sexta-feira, 8 de abril de 2016

Amazônia - Patrimônio Biológico Ameaçado




Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. INTRODUÇÃO


O bioma Amazônia possui um território de 4.196.943 Km² - 49,2% do Brasil (IBGE, 2014), enquanto a Amazônia Legal compreende uma área de 5,2 milhões de Km² que representa 61% do território brasileiro, onde está localizado a maior floresta tropical do planeta, com quase toda área de floresta nativa presente no Brasil. Essa área está constantemente ameaçada, sendo desflorestada a um ritmo intenso, principalmente na Amazônia Meridional que abrange o Sul do Amapá; Sudeste e Nordeste do Pará; Oeste do Maranhão; Centro e Norte do Mato Grosso; o estado do Tocantins; Rondônia e o Sudeste do Acre, conhecido como o "Arco do Povoamento Adensado", em que as principais causas desse desflorestamento são: pecuária extensiva, agricultura em larga escala e a atividade mineralógica. O objetivo dessa postagem é destacar a importância dos patrimônio biológico da Amazônia utilizando mapas temáticos, imagens de satélite, fotos e gráficos para destacar a importância dessa região não somente para o Brasil, mas principalmente para o mundo.  


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Na elaboração dessa postagem foram usados materiais do Ministério do Meio Ambiente (MMA); Livros e artigos especializados sobre a Amazônia; Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Imagens de satélite adquiridas no Google Earth Pro; O software Excel para confecção dos gráficos e o software ArcGis para elaboração cartográfica.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 O PATRIMÔNIO NATURAL DA AMAZÔNIA

A Amazônia conserva ainda hoje as principais características de seu patrimônio natural, social e cultural, que lhe confere singularidade no Brasil e no mundo. Conforme o (MMA, 2012), o complexo ecológico transnacional é caracterizado pela contiguidade da floresta que conjuntamente com o amplo sistema fluvial amazônico, unifica vários subsistemas ecológicos distribuídos pelo Brasil e países vizinhos: Guiana Francesa, Guiana, Suriname, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. 


Figura 1. Extensão da Amazônia na América do Sul

Fonte: Adaptado da NASA (2015)


3.1.1 PATRIMÔNIO BIOLÓGICO

Conforme o (MMA, 2012), a Amazônia detém 1/3 das florestas tropicais úmidas do mundo que abrangem 30% da diversidade biológica mundial e apresentam imenso potencial genético com inestimável interesse econômico e oferta de produtos florestais com alto valor no mercado. As questões envolvendo Biopirataria e o Marco da Biodiversidade estão entre os assuntos mais comentados nos últimos anos sobre o potencial genético na Amazônia, pois envolvem diretamente a futuro das florestas tropicais amazônicas (Figura 2 e 3). 


Figura 2. Floresta Amazônica
Fonte: Street View - Google Earth Pro (2015)

Figura 3. Floresta Amazônica
Fonte: photonatural.photoshelter.com


A floresta amazônica apresenta-se como exuberante, sendo formada predominantemente por copas de árvores acima de 50 metros do solo, porém existem três de floresta: Terra Firme, igapó e várzea, ou seja, é constituída por um mosaico de paisagens. A representatividade e abundância das florestas é imensa que cerca de 33% do total do mundo está localizada na Amazônia, ao passo que estima-se que 30% de toda a biodiversidade biológica encontra-se também situada na região (MMA, 2012).



Gráfico 1. Distribuição das Florestas Tropicais no mundo
Fonte dos dados: Ministério do Meio Ambiente (MMA)
Organização: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2015)


Gráfico 2. Diversidade Biológica no mundo
Fonte dos dados: Ministério do Meio Ambiente (MMA)
Organização: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2015)



O desflorestamento (Mapa 1) e as queimadas (Figura 4 e Figura 5) causadas pelas atividades antrópicas são as principais ameaças de todo esse riquíssimo acervo biológico que também engloba espécies da fauna e da flora, muitas endêmicas e desconhecidas por grande parte de pesquisadores brasileiros.


Mapa 1. Desflorestamento na Amazônia Legal (2012)
Fonte: IPAM (2012)


O mapa 1 mostra o desflorestamento acumulado até 2012 na Amazônia Legal (Brasil), sendo mais forte no Sudeste do Acre, Rondônia; Norte do Mato Grosso; Sudeste e Nordeste do Pará; além do Centro-Sul do Maranhão, onde a floresta sucumbiu a ação do homem de maneira mais rápida, convertendo-a em áreas urbanas, agrícolas e principalmente pecuárias. 

O governo brasileiro tem investido em projetos que possam estimar e mapear as queimadas na Amazônia Brasileira, dentre eles está o Projeto Queimadas http://www.inpe.br/queimadas/. Em 2005, foi elaborado um mapa para mostrar aonde as queimadas aconteceram, como podemos visualizar abaixo:


Figura 4. Focos de queimadas na Amazônia Legal em 2005
Fonte: Adaptado de MAPA; EMBRAPA (2005)


Figura 5. Queimada na Floresta Amazônica
Fonte: fapeam.am.gov.br

A figura 4 torna visível os focos de incêndio na Amazônia, em que ocorrem justamente nas áreas mais urbanizadas, onde o processo de ocupação já está consolidado e que orienta-se conforme as rodovias, como a BR-010, BR-163 e BR-234. Normalmente, as áreas de conservação ambiental freiam o avanço do desflorestamento, por isso a constante iniciativa de aumentar o número delas no território brasileiro, apesar da extração ilegal de madeira em algumas ser rotineira. 

O avanço das queimadas ameaçam 1/3 das florestas tropicais do mundo e 30% da sua diversidade biológica. Como dissemos anteriormente, a pecuária extensiva e a agricultura mecanizada são as principais causas do desflorestamento, no qual o Projeto TerraClass (Parceira EMBRAPA/INPE) mapearam o uso da terra das áreas desflorestadas e comprovaram o avanço dessas atividades (Figura 6).


Figura 6. Principais condutores do desflorestamento na Amazônia Legal

Fonte: Adaptado do IMAZON (2015)


Figura 7. Rebanho Bovino na Amazônia
 Fonte: planetasustentável.abril.com.br (2015)

Figura 8. Plantação de Soja na Amazônia
Fonte: planetasustentável.abril.com.br

Figura 9. Mapeamento do uso da terra na Amazônia Brasileira em 2008 e 2010
Fonte: INPE/EMBRAPA (TerraClass)


Conforme a figura acima, é visível o avanço da agricultura mecanizada no total da área antropizada (4,92% em 2008 para 5,39% em 2012), enquanto as áreas de pastagem tiveram uma leve redução de 56,15% em 2008 para 53,41%). É necessário intensificar as operações ambientais na Amazônia, como investir nos equipamentos indispensáveis para a execução do trabalho; aumentar o efetivo de equipes responsáveis por essas operações e principalmente erradicar a corrupção em órgãos de monitoramento ambiental.



4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O patrimônio biológico da Amazônia é um dos mais ricos da Terra, tendo uma diversidade incrível da fauna e flora, assim como a abundância de água. Atualmente, toda essa riqueza está ameaçada, principalmente pelas ações antropogênicas, como a atividade pecuária, a agricultura de grãos (soja, milho, etc), a extração ilegal da madeira, mineração e a própria urbanização, em que é necessário planejar com bastante cautela para não impactar significativamente a região.




5. REFERÊNCIAS


MMA (2003 e 2006). Disponível em http://www.mma.gov.br/estruturas/sca/_arquivos/pas_versao_consulta_com_os_mapas.pdf


MMA (Ministério do Meio Ambiente). Disponível em http://www.mma.gov.br/biomas/amaz%C3%B4nia.

IMAZON. Disponível em http://imazon.org.br/.



quinta-feira, 10 de março de 2016

Marajó/PA - Cartografia dos Indicadores Ambientais



Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
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O USO DE MAPAS TEMÁTICOS NA AVALIAÇÃO DE INDICADORES AMBIENTAIS DA MESORREGIÃO MARAJÓ, PARÁ/BRASIL

Luiz Henrique Almeida Gusmão1; João dos Santos Carvalho2; Tassio Koiti Igawa3 e Bianca Cristina Cirino4

1Geógrafo (UFPA) e Bolsista CNPq, Embrapa Amazônia Oriental.
Email: henrique.ufpa@hotmail.com
2Doutor em Ciências Agrárias; Docente na Universidade Federal do Pará.
Email: carvajo55@yahoo.com.br
3Acadêmico em Agronomia; Bolsista CNPq, Embrapa Amazônia Oriental.
Email: tassio.igawa@gmail.com
4Acadêmica em Eng. Ambiental e Energias Renováveis na Universidade Federal do Pará; Bolsista CNPq, Embrapa Amazônia Oriental.
Email: b.cristina57@yahoo.com


RESUMO

No presente trabalho foram utilizados alguns indicadores ambientais relativo aos municípios da Mesorregião Marajó no estado do Pará de 2010, tais como: a porcentagem de acesso à rede de água, a porcentagem de acesso ao sistema de esgoto e a porcentagem de acesso à coleta de lixo, com o sentido de visualizar as desigualdades socioespacial entre os municípios, a partir da associação desses indicadores com mapas temáticos através do método coroplético. Essa abordagem mostra-se importante ao permitir entender o direcionamento de políticas públicas nesses municípios e as situações mais problemáticas. Os resultados da pesquisa apontam que a maioria dos municípios marajoaras possuem baixos índices de acessibilidade a rede de abastecimento de água, a rede de esgotamento sanitário e de coleta de resíduos, culminando em vários problemas envolvendo-a saúde pública e o meio ambiente, tais como: proliferação de doenças através da água, contaminação do solo e dos corpos hídricos, entre outros. O destaque é a potencialidade dos mapas temáticos para a análise crítica dos indicadores construídos com dados estatísticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e para o software Philcarto que foi utilizado para espacializar às informações pertinentes ao ambiente com o método de mapeamento coroplético.

Palavras-chave: Marajó. Indicadores Ambientais. Mapas Temáticos.

Área de Interesse do Simpósio: Sensoriamento Remoto e Geoprocessamento



1.      INTRODUÇÃO

      O uso de indicadores sociais tem sido intrínseco na consolidação de atividades do planejamento no setor público ao longo do século XX, como sugere Jannuzzi (2015). A disseminação do seu uso decorre da necessidade de avaliar e acompanhar as políticas, assim como do critério de mensuração e comparação de informações demográficas, econômicas, ambientais, entre outras, contribuintes das muitas tomadas de decisões advindas do poder público.
          Os indicadores ambientais associados com mapas são imprescindíveis, ou mais eficientes para a visualização e compreensão de fenômenos do espaço geográfico, considerando que os mapas conseguem expressar de maneira instantânea e clara os espaços para os quais as políticas públicas devem ser direcionadas para amenizar ou solucionar problemas sociais.
  A mesorregião Marajó compreende 16 municípios no Estado do Pará, os quais compõe a área deste estudo devido ser uma região historicamente marginalizada no que tange a baixa capilaridade de políticas públicas, serviços infraestruturais e equipamentos coletivos de proteção e promoção social, voltados ao desenvolvimento sócio-territorial, acarretando problemas em diversos âmbitos, de onde se destacam as dimensões sociais e ambientais.
 Este artigo busca espacializar indicadores ambientais, tais como: acesso a rede de água, da rede de esgoto e a coleta de lixo, tomando como base os domicílios, abrangidos pelos municípios dessa mesorregião e como referência os dados de 2010 disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



2. METODOLOGIA
2.1 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

    A área estudada está inserida na Região Amazônica, mais precisamente no Norte do Estado do Pará, no qual está localizada a Mesorregião do Marajó, abrangendo 16 municípios e possuindo 487.010 habitantes (IBGE, 2010).

Fonte: Autores (2015)
* É expressamente proibido o uso, compartilhamento, publicação e comercialização do mapa sem autorização prévia do autor


2.2 DEFINIÇÕES DE INDICADORES AMBIENTAIS

Os indicadores são utilizados para avaliar o desempenho de políticas ou processos, podendo ser aplicados às questões ambientais, proporcionando uma síntese das pressões sobre o meio ambiente e de possíveis respostas encontradas pela sociedade (FIRJAN, 2008). No entanto, o desafio é utilizar um instrumento de aferição capaz de prover informações e facilitar a validação de diferentes graus de ocorrência ou de intervenção necessária à realidade de um fenômeno, que contribua para a sociedade monitorar as tendências de seu desenvolvimento. Este trabalho selecionou três indicadores ambientais: o índice de acesso à rede água, o de acesso à rede de esgoto e a coleta de lixo dos 16 municípios que formam a mesorregião Marajó no Estado do Pará.


2.3 ELABORAÇÃO DE MAPAS TEMÁTICOS

            Os mapas temáticos sobre saneamento básico foram elaborados com o uso do software francês de Cartografia Temática, conhecido como “Philcarto”, disponível para download em http://philcarto.free.fr. Com ele, cruzaram-se informações estatísticas em formato *txt (texto separado por tabulações) oriundas do IBGE (2010) com uma base cartográfica no formato “Ai” (Adobe Illustrator) para confeccionar os recursos cartográficos sobre acessibilidade a rede água, esgoto e a coleta de lixo dos 16 municípios da Mesorregião Marajó do Estado do Pará.


2.4 ANÁLISE DOS DADOS

         A elaboração dos produtos cartográficos foi sustentada no método de mapeamento coroplético, por oferecer melhor compreensão da distribuição geográfica dos índices de infraestrutura na área de estudo (MARTINELLI, 2011). Para tratamento dos dados relativos à porcentagem dos domicílios com acesso aos serviços de saneamento básico, foi utilizado o método estatístico “Quebras Naturais”, conhecido também como “Jenks”. [...] este é capaz de minimizar a variância intraclasse e maximizar a variância extraclasse (GIRARDI, 2007). Esse recurso exalta a discrepância entre os valores e facilita a compreensão do fenômeno observado.
           
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1 ABASTECIMENTO DE ÁGUA

    O abastecimento de água é realizado através de um sistema constituído por um conjunto de equipamentos e fluxos hidráulicos, cujas instalações são responsáveis pelo suprimento de água para o atendimento das necessidades da população no âmbito local, devendo ser garantido pelo poder público estadual e/ou municipal, no qual é um componente essencial na avaliação ambiental.
Segundo o IBGE (2010), 82,8% da população brasileira tinha acesso à rede geral de distribuição de água. No estado do Pará, este índice alcançou 47,9% e no Marajó, apenas 35,6% da população tinha acesso ao serviço, o que revela um contraste social muito forte no acesso a este recurso indispensável à vida de qualquer ser humano.
A distribuição espacial desse recurso é mostrada pela figura 2, na qual se pode ver que os melhores índices de acesso à rede de água nos domicílios estão no leste do Marajó, principalmente nos municípios de Santa Cruz do Arari (81,8%), Salvaterra (79,4%) e Soure (75,8%). Por outro lado, são visíveis os piores desempenhos localizados no oeste e norte da região, compreendendo os municípios de Chaves (14,8%), Melgaço (11,1%) e Anajás (7,5%), portanto, é evidente que há um contraste muito grande no abastecimento de água potável aos habitantes marajoaras.

Figura 2. Acesso a rede de água nos municípios do Marajó (PA) - 2010
Fonte: Autores (2015)
*É expressamente proibido o uso, o compartilhamento, publicação e a comercialização do mapa sem autorização prévia do autor.

Essa condição é precária, considerando que essa baixa cobertura no acesso a rede de água canalizada, representa um grave problema social, pois contribui para a proliferação de doenças, principalmente as de veiculação hídrica, assim como o desconforto devido ao frequente deslocamento para a captação de água.
É possível notar, também, que dentre os 16 municípios do Marajó, apenas 4 deles (25%) apresentam índices acima da média paraense, restando aos outros 12 (75%) valores abaixo dessa média, denotando que a maior parte dos domicílios marajoaras tem o acesso a rede de água local em condições inferiores as dos demais municípios paraenses e que isso contribui para que esses residentes busquem alternativas para o provimento deste recurso a suas habitações.
Isto é preocupante porque, “No Marajó, o rio serve não apenas como fornecedor de água para as necessidades básicas, mas também como depósito de dejetos fecais, denotando precárias condições de saneamento ambiental” (BRASIL, 2007). A população de Soure, Salvaterra e Santa Cruz do Arari apresenta-se como em menor vulnerabilidade a contrair doenças relacionadas à água, porque esses municípios têm os melhores índices de acesso à rede de distribuição de água potável, acima de 75,8%, relativamente próximo à média brasileira de 82,5%.
Um dos significados dessa constatação é que população de Chaves, Melgaço, Anajás, Portel, Afuá, Curralinho, São Sebastião da Boa Vista e Cachoeira do Arari está mais vulnerável a contrair qualquer doença de veiculação hídrica como: giardíase, amebíase, ascaridíase, esquistossomose, dengue, febre amarela, e outras, uma vez que esses municípios possuem os piores índices de abastecimento de água nos domicílios, abaixo de 34,7%, o que desencadeia muitas vezes, o consumo de água retirada diretamente dos rios e igarapés.
Os dados do IBGE (2010) mostram que a maioria dos municípios do Marajó possuem baixos índices de acessibilidade à rede água nos domicílios, revelando graves problemas socioeconômicos para os residentes, mesmo que essa situação encontre contradições em função da heterogeneidade da distribuição desse serviço pelo território marajoara, uma vez que alguns municípios possuem índices considerados satisfatórios, enquanto outros apresentam estado de penúria.

3.2 COLETA DE LIXO

 Das preocupações envolvendo equipamentos de infraestrutura urbana, a limpeza vem assumindo um papel de destaque entre as demandas da sociedade brasileira e de comunidades locais, como as dos municípios do Marajó, pois está diretamente relacionada à saúde pública, aumentando as discussões em torno da veiculação de doenças, do aspecto ambiental, das condições sociais dos trabalhadores envolvidos na coleta e destinação do lixo, ou nas pressões advindas do setor turístico pela cobrança da regularidade do serviço.
       Conforme o IBGE (2010), 80,2% da população brasileira tinha acesso à coleta de lixo. No Estado do Pará, este índice alcançava 61,1% da população e no Marajó, somente 30,3% tinha acesso a este serviço, o que mostra claramente a condição precária da região de estudo em relação ao patamar estadual e nacional.
O mapa da figura 3 mostra a distribuição dos municípios marajoaras segundo os melhores índices de acesso a coleta de lixo nos seus domicílios. Percebe-se que ela é heterogênea e o destaque é para o município de Soure com 76,3% de acesso a esse serviço, seguido por Santa Cruz do Arari (64%) e Breves (53,8%), com situações opostas aos municípios de Melgaço (24%), Cachoeira do Arari (18,8%) e Chaves (13,5%), cujos desempenhos são os piores da região. Na verdade, essa situação tão desigual no Marajó enfatiza claramente que as prefeituras não têm seguido a mesma lógica quando presta esse serviço à população, o que suscita uma atitude de alerta, já que em muitos domicílios, esse direito não vem sendo garantido, contrariando a Constituição Federal Brasileira.

Figura 3. Porcentagem dos domicílios com acesso a coleta de lixo nos municípios da mesorregião Marajó em 2010.
Fonte: Autores (2015)
*É expressamente proibido o uso, o compartilhamento, a publicação e a comercialização do mapa sem autorização prévia do autor.

Ainda no exame dessa peça de análise (o mapa), é possível perceber claramente que apenas o município de Soure tem índice superior à média do Estado do Pará, constatando-se que os outros 15 municípios (94%) apresentam índices inferiores, ou seja, a maioria dos municípios marajoaras não estão no mesmo patamar de prestação desse serviço à população, e se comparados ao índice estadual, evidencia-se que é necessário um avanço significativo nesse aspecto com vistas à expansão do sistema de coleta.
Outra vez o significado disto é que “a baixa coleta de lixo em grande parte dos municípios do Marajó contribui para que suas populações busquem outras maneiras de eliminar seus resíduos, utilizando muitas vezes o uso do fogo e o descarte a céu aberto” (BRASIL, 2010). Até mesmo o lançamento nos cursos d’ água, o que é ainda mais grave. Este indicador mostra-se essencial quando se pretende avaliar a saúde da população e a proteção ao ambiente, tendo em vista que a irregularidade da coleta de resíduos sólidos está associada ao despejo inadequado e capaz de contaminar diretamente os corpos hídricos, assim como o solo e outros meios.
No Brasil, algumas prefeituras já implantaram sistemas específicos para a coleta de resíduos, mas mesmo no nível nacional, na maioria dos municípios essa destinação tem sido os lixões (MONTEIRO, J. et. al, 2001). É necessário que a coleta de lixo seja acompanhada de disposição adequada desses resíduos para evitar a proliferação de lixões urbanos, principalmente em cidades com alta densidade demográfica, pois os impactos danosos à população e ao meio ambiente são maiores e mais prováveis.

3.3 REDE DE ESGOTO

O acesso ao serviço de esgoto é condição necessária à saúde humana e particularmente, à dignidade das pessoas, mas a participação de homens e mulheres nas atividades econômicas e sociais depende de uma vida saudável, por isso a existência de um sistema de esgoto é imprescindível para o bem-estar de todos, evitando o lançamento indiscriminado de resíduos sólidos e líquidos in natura no meio ambiente, e, por conseguinte, o surgimento de doenças para a população, e poluição dos corpos hídricos e do solo.
Segundo o IBGE (2010), somente 55,4% da população brasileira era atendida pelo sistema de esgoto. No Estado do Pará, apenas 10,2% era beneficiada por esse serviço, e no Marajó não mais que 1,1% da sua população tinha acesso. São dados que refletem a situação da precariedade do esgotamento sanitário e ambiental, em todas as esferas de gestão, em particular, na área de estudo, onde transparece um maior descaso por parte do poder público na expansão desse recurso essencial à manutenção de boa qualidade de vida da população.
A figura 4 espacializa a situação do sistema de esgoto na região e mostra que ele é menos caótico no município de Ponta de Pedras onde o acesso é representado por 9,7% dos moradores, restando-aos demais municípios índices abaixo de 2,5%. Mas os piores desempenhos estão no oeste e norte da região, majoritariamente nos municípios de Salvaterra (0,28%), Portel (0,28%), Melgaço (0,27%) e Cachoeira do Arari (0,16%). Esta análise constata ainda que todos os municípios do Marajó apresentam índices abaixo da média brasileira e mesmo da paraense, reduzida inserção da população no sistema de esgoto permite dizer que grande parte dos marajoaras encontra-se em risco de adquirir doenças relacionadas à dificuldade de descartar o material inservível proveniente dos usos residenciais e/ou outros.

Figura 04. Porcentagem dos domicílios com acesso ao sistema de esgoto nos municípios da Mesorregião Marajó em 2010
Fonte: Autores (2015)
*É expressamente proibido o uso, o compartilhamento, a publicação e a comercialização do mapa sem autorização prévia do autor.

Junior, A (2009) lembra que o déficit dos serviços de água e esgoto “no Brasil é mais acentuado nas populações de baixa renda, nas quais se constatam os maiores problemas de saúde pública”. Ou seja, além da desigualdade existente entre os próprios municípios, ainda prevalece à importância da renda familiar para a acessibilidade a esses sistemas, de modo que aquelas famílias com maior poder aquisitivo buscam contornar esse problema.
O mesmo autor propõe que “o déficit de esgoto e de água no país pode ser explicado através da fragmentação das políticas públicas e da carência dos instrumentos de regularização”, apontando a extinção do Plano Nacional de Saneamento no final da década de 1980” como fator de alta relevância. Lembra também que isso dificulta a implantação de políticas setoriais de água e esgoto, destacando a abrangência do conjunto de leis, e os mecanismos de investimentos e políticas regulatórias, embora isso possa também dificultar a expansão desse sistema nos municípios, levando-os a baixos indicadores de acessibilidade como se pode constatar na mesorregião Marajó.

4. CONCLUSÕES

        O foco na análise dos mapas temáticos permitiu avaliar a acessibilidade de água, esgoto e coleta de lixo no Marajó, e revelou-os como peças úteis para o diagnóstico das disparidades sociais nos municípios ao tornar evidente a precariedade ambiental dos serviços de saneamento básico na maioria dos domicílios, com raras exceções, como a boa oferta de água no município de Soure, Santa Cruz do Arari e Salvaterra, além da satisfatória coleta de lixo em Soure. Sobretudo, tornou possível entender o processo de distribuição desses serviços, e as dificuldades de expansão e melhoria, assim como a condição atual que aparece como alarmante por prejudicar, significativamente, a qualidade de vida da população. 

REFERÊNCIAS
BRASIL. Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável para o Arquipélago do Marajó: resumo executivo da versão preliminar para discussão nas consultas públicas/Governo Federal, Grupo Executivo Interministerial. – Brasília: Ed. do Ministério da Saúde, 2007. Disponível: http://www.sudam.gov.br/Adagenor/PRDA/Plano-Marajo/07_0035_FL.pdf. Acesso em 02/05/2015.
Censo Demográfico 2010. In IBGE. Sistema IBGE de Recuperação Automática – SIDRA. http://www.sidra.ibge.gov.br/cd/cd2010rpu.asp?o=6&i=P. Acesso em 01/04/ 2015.
FIRJAN. Manual de Indicadores Ambientais: Instrumentos de Gestão Ambiental. Rio de Janeiro: DIM/GTM, 2008.
GIRARDI, E. Manual de utilização do programa Philcarto: versão 4x para Windows. Disponível em http://www2.fct.unesp.br/docentes/geo/girardi/Cartografia%20PPGG%202015/MANUAL%20ANTIGO%20PHILCARTO.pdf. 2007. Acesso em 02/04/2015.
JUNIOR, G. AC. Desafios para a universalização dos serviços de água e de esgoto no Brasil. Revis. Panam Salud Púbica. 2009, 25. (6): 548-56.
LEONETTI, et. al. Saneamento básico no Brasil: considerações sobre investimentos e sustentabilidade para o século XXI. Revista de Administração Pública (RPA). Rio de Janeiro 45 (2):331-48. MAR/ABR, 2011.
JANNUZZI, P. Indicadores para diagnóstico, monitoramento e avaliação de programas sociais no Brasil. Revista do Serviço Público. Brasília 56 (2): 137-160. Abr/Jun/2015.
MARTINELLI, M. Mapas da Geografia e Cartografia Temática. 6° ed. ampl. E atual – São Paulo: Contexto, 2011.
MONTEIRO, J. et al. Manual de Gerenciamento Integrado de resíduos sólidos. Rio de Janeiro: IBAM, 2001. Disponível em http://www.resol.com.br/cartilha4/manual.pdf. Acesso em 02/08/2015.
PHILCARTO. Disponível em http://philcarto.free.fr. Acesso em 01/01/2015.







terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Google Earth Aplicado a Análise Temporal da Paisagem





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
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1. Imagens Históricas no Google Earth

A ferramenta "Imagens Históricas" no software Google Earth Pro, disponível em https://www.google.com.br/earth/download/gep/agree.html tem um acervo enorme de imagens aéreas em diferentes anos, principalmente entre 2000 a 2016. Esse recurso é bastante útil quando você pretende mostrar a dinâmica ocorrida no espaço, principalmente em grandes e médias cidades, assim como em locais com mudanças radicais na paisagem. O uso da ferramenta é fácil, como pretendo ensinar:

1) Acesse o Software Google Earth.
2) Pesquise alguma cidade, a sua área de estudo ou qualquer outra parte do planeta.
2) Procure o ícone que parece um relógio em verde na barra superior.
3) Clique no ícone e aparecerá várias opções de imagens por mês e ano.



Figura 01. Ferramenta Imagens Históricas em destaque
Fonte: Google Earth



Figura 02. Zoom no ícone de Imagens Históricas em destaque
Fonte: Google Earth


Figura 03. Barra com a disposição de imagens históricas
Fonte: Google Earth



2. Exemplos do uso de imagens históricas do Google Earth

O espaço geográfico é bastante dinâmico, pois as relações entre o homem e o meio mudam constantemente, principalmente nas cidades, onde a paisagem é constante alterada para dá suporte as necessidades humanas. 

Para destacar como as imagens do Google Earth podem ser usadas em palestras, artigos, apresentações ou seminários, resolvi ilustrar a mudança substancial da paisagem urbana em alguns pontos da cidade de Belém/PA (Brasil), conforme as figuras abaixo:


Figura 04. Dinâmica espacial ao redor de um shopping center na cidade de Belém/PA (Brasil)
Fonte: Imagens Digital Globe 2006, 2009, 2011 e 2015 (Google Earth)

Conforme a figura 04, em 2006, a paisagem ao redor do atual shopping center era totalmente coberta de áreas verdes, inexistindo qualquer sinal de intervenção urbanística. 

Em 2009, é perceptível a abertura de uma futura avenida através dos rastros de lama e areia ao longo do caminho. Em 2011, a avenida já está completamente asfaltada e sinalizada; uma parcela significativa das áreas verdes do local foram suplantadas para dá lugar a construção do que seria um shopping center, um condomínio horizontal e as casas, visto principalmente através dos contornos demarcados no espaço. 

Já em 2015, a paisagem está completamente alterada através da implantação do shopping center, do início das obras de um condomínio horizontal ao lado, da redução de áreas verdes ao redor das casas e da expansão viária.




Figura 05. Imagem Histórica de 2009 e 2015 de uma avenida em Belém/PA (Brasil)
Fonte: Imagens Digital Globe 2009 e 2015 (Google Earth)


Conforme a figura 05, em 2009, a Avenida João Paulo II terminava próximo a uma grande área verde, mas em 2015 já é possível vê a expansão da mesma avenida, onde a vegetação urbana foi suplantada para dá prosseguimento a via. 

O uso da ferramenta pode destacar o impacto das atividades humanas sobre os elementos naturais, como as consequências do desvio de parte da água do Mar de Aral para a irrigação na Ásia Central, visto abaixo:





Figura 06. Mar de Aral em 1986, 2006, 2011 e 2013
Fonte: Imagens NASA (1986), Digital Globe (2006, 2011 e 2013) Google Earth


É visível na imagem que ao longo dos anos, a quantidade de água presente no Mar de Aral vai reduzindo significativamente, alcançando um estado crítico em 2013, onde o mar quase some em meio ao deserto.

Lembramos que para elaborar uma composição das imagens de forma sequencial como mostra na postagem, é necessário usar outros softwares como o Paint ou o Power Point para deslocar e ajustar as figuras. O exercício de compor uma figura comparativa da paisagem é fácil. Faça você mesmo! 



3. Conclusões


O uso da ferramenta "Imagens Históricas" presente no Google Earth é excelente, válida e de fácil utilização na área de pesquisa e ensino, pois consegue destacar a mudança na paisagem, principalmente se for ativada no meio urbano ou em áreas que tiveram substancial alteração paisagística.



4. Referências

LIMA, R. Google Earth aplicado a ensino e pesquisa da Geomorfologia. http://www.revistaensinogeografia.ig.ufu.br/N.5/Art2v3n5final.pdf.

GOOGLE EARTH, 2016. Como visualizar imagens históricashttps://support.google.com/earth/answer/148094?hl=pt-BR.

GOOGLE EARTH, 2016. Imagens Históricashttps://www.google.com.br/earth/explore/showcase/historical.html.