Belém
Fonte: skyscrapercity (Eloi Raiol)



Figura 2. Mercado do Ver-o-peso
Fonte: blog do Gerson Nogueira


Figura 3. Frutas amazônicas no Ver-o-peso (Belém dos sabores)

Figura 4. Vista da Praça da República no centro de Belém


Figura 5. Milhões de pessoas no Círio de Nazaré em Belém (Maior procissão religiosa católica do Brasil)


Figura 6. Vista do Teatro da Paz em Belém


Figura 7. Estação das Docas em Belém


Figura 8. Mangal das Garças em Belém


Figura 9. Comidas típicas do Pará (Tacacá, Maniçoba, Vatapá e Pato no tucupi)