domingo, 15 de março de 2015

Cartografia Turística de Cotijuba (Belém) com o Google Earth Pro



Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com





1. INTRODUÇÃO

Esta postagem tem o propósito de usar o Google Earth Pro como ferramenta na elaboração de mapas com viés turístico da Ilha de Cotijuba em Belém. O objetivo é mostrar a potencialidade do software para este tipo de mapeamento e concomitantemente auxiliar a divulgação de informações turísticas sobre esta ilha amazônica próxima da capital do estado do Pará que tem muita potencialidade e muitos encantos naturais, mas ainda é muito desconhecida pelos próprios belenenses.

Palavras-chave: Google Earth Pro. Turismo. Cotijuba. Belém. 


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Para a elaboração deste trabalho foi usado o software Google Earth Pro para a confecção dos mapas de Ilha de Cotijuba e algumas fontes para a discussão sobre turismo.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Cartografia Turística

O Turismo é uma prática social que consiste no movimento espacial de uma ou mais pessoas do lugar de residência permanente em direção a outro lugar, em que serão visitantes ou hóspedes, onde devem permanecer por um período mínimo de 24h. Em um lugar turístico, desfruta-se da hospitalidade dos anfitriões com os quais partilham os espaços de contemplação visual, estética e cultural de seu patrimônio, bem como equipamentos de lazer disponíveis.

Segundo (MENEZES, P; FERNANDES, M, 2010), a indústria do Turismo apresenta-se hoje como uma das áreas econômicas mais rentáveis e de maior sucesso, bem como uma das que mais pode gerar emprego, demonstrando a sua importância para qualquer parte do globo. Nesse caso, alguns softwares, como o Google Earth, pode ser usado para elaborar mapas ou figuras de lugares "marginalizados dos principais roteiros turísticos", dando visibilidade e levando mais informações ao público que tem interesse de conhecer o local. 

Em Belém, além dos pontos conhecidos na área urbana, tais como a Estação das Docas, Complexo do Ver-o-peso, Cidade Velha, Museu Emílio Goeldi, Mangal das Garças, entre outros. Há ilhas com um potencial turístico muito grande a menos de 1 hora do centro urbano da capital. Estamos falando a respeito de duas das maiores ilhas de Belém: Ilha de Cotijuba e Ilha do Combu, porém nesse artigo vamos enfatizar somente sobre Cotijuba.

A primeira dista 11 km da Belém Continental e é muito famosa por ter diversos praias lindas, pouco exploradas e distante da poluição ambiental, tornando-se ideal para um bom sossego, banho e ainda para saborear pratos típicos da região amazônica, no qual o seu acesso se dá pela travessia da Baía de Guajará pelo porto em Icoaraci. 

Já a ilha de Combu dista 2,1 km da cidade e é também  bastante famosa, tendo muitos e bons restaurantes com uma gastronomia tipicamente amazônida, além de ter espaços em contato direto com a natureza, no qual o seu acesso se dá pela travessia do Rio Guamá através do porto Princesa Isabel. Os detalhes podem ser vistos no mapa elaborado com o Google Earth Pro abaixo:


Mapa 01. Localização e acesso a Ilha de Cotijuba em Belém visto no Google Earth

Fonte: Autoria própria no Google Earth
Fonte da imagem: Google Earth (2015)


3.2 Cartografia Turística aplicada em Cotijuba

A travessia da baía de Guajará do porto em Icoaraci até Cotijuba mostra-se bastante agradável e demora cerca de 45 minutos, com vista para ilhas, florestas, mar e a imensidão da área urbana da cidade. 

A sensação é de calmaria, como se toda a agitação e o estresse da vida urbana ficasse para trás em alguns minutos. A tranquilidade da viagem em barcos tipicamente amazônicos, o chamado "pôpôpô", é um diferencial para aqueles que nunca percorreram os rios amazônicos


Fonte: Coaripolis.blogspot.com

Apesar da viagem ser prazerosa, são necessários maiores investimentos na reestruturação do porto, em um local adequado ao embarque e desembarque tanto em Icoaraci quanto em Cotijuba, pois em alguns pontos a infraestrutura mostra-se precária e de médio porte. 

As autoridades devem reconhecer a potencialidade da ilha e incentivar o turismo sustentável, garantindo a qualidade desse serviço para os turistas; favorecendo a empregabilidade e o aumento da renda dos habitantes locais, sem impactar consideravelmente o ambiente.

A Ilha de Cotijuba é descrita por muitos como misteriosa, paradisíaca, com muitos encantos naturais, culinários e paisagísticos. Entre as principais atividades turísticas estão o contato direto com a floresta amazônica; o banho nas praias de rio (2); a degustação de pratos típicos como peixes e crustáceos; a caminhada por trilhas; a contemplação da paisagem tipicamente amazônica e a prática de esportes aquáticos. 


Mapa 02. Principais Praias de Cotijuba em Belém
Fonte: Autoria própria no Google Earth Pro

Conforme o mapa acima, Cotijuba possui 6 praias principais, todas distribuídas na porção oeste da ilha. Normalmente as pessoas costumam ir mais na Praia do Farol, do Amor e da Saudade porque são mais próximas do ponto de chegada e sem custo, pois é possível ir a pé.

Por outro lado, ainda há praias pouco exploradas pelos turistas, principalmente no norte, com destaque para a Praia Funda, Flexeira e Vai-quem-quer (A última é a melhor e a com uma infraestrutura melhor, porém é a mais distante e com custo de apenas R$4,00 para o transporte). Em 25 minutos você pode chegar na praia do Vai-quem-quer via terrestre e apreciar as suas belezas naturais.


Mapa 03. Principais Atrativos da Praia do Vai-quem-quer

Fonte: Autoria própria no Google Earth Pro

Segundo o mapa, na Praia do Vai-quem-quer há muitos atrativos, como o banho em águas doces distante da poluição ambiental, a possibilidade de praticar ciclismo, iatismo ou canoagem (Equipamentos próprios), a caminhada em trilhas e jogo de futebol de areia são opções que os visitantes podem aproveitar (Figura 2, 3, 4 e 5). Ainda é possível se deliciar com pratos típicos da Amazônia nos restaurantes que tem principalmente no oeste desta praia.  

Figura 2. Praia do Vai-quem-quer

 Figura 3. Cadeiras na Praia do Vai-quem-quer


 Figura 4. Praia da Flexeira
Fonte: Brazilamzon 

Figura 5. Antigo Educandário de Cotijuba (Antiga Ruína de Presídio na Ilha de Cotijuba)
Fonte: www.vilacotijuba.com.br


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O software Google Earth Pro é uma excelente ferramenta para mapeamento da infraestrutura turística e representação de mapas de Cotijuba, podendo ser largamente empregado em trabalhos semelhantes a este. No entanto, é preciso compreender os princípios básicos da Cartografia Temática e a operacionalização do software para poder elaborar tais produtos. Nesse caso, conseguimos demonstrar tanto as principais praias de Cotijuba quanto os atrativos e potencialidades na praia do Vai-quem-quer na Ilha de Cotijuba em Belém.


Você precisa de um mapa? Georreferenciado? É de que lugar? Para Tcc, artigo, dissertação ou Tese?  Ligue!! 091 (8306-5306) - WhatApp


5. REFERÊNCIAS


MENEZES, P; FERNANDES, M. Cartografia Turística: Novos conceitos e antigas concepções. http://www.ligiatavares.com/gerencia/uploads/arquivos/8d0501cb414b2e62687c91ae52e91f4a.pdf

Google Earth Pro. Disponível <www.earth.google.com>

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Cartografia das Favelas de Belém




Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com


1. INTRODUÇÃO

Esta postagem tem o propósito de discutir a respeito dos  aglomerados subnormais, mais especificamente em Belém, conhecidos como "baixadas", "invasões" e menos comum "favelas", buscando evidenciar quais bairros têm essas características e em qual deles há uma predominância desse tipo de moradia e ilegalidade do uso da terra, através de mapas temáticos. Os aglomerados subnormais são entendidos como unidades habitacionais carentes de serviços públicos essenciais, precariedade do fornecimento de energia elétrica, água, saneamento básico e coleta de lixo domiciliar, ocupando ou tendo ocupado terreno alheio (IBGE, 2010). Nesse contexto, esta postagem busca dimensionar a intensidade dos aglomerados subrnomais nos bairros de Belém, com o intuito de verificar se há um padrão espacial, assim como destacar a discrepância social na cidade.

Palavras-chave: Belém. Aglomerados Subnormais Precários. Philcarto. Geoprocessamento.



2. MATERIAIS E MÉTODOS

Para a elaboração deste trabalho, foi utilizado o shapefile "Aglomerados subnormais" disponível no site do IBGE para consulta dos bairros de Belém que continham tal característica através do software ArcGis e em seguida, exportado para kml e ser visto no Google Earth, disponível em https://www.google.com.br/earth/download/gep/agree.html. Posteriormente foi quantificado a área de Aglomerado Subnormal por bairro, para podermos verificar a intensidade dessa variável em relação a área total do mesmo. 
1. Qual a intensidade dos Aglomerados Subnormais nos bairros de Belém?, Aonde é maior, menor ou inexistente? Existe um padrão? Como é? Qual a condição aparente de habitação nos bairros?

 
3. DESENVOLVIMENTO

3.1 Conceituação de Aglomerados Subnormais ("Favelas") e a sua extensão em Belém

 
Os aglomerados subnormais são entendidos como um conjunto constituído de no mínimo 51 unidades habitacionais, "barracos" ou casas precárias, carentes em sua maioria, dos serviços públicos essenciais como o abastecimento de água por rede geral de distribuição, coleta de lixo domiciliar, rede de coleta de esgoto e precarização no fornecimento de energia elétrica, ocupando ou tendo ocupado, até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) e estando dispostas, em geral de forma desordenada e densa. (IBGE, 2010, grifos nosso). 

Ainda de acordo com o IBGE (2010), unidades habitacionais com urbanização fora dos padrões vigentes, refletidos em ruas estreitas e de alinhamento irregular, lotes e formas desiguais e construções não regularizadas por órgãos públicos, também foram considerados como tal, sendo portanto, características dos assentamentos irregulares existentes no país, também conhecidos como "favelas", "baixadas", "barracos", "palafitas", "vilas", "mocambos", "grota", "comunidade", "ressaca", entre outros termos usados (IBGE, 2010, grifos nosso).

Conforme o IBGE (2010): "Em Belém, uma das características dominantes é a grande extensão das áreas de aglomerado subnormal precários (Figura 01), fazendo com que a cidade tenha uma das maiores proporções de moradores nessa condição do país (Figura 02). 

 Figura 01. Extensão dos Aglomerados Subnormais Precários em Belém
Fonte: IBGE (2010)


  Figura 02. Proporção de favelas ou aglomerados subnormais precários sobre o total de domicílios particulares em (%) em cidades selecionadas do Brasil
Fonte: http://fernandonogueiradacosta.wordpress.com/tag/sociedade/page/7/


O termo "Favela" quase não é usado na cidade, geralmente as pessoas utilizam a palavra "Baixada" ou "Invasão" para se referir à essas áreas. Infelizmente, a posição de Belém neste ranking é deprimente, pois um pouco mais da metade da população vive de maneira precária ou morando em áreas desfavoráveis, com baixa qualidade de serviços públicos em saneamento básico, fornecimento de água encanada, coleta de lixo, energia elétrica e ocupação irregular, o que justifica o baixo investimento em áreas essenciais para a população que paga fielmente os seus impostos, mas que não tem tido o devido cuidado do setor público, evidenciando a baixa eficiência dos programas.


2.2 Cartografando os Aglomerados Subnormais Precários ("Favelas") de Belém/PA

Os aglomerados subnormais tendem a se espraiar principalmente em áreas desvalorizadas, destituídas ou carentes de equipamentos urbanos e infraestrutura, em terrenos suscetíveis aos alagamentos; na proximidade de córregos urbanos, conhecidos aqui como "canais" (Figura 3); em áreas de terra firme de difícil acesso e com arruamento irregular (Figura 4 e 5). Há grande despejo indiscriminado de lixo doméstico e demora da sua retira, assim como captação de energia de maneira irregular "gatos", conforme nós podemos visualizar abaixo:  



 Figura 3. Paisagem típica de Aglomerados Subnormais Precários em Belém/PA
Fonte: O Diário do Pará



Figura 4. Vila da Barca - Aglomerado Subnormal no bairro do Telégrafo em Belém/PA
Fonte: Google Earth (2015)

 Figura 5. Aglomerado Subnormal no bairro do Barreiro em Belém/PA
Fonte: Google Earth (2015)

A sobreposição do arquivo Kml contendo os aglomerados subnormais elaborado pelo IBGE com os limites dos bairros no software Google Earth, nos evidencia que as áreas mais precárias de Belém se estendem principalmente no Distrito de Icoaraci e Outeiro, assim como em bairros ao longo do Rio Guamá, da Avenida Bernado Sayão, do Canal do Galo e do Canal São Joaquim, conforme a Figura 6.



Figura 6.  Extensão dos Aglomerados Subnormais Precários visto no Google Earth
Fonte: Autoria própria


Diante dessas informações, foi calculado o percentual da extensão do agomerado subnormal em relação à área total dos bairro, através do método coroplético conforme o mapa abaixo:

Mapa 01. Intensidade de Aglomerado Subnormal nos bairros de Belém/PA (2010)
Fonte: Autoria própria. Créditos: Luiz Henrique Almeida Gusmão (Blog Geografia e Cartografia Digital de Belém)
*É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor, sob penalidade judicial por direitos autorais.


Segundo o mapa, dos 73 bairros de Belém, cerca de 30% deles tem uma presença Muito Alta ou Alta de Favelas em sua área, estando distribuídos principalmente no Norte e Sul da cidade, assim como tendo áreas expressivas no Centro-Oeste, representando aonde as políticas de habitação tem que ser intensificadas de maneira emergencial, garantindo a melhoria da qualidade de vida dessa população, na qual a maioria vive em moradias insalubres, com pouco conforto e feita com materiais frágeis e de fácil desgaste físico.

Esses bairros carecem de equipamentos urbanos eficientes e foram ocupados de maneira desordenada, sem o devido planejamento urbano da prefeitura ao longo de décadas, mostrando o verdadeiro descaso com a uma parcela significativa da nossa população.

Em seguida, com uma presença mediana de favelas, estão 14% dos bairros, estando distribuídos de maneira heterogênea. Por outro lado, a maioria dos bairros (56%) está em uma situação mais confortável, sendo evidente no Sudoeste (Centro da cidade e alguns bairros adjacentes), no Leste e no Extremo Norte (Distrito de Mosqueiro), inexistindo ou tendo baixa ocorrência de favelas no espaço, onde a maior parte dos residentes vivem em moradias mais confortáveis e relativamente espaçosas, onde a vulnerabilidade social também é mais baixa por causa da renda média ser mais elevada, com exceção de Mosqueiro. O gráfico abaixo reflete a disposição dos bairros conforme a presença de favelas em Belém.


Gráfico 1. Bairros conforme a presença de favelas em Belém/PA

Ainda retomando o mapa, é evidente o "abismo" existente entre o Sul e Sudoeste da cidade, onde há bairros elitizados com boa infraestrutura sem nenhuma área de favela, como o Umarizal, Nazaré, Batista Campos ou São Brás, por exemplo, convivendo "ao lado" de bairros com extensas e populosas favelas visto no Jurunas, Condor, Guamá, Barreiro ou Terra Firme, comprovando o contraste social na habitação em Belém.



3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Belém é uma cidade que tem quase metade de sua população vivendo em áreas com deficiência nos serviços de saneamento básico, coleta de lixo regular, habitação popular, entre outros. A ocupação desordenada e irregular é fortemente presente em 1/3 dos bairros da cidade, representando um grave problema social de habitação, pois tem sido investido muito pouco nessa área tão importante. Clamo para esta e demais gestões municipais dobrem o investimento em casas populares com o mínimo de dignidade aos moradores que tem assegurado na Constituição Brasileira o direito à moradia, em que os mapas podem servir como instrumentos comprovadores da precariedade da habitação, assim como elementos que ajudam na tomada de decisão.

As informações do IBGE atreladas ao uso do software Philcarto e Google Earth nos ajudaram a realizar o levantamento da intensidade de favelas por bairros de Belém, sendo primordiais para a elaboração de mapas temáticos, consultas espaciais e de trabalho na área do Geoprocessamento aplicado. Para validação dos dados, mapas e arquivos sobre Aglomerados Subnormais (Favelas), consulte o site do IBGE e tire suas conclusões de onde você mora! http://www.censo2010.ibge.gov.br/agsn/.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Avanço da Verticalização em Belém/PA usando Geotecnologias



Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. INTRODUÇÃO

A paisagem urbana de Belém vem sendo marcada pela veloz proliferação de edifícios, principalmente nos bairros centrais e em outros com uma infraestrutura regular. Esse fenômeno chamado de verticalização tem sido cada vez mais comum nas metrópoles e em algumas cidades de médio porte no Brasil e no mundo, impulsionado pelas [...] inovações técnicas de grandes empresas da construção civil; expansão da creditização para aquisição de imóveis e por imposições culturais por novas formas de moradia (FRESCA, 2009). Nesse sentido, esta postagem tem o objetivo de realizar um breve resumo da verticalização em Belém, assim como também ressaltar esse processo através do uso de fotografias e mapas temáticos.


Palavras-chave: Belém. Verticalização. Valorização espacial. Mapa. Philcarto.


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Para alcançar os objetivos propostos por esta postagem foram utilizadas fontes como artigos e dissertações sobre verticalização em Belém; o software Google Earth na visualização de imagens de satélite na identificação e mapeamento de edifícios, e o software Philcarto na elaboração do mapa temático sobre a verticalização, com base na quantidade de edifícios mapeados pelas imagens. O software Philcarto está disponível em http://philcarto.free.fr/.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 O que é Verticalização?

Conforme SOMEKH (1997), a verticalização é o resultado da multiplicação do solo urbano, permitindo que em único terreno haja a sobreposição de muitos imóveis. É concebida como a construção de edifícios acima de 4 pavimentos que vem alterando significativamente a paisagem urbana e modificando a forma de viver nas cidades (MENDES, 2009). Esse fenômeno tem facilitado o crescimento urbano de forma vertical de várias cidades brasileiras, inclusive Belém, ganhando status da cidade mais verticalizada da Amazônia.

A verticalização tem se tornado sinônimo de modernidade, de poderio econômico, status social, comodidade, crescimento urbano e por trazer uma nova forma de viver na cidade. A maioria dessas construções (arranha-céus) vem sendo construídas para as classes mais abastadas da cidade ou para servir de endereço de grandes escritórios dos mais diversos ramos (Figura 01). A localização desses edifícios fica majoritariamente em áreas valorizadas das cidades, geralmente em áreas não alagáveis, com boa ou excelente infraestrutura de saúde, transporte, lazer, educação, entre outros, estando na adjacência do centro comercial e financeiro ou de localidades supervalorizadas na periferia.

 
 Figura 01. Exemplo da verticalização em Belém/PA em uma área supervalorizada, onde moram predominantemente classes mais abastadas
Fonte: Eloi Raíol (www.Skyscripit.com)




3.2 Verticalização em Belém 
3.2.1 Histórico da verticalização na cidade

Segundo OLIVEIRA et. al (2005), a verticalização em Belém iniciou por volta de 1940 e esteve restrita inicialmente a Av. Presidente Vargas, por estar em uma parte alta da cidade, sem chances de alagamentos; pelo fácil acesso as linhas de bonde, ao porto marítimo e aos principais hotéis, cafés, bares, restaurantes, praças e logradouros públicos. Em sua maioria, tais edifícios eram destinados a prestação de serviços comerciais, gerenciamento e controle das atividades econômicas mais expressivas da época, porém alguns empreendimentos já se destinavam a moradia das classes mais abastadas de Belém, fornecendo o que tinha de melhor naquele tempo.



Figura 02. Início da verticalização em Belém entre 1930 a 1940 na Av. 15 de agosto (Atual Pte. Vargas) 
Fonte: CHAVES, T. 2011/Acervo Magalhães Barata SECULT



Na década de 50, a verticalização começou a se espraiar em direção aos bairros centrais de Nazaré e Batista Campos, em que a Av. 15 de agosto deixou de ser a via concentradora de edifícios. Durante a década de 60 e 70, o bairro da Campina, Nazaré e Batista Campos continuaram sendo os principais locais de investimentos das construtoras civis, mas com intensificação desse processo ao redor das grandes praças públicas, tais como a República e a Batista Campos, inclusive com a inauguração do "edifício-símbolo" da modernidade e do mais alto daquele tempo, o famoso Manoel Pinto da Silva.

 

Figura 03. Verticalização nas proximidades da Praça da República e o Edifício Manoel Pinto da Silva em destaque (1960)
Fonte: CHAVES, T, 2011/Acervo Magalhães Barata SECULT



O erguimento de prédios era consequência do acelerado crescimento urbano de Belém, pela imposição de novas formas de moradia às classes mais abastadas da cidade baseada no padrão americano e europeu. Por isto o centro de Belém que naquele tempo compreendia somente 4 bairros (Campina, Batista Campos, Nazaré e Reduto) era o mais desejado pelas elites locais.

A partir da década de 80, as construções verticais avançaram consideravelmente em direção aos bairros do Reduto, Umarizal (Principal), Cidade Velha e São Brás, devido a proximidade do centro histórico e comercial, ao encarecimento dos terrenos nos bairros mais centrais, ao crescimento demográfico e a precariedade da infraestrutura em pontos mais distantes da cidade. 

Na década de 90, a verticalização alcança bairros como Pedreira, Marco, parte do Jurunas e da Cremação, por causa de suas vias largas, proximidade com o centro da cidade e existência de alguns equipamentos urbanos: bancos, farmácias, supermercados, entre outros. A partir de 2010, os edifícios chegam em pontos isolados no bairro do Telégrafo, da Sacramenta, da Marambaia, de Fátima e até no Parque Verde, ao mesmo tempo em que o processo vem se consolidando no centro da cidade.



3.3 A Pujança da Verticalização em Belém

Segundo Lúcio Flávio Pinto (2011) em matéria de jornal: "Belém teve destaque nacional na primeira década do século XXI por causa do seu crescimento vertical, em que poucas cidades brasileiras levantaram tantos e tão altos "arranhas-céus", comparativamente ao seu espaço, população e densidade de construções". Isso pode ser visto no erguimento de inúmeros "espigões" nos bairros mais nobres da capital paraense: Reduto, Nazaré, Batista Campos, Marco, São Brás, mas principalmente no Umarizal

Nos últimos 25 anos, a cidade tem se tornado um "paraíso imobiliário", porque inúmeras construtoras das regiões sudeste/sul do país tem investido nesse tipo de empreendimento, destinada principalmente as classes A e B. Em especial no Umarizal, Batista Campos, Nazaré e Marco, os edifícios tem chegado a 30 andares e até 40 em alguns, e, gerado bastante questionamento sobre a outorga onerosa (Direito de construir na cidade), a dificuldade dos ventos adentrarem na cidade e consequente aumento das "ilhas de calor", a especulação imobiliária e ao encarecimento dos terrenos.


Figura 04. Verticalização de Belém com destaque para o bairro do Umarizal visto pela Baía de Guajará
Fonte: Jornal O Globo, 2011.


Figura 05. Verticalização de Belém com destaque para o bairro do Umarizal, Nazaré e Batista Campos visto pela Baía de Guajará
Fonte: Eloi Raíol 3D (www.skyscript.com) 
 
 Figura 06. Verticalização em Belém com destaque para o bairro do Umarizal, Batista Campos, Nazaré, Campina e parte do Jurunas.
Fonte: Eloí Raíol 3D (Eloiraiolfotografando.blogspot.com)



3.4 Cartografando a verticalização de Belém

Através da análise  de imagens de satélite da cidade, do mapeamento dos edifícios por estas imagens (Projeção de sombra) no software Google Earth; de informações através de artigos, dissertações e matérias de jornal e também de publicidade dos últimos anos, foi realizado um esforço para retratar a intensidade da verticalização nos bairros de Belém através de um mapa temático elaborado no software Philcarto com o método coroplético e assim, possibilitar uma visão geral da cidade.


Mapa 01. Belém - Verticalização nos bairros em 2014 com o software Philcarto
É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor, sob penalidade judicial por direitos autorais.
Fonte: Autoria própria (2015)
Fonte: Autoria própria (Luiz Henrique Almeida Gusmão - Geógrafo)
*Não autorizo a utilização e reprodução sem o contato prévio com o autor.


O mapa temático acima ressalta a intensa verticalização nos bairros centrais da cidade, destacando-se o Umarizal, Nazaré (Figura 6) e Batista Campos, onde o lançamento de novos apartamentos é constante, sendo portanto a principal área de investimento imobiliário da Grande Belém, onde o preço do (m2) gira em torno de R$4.000,00 a R$7.000,00. 

O valor dos apartamentos têm custado em média entre R$400.000,00 a R$1.500.000,00 dependendo da arquitetura, opções de lazer, vagas de garagem e do tamanho do imóvel. Em seguida e por ordem, o bairro de Marco, São Brás, Campina, Pedreira e Cremação estão entre os mais verticalizados da cidade.

No Eixo central, o Umarizal e Batista Campos são os bairros mais procurados pelas construtoras. Fora do eixo central, o Marco, a Pedreira, a Cremação e parte do Jurunas (Fronteira com B. Campos) têm sido os bairros mais procurados para a construção de edifícios, essencialmente nas ruas e avenidas mais largas e que dão acesso ao centro. A zona mais verticalizada de Belém cobre os seguintes bairros como mostra o mapa 2 abaixo:


Mapa 02. Zona com Intensa Verticalização em Belém
É expressamente proibido o uso e o compartilhamento desse mapa sem autorização prévia do autor.
Fonte: Google Earth Pro


O mapa ressalta ainda que os bairros em intenso processo de verticalização são justamente os mais valorizados, concentrando as maiores rendas média por chefe de domicílio, variando entre 5 a mais de 10 salários mínimos, tornando-se portanto residência da maioria da elite belenense, em que as características espaciais são muito bem definidas, como ruas largas e arborizadas, presença de áreas verdes e boa infraestrutura, como podemos perceber na Figura 6. Este mapa também pode nos dá indicativos de onde as "ilhas de calor" são mais intensas em decorrência do grau de verticalização nos bairros.



Figura 6. Exemplo do mapeamento dos edifícios do bairro de Nazaré
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (Geógrafo); Imagem ainda sem georreferenciamento no Google Earth (2015)



5. CONCLUSÃO

A verticalização em Belém está concentrada nos bairros centrais e nos adjacentes, que reúnem as melhores infraestruturas na área da educação, saúde, transporte, lazer, cultura e saneamento básico, tais como o Umarizal, Nazaré, Batista Campos, Campina, São Brás e Marco, apesar de está avançando de forma tímida em bairros da periferia imediata, como Pedreira, Telégrafo, Cremação, Jurunas, Sacramenta, Marambaia e outros. Esse processo tem ocasionado uma supervalorização dos terrenos na primeira légua patrimonial, fazendo com que Belém nos últimos anos tivesse o 5° m² mais caro das cidades brasileiras, devido a saturação de terrenos menos suscetíveis aos alagamentos, a carência de infraestrutura básica em muitos bairros, o direcionamento dos investimentos públicos quase que concentrados no centro, a baixa expansão dos serviços de saneamento básico na periferia, entre outros. O software Philcarto foi importante na elaboração do mapa temático retratando a intensidade da verticalização em Belém, sendo primordial na análise do espaço urbano na área socioeconômica e imobiliária, podendo nos dá uma visão geral sobre qualquer variável de cunho espacial.




6. REFERÊNCIAS



BLOG ESPAÇO ABERTO. http://blogdoespacoaberto.blogspot.com.br/2008/12/belm-tem-o-5-metro-quadrado-mais-caro.html


CHAVES, T. Isto não é para nós!: um estudo sobre a verticalização e modernidade em Belém entre as décadas de 1940 a 1950. (Dissertação de Mestrado em História), UFPA, 2011.

ELOÍ, 3D. eloiraiolfotografando.blogspot.com

FRESCA, T. Aspectos do processo de verticalização de Londrina/PR. SIMPGEO. 2009, Ponta Grossa, p.1-24.

GOOGLE EARTH. http:earth.google.com. Imagens diversas, 2014 - Mapeamento pontual.
JORNAL DIÁRIO DO PARÁ, 2013 e 2014. http://diariodopara.diarioonline.com.br/N-77434.html. 

OLIVEIRA, J. et. al. A verticalização em Belém-Pará, Brasil, nos últimos trinta anos: a produção de espaços segregados e as transformações socioambientais. Anais do X Encontro de Geógrafos da América Latina, USP.

PINTO, Lúcio Flávio. Jornal Pessoal: A agenda Amazônica de Lúcio Flávio Pinto. Belém.

MENDES, C. O processo de verticalização no centro de Maringá-PR, 2003. Revista Scielo.

PHILCARTO. http://philcarto.free.fr

SOMEKH, N. A Cidade Vertical e o urbanismo modernizador. São Paulo: Studio Nobel/Fapesp, 1997. (Coleção Cidade Aberta).



5. ALGUNS SERVIÇOS DE GEOPROCESSAMENTO











terça-feira, 26 de agosto de 2014

Cartografia e Impactos Ambientais na Ilha de Mosqueiro em Belém/PA






Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
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Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
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gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. INTRODUÇÃO

O crescimento urbano acelerado e desordenado das cidades causa sérios prejuízos à qualidade ambiental, devido a pressão antropogênica sobre os recursos naturais, contribuindo para o desflorestamento, contaminação hídrica, queimadas, assoreamento, extinção de espécies nativas, entre outros. Nessa postagem, iremos enfatizar alguns impactos ambientais que vem afetando diretamente o Distrito de Mosqueiro, no município de Belém, com o auxílio de imagens de satélite da área de estudo, sendo recursos tecnológicos importantes na visualização de problemas ambientais, podendo ser usado no direcionamento de políticas ambientais.

Palavras-chave: Ilha de Mosqueiro. Belém.  



2. MATERIAIS E MÉTODOS

Nesta postagem, utilizamos como fontes trabalhos de dissertação e de conclusão de curso sobre alguns dos impactos ambientais que Mosqueiro vem enfrentando na atualidade. Foi usado o software Google Earth como ferramenta para visualizar algumas problemáticas em questão através de imagens de satélite disponíveis do local.



3. DESENVOLVIMENTO
3.1 ILHA DE MOSQUEIRO EM BELÉM/PA 


As primeiras habitações de Mosqueiro surgiram por volta do século XVIII, com a vinda de colonizadores portugueses para a ilha, deparando-se com os residentes locais da época, os índios tupinambás. Nesse período, a prática dos indígenas conhecida como moqueio (Processo de conservação de animais putrescíveis) deu origem ao nome da ilha, que após variações linguísticas, passou a ser chamado de moquear e posteriormente, tornou-se Mosqueiro (TAVARES, et. al, 2007).

A partir do século XIX, com o ciclo da borracha na Amazônia, o espaço começou a se valorizar devido a proximidade com Belém, que naquele período passava por um intenso desenvolvimento econômico, contribuindo para a chegada da eletricidade, meios de transporte interno e edificação de residências luxuosas na ilha no início do século XX (NASCIMENTO, E, 2009). Nos anos 60, era o principal destino de férias da classe média e alta da capital, sendo responsáveis pelas construções de casas na orla das praias (FURTADO, 2008)

Antes da inauguração da ponte em 1967 que liga a Região Metropolitana de Belém à ilha de Mosqueiro, o acesso se dava somente por navios pela Baía de Guajará e do Marajó, por isso era quase restrita a elite lo e aos estrangeiros moradores da capital. Com a abertura da via terrestre, o número de veranistas aumentou significativamente, sendo refúgio durante os finais de semanas, feriados e férias, com linhas de ônibus regulares partindo do bairro de São Brás.

Hoje, a ilha de Mosqueiro e outras menores fazem parte do Distrito de Mosqueiro que está incorporado ao município de Belém/PA (MAPA 01). O local está a 70 km do centro da capital e tem uma população de aproximadamente 30.000 habitantes (IBGE, 2010). É o balneário mais frequentado do Pará, com estimativa de quase 300.000 veranistas em cada fim de semana de Julho, que vão atrás principalmente dos 17 km das várias praias existentes (PREFEITURA MUNICIPAL DE BELÉM, 2014).


Mapa 01. Ilha de Mosqueiro em Belém e no Estado do Pará (Brasil)
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (Geógrafo)


3.2 IMPACTOS AMBIENTAIS COMUNS
3.2.1 Desmatamento 

A ocupação desordenada por meio da expansão de moradias precárias, a especulação imobiliária, extração de madeira e de areia irregular, e mais a abertura de vias marginais têm sido os principais motivos para o aceleramento do desmatamento na ilha de Mosqueiro em Belém. Esse quadro tem sido agravado pela intensa migração de famílias com baixa renda, devido a abundância e os preços mais atrativos dos terrenos em Mosqueiro do que na sede municipal de Belém. 

A profusão de praias e uma orla turística com uma infraestrutura razoável tornam-se atrativos da ilha como ponto de lazer. Mais recentemente (Meados dos anos 90), o boom imobiliário da cidade de Belém tem contribuído para alta demanda por areia e provocado a sua extração em lugares cada vez mais distantes como em Mosqueiro. Com base nas imagens disponíveis pelo Google Earth, foi mapeado alguns dos problemas relatados acima:


Figura 01. Áreas de extração de areia, expansão urbana e vias recém abertas em Mosqueiro visto no Google Earth (Belém/PA)

Fonte: Autoria própria (2014)


Com base na figura acima, é possível vê que as áreas de extração de areia estão situadas especialmente no bairro do Bonfim, próximo as rodovias principais de Mosqueiro. Grande parte dessas atividades ainda estão em processo de regularização, em que este procedimento deva ser concluído o mais rápido possível, para que não haja impactos ambientais mais significativos, tais como erosão, desflorestamento, queimadas, entre outros.

A área urbana consolidada está em um raio de 3 km em direção ao continente, contemplando os bairros ao oeste de Mosqueiro. A expansão urbana de Mosqueiro segue a área de ocupação mais antiga, sendo com maior força nos bairros a oeste: (Vila, Farol, Chapéu Virado, Ariramba, Natal do Murubira e Murubira), enquanto na porção norte-nordeste (Baía do Sol, Paraíso, Marahu e Sucurijuquara), mostra-se mais vagarosa, ainda com extensas aglomerações florestais, porém com sinais de pressão demográfica, visto no aumento da construção de casas, bares e hotéis.

Nesse sentido, diversas ações vêm sendo realizadas pelos órgãos competentes para coibir um acelerado desmatamento, como o sobrevôo em áreas consideradas críticas, a intensificação da fiscalização ambiental, o mapeamento e o monitoramento das atividades existentes. 

Uma das medidas que pode ser realizada é o aumento de áreas de proteção permanente (APP) na ilha, a elaboração de um zoneamento ecológico e principalmente o seu cumprimento pelo governo municipal, a fim de preservar a biodiversidade existente, garantir melhor qualidade de vida aos seus moradores, utilizar de maneira sustentável seus recursos naturais e implantar um turismo ecologicamente sustentável, sem grandes impactos ambientais.



3.2.2 Lixo urbano e lançamento de esgoto doméstico nas praias

Segundo (FRÉSCA, 2007, apud. NASCIMENTO E, 2009), o lixo é a forma de disposição final de resíduos sólidos, que é caracterizado pela descarga sobre o solo sem medida de proteção ao meio ambiente ou a saúde pública. Nesse caso, infelizmente é bastante comum o acúmulo de lixo doméstico como cocos, garrafas, copos, plásticos em geral e materiais orgânicos na areia (Figura 02) e nas suas margens em várias praias do mundo.

Figura 02. Lixo doméstico em uma praia de Mosqueiro
Fonte: praiasdemosqueiro.blogspot.com


Em Mosqueiro, isso é agravado principalmente nos meses de férias (julho e dezembro), porque não há uma intensificação das ações dos órgãos competentes em saber a destinação desse lixo, assim como é quase inexistente uma política de reeducação ambiental direcionada aos banhistas durante o mês de julho, aliado ainda a insuficiência de lixeiras na orla. Na verdade, todos deveriam ter consciência de sua obrigação de dá uma destinação correta ao lixo que produziu. Por outro lado, é necessário que a Prefeitura Municipal de Belém amplie seus programas direcionados a educação ambiental, principalmente nas praias com maior movimentação, conforme a imagem abaixo:

Mapa 2. Praias com maior movimentação e prioritárias na execução de projetos voltadas a educação ambiental em Mosqueiro (Belém/PA)
Fonte: Autoria própria (2014)


Com base no mapa, as medidas de Educação Ambiental devem contemplar as praias do Farol, Chapéu Virado, Ariramba e Murubira, pelo fato dessa área ter a maior e melhor infraestrutura, com inúmeros bares, restaurantes, farmácias, mercados, praças e consequentemente, ter a maior circulação de pessoas. Esta deve ser a área prioritária dos projetos, inclusive aqueles relacionados ao tratamento de esgoto doméstico despejado por bares e restaurantes na orla, afim de não pôr a saúde dos banhistas em risco.

Caso a situação atual permaneça, os banhistas serão os principais prejudicados, pois estarão em um lugar impróprio para se refrescar do calor. Nesse caso, fica aqui um apelo para que sejam tomadas as devidas providências, como projetos de reeducação e sensibilização ambiental, tratamento do esgoto doméstico de bares e restaurantes da orla, e limpeza urbana mais eficiente em prol da população que frequenta. Alguns dos problemas que os banhistas podem ter são: alergias em geral, verminoses, entre outros. Dessa forma, o blog é a favor da limpeza regular das praias por parte da Prefeitura e dos veranistas também!






3.2.3 Erosão e Poluição sonora


Entre os problemas frequentes, destacamos a ação das marés sobre o relevo, intensificando a erosão nas encostas de algumas praias da ilha, principalmente no norte de Mosqueiro (Baía do Sul, Maraú e Paraíso), em que o poder público tem sido omisso na maioria dos casos, causando indignação por parte dos moradores, por causa da frequência de perdas materiais das barracas de alimentação e de calçadas.

Em relação a poluição sonora, esse é um tipo de problema ambiental mais frequente no mês de julho e de dezembro, principalmente nas áreas com grande quantidade de bares e restaurantes (Mapa 3), porém a Prefeitura tem tomado medidas de contenção para este tipo caso, proibindo o excesso de volume principalmente de carros, a partir das 3h da manhã.


Mapa 3. Áreas com Poluição Sonora frequente em Mosqueiro (Belém/PA)
Fonte: Autoria própria (2014)



4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluímos que a ilha de Mosqueiro vem sofrendo com inúmeras formas de agressão ao meio ambiente, tais como desmatamento, deposição de lixo doméstico em áreas inadequadas, lançamento de esgotos domésticos em algumas praias, erosão e outros, em que a Prefeitura de Belém tem o dever de solucionar tais problemas ou ao menos, amenizar significativamente, para que não surjam adversidades em uma escala maior. Nesse sentido, o referido artigo tem o propósito de chamar atenção das autoridades públicas para tais problemáticas nesta maravilhosa ilha conhecida como bucólica que ao longo dos anos não está sendo cuidada conforme a sua grandiosidade.







5. REFERÊNCIAS

FURTADO, A; JUNIOR, O. Impactos Ambientais do Desmatamento e Expansão Urbana na ilha de Mosqueiro (Belém- PA). Universidade Federal do Pará (UFPA), 2009.

NASCIMENTO, E. Avaliação dos impactos ambientais na região costeira da ilha de Mosqueiro-PA devido a ação antrópica. UNAMA. (Trabalho de conclusão de curso TCC). Belém, 2009.

PREFEITURA MUNICIPAL DE BELÉM. 2014. Disponível em http://www.belem.pa.gov.br/

Praiasdemosqueiro.blogspot.com. 2014. 

VENTURIERI, A. et. al. Avaliação da dinâmica da paisagem da ilha de Mosqueiro, Município de Belém, Pará. Anais do XI Simpósio de Sensoriamento Remoto, Santos. Brasil. 11-18 setembro 1998, INPE.