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terça-feira, 15 de setembro de 2020

Amazônia: O que mudou de 1985 para 2018?

 


Luiz Henrique Almeida Gusmão

Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com


#Amazônia: O que mudou de 1985 e 2018?

O Bioma Amazônia é o maior do Brasil e abrange mais oito países. É conhecido pela exuberância e diversidade da sua fauna e flora. Contudo, desde muito tempo tem sido ameaçado por atividades humanas, com destaque para a pecuária e a extração ilegal de madeira.

A partir dos dados do MAPBIOMAS criamos um GIF que enfatiza o desmatamento acumulado no Bioma Amazônia Brasileiro nas últimas décadas. Para isso selecionamos quatro anos: 1985, 1999, 2009 e 2018.


Desmatamento acumulado - Bioma Amazônia (1985-2018)


A partir da animação é possível ver o avanço do desmatamento com o passar dos anos. Entre 1985 e 2018, as áreas mais modificadas foram no: Leste do Acre, Centro-Norte de Rondônia, Norte do Mato Grosso, Sudeste do Amazonas, Nordeste e Sudeste do Pará, Norte do Tocantins e Oeste do Maranhão.

A animação apresenta muito mais do que a perda de florestas e ecossistemas naturais. Trata-se também da extinção ou redução de variadas espécies de mamíferos, aves, reptéis, primatas, insetos etc. Perda esta que nós nunca conheceremos de fato, já que várias ainda são desconhecidas.

Representa a ameaça direta aos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outras sociedades que dependem da natureza para o seu sustento. Parte significativa dessa vegetação e dos rios estão constantemente ameaçados pela contaminação - por mercúrio e outros metais pesados - com a expansão do garimpo ilegal.

Representa a emissão de poluentes - CO2, CH4 etc - para atmosfera que aceleram as mudanças climáticas. Pode representar a futura possibilidade de savanização da Amazônia - algo terrível e difícil de imaginar. Enfim, o vídeo deve nos levar a reflexão sobre a busca do famoso e nem sempre compreensível "desenvolvimento sustentável".

Para não ficarmos apenas no discurso, há formas de nós contribuirmos para a minimização do desmatamento. Aqui está uma relação, que obviamente não cabe a todos:

1) Reduzir o consumo de carne, sobretudo a bovina
2) Boicotar marcas que lucram a base do desmatamento ilegal
3) Comprar produtos à base de madeira com certificado de exploração autorizada
4) Reduzir o consumo de papel - apesar de muitos produtos terem origem da floresta plantada
5) Plantar mudas compatíveis com o ecossistema
6) Fazer dispersão autorizada de sementes em áreas degradadas ou desmatadas
7) Apoiar financeiramente reconhecidas ONGs que atuam diretamente no combate ao desmate
8) Denunciar pessoas e empresas que estão ateando fogo sem controle
9) Coletar assinaturas para criação ou apoio da Secretaria de Meio Ambiente do seu município
10) Coletar assinaturas para criação de áreas de preservação ambiental no seu município
11) Zelar florestas e ambientes naturais

Etc...

Quais outras ideias interessantes você tem? que podem ajudar na minimização do desflorestamento, não só da Amazônia, mas de qualquer outra área tropical?? Nos conte!





sexta-feira, 8 de abril de 2016

Amazônia - Patrimônio Biológico Ameaçado




Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. INTRODUÇÃO


O bioma Amazônia possui um território de 4.196.943 Km² - 49,2% do Brasil (IBGE, 2014), enquanto a Amazônia Legal compreende uma área de 5,2 milhões de Km² que representa 61% do território brasileiro, onde está localizado a maior floresta tropical do planeta, com quase toda área de floresta nativa presente no Brasil. Essa área está constantemente ameaçada, sendo desflorestada a um ritmo intenso, principalmente na Amazônia Meridional que abrange o Sul do Amapá; Sudeste e Nordeste do Pará; Oeste do Maranhão; Centro e Norte do Mato Grosso; o estado do Tocantins; Rondônia e o Sudeste do Acre, conhecido como o "Arco do Povoamento Adensado", em que as principais causas desse desflorestamento são: pecuária extensiva, agricultura em larga escala e a atividade mineralógica. O objetivo dessa postagem é destacar a importância dos patrimônio biológico da Amazônia utilizando mapas temáticos, imagens de satélite, fotos e gráficos para destacar a importância dessa região não somente para o Brasil, mas principalmente para o mundo.  


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Na elaboração dessa postagem foram usados materiais do Ministério do Meio Ambiente (MMA); Livros e artigos especializados sobre a Amazônia; Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Imagens de satélite adquiridas no Google Earth Pro; O software Excel para confecção dos gráficos e o software ArcGis para elaboração cartográfica.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 O PATRIMÔNIO NATURAL DA AMAZÔNIA

A Amazônia conserva ainda hoje as principais características de seu patrimônio natural, social e cultural, que lhe confere singularidade no Brasil e no mundo. Conforme o (MMA, 2012), o complexo ecológico transnacional é caracterizado pela contiguidade da floresta que conjuntamente com o amplo sistema fluvial amazônico, unifica vários subsistemas ecológicos distribuídos pelo Brasil e países vizinhos: Guiana Francesa, Guiana, Suriname, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. 


Figura 1. Extensão da Amazônia na América do Sul

Fonte: Adaptado da NASA (2015)


3.1.1 PATRIMÔNIO BIOLÓGICO

Conforme o (MMA, 2012), a Amazônia detém 1/3 das florestas tropicais úmidas do mundo que abrangem 30% da diversidade biológica mundial e apresentam imenso potencial genético com inestimável interesse econômico e oferta de produtos florestais com alto valor no mercado. As questões envolvendo Biopirataria e o Marco da Biodiversidade estão entre os assuntos mais comentados nos últimos anos sobre o potencial genético na Amazônia, pois envolvem diretamente a futuro das florestas tropicais amazônicas (Figura 2 e 3). 


Figura 2. Floresta Amazônica
Fonte: Street View - Google Earth Pro (2015)

Figura 3. Floresta Amazônica
Fonte: photonatural.photoshelter.com


A floresta amazônica apresenta-se como exuberante, sendo formada predominantemente por copas de árvores acima de 50 metros do solo, porém existem três de floresta: Terra Firme, igapó e várzea, ou seja, é constituída por um mosaico de paisagens. A representatividade e abundância das florestas é imensa que cerca de 33% do total do mundo está localizada na Amazônia, ao passo que estima-se que 30% de toda a biodiversidade biológica encontra-se também situada na região (MMA, 2012).



Gráfico 1. Distribuição das Florestas Tropicais no mundo
Fonte dos dados: Ministério do Meio Ambiente (MMA)
Organização: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2015)


Gráfico 2. Diversidade Biológica no mundo
Fonte dos dados: Ministério do Meio Ambiente (MMA)
Organização: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2015)



O desflorestamento (Mapa 1) e as queimadas (Figura 4 e Figura 5) causadas pelas atividades antrópicas são as principais ameaças de todo esse riquíssimo acervo biológico que também engloba espécies da fauna e da flora, muitas endêmicas e desconhecidas por grande parte de pesquisadores brasileiros.


Mapa 1. Desflorestamento na Amazônia Legal (2012)
Fonte: IPAM (2012)


O mapa 1 mostra o desflorestamento acumulado até 2012 na Amazônia Legal (Brasil), sendo mais forte no Sudeste do Acre, Rondônia; Norte do Mato Grosso; Sudeste e Nordeste do Pará; além do Centro-Sul do Maranhão, onde a floresta sucumbiu a ação do homem de maneira mais rápida, convertendo-a em áreas urbanas, agrícolas e principalmente pecuárias. 

O governo brasileiro tem investido em projetos que possam estimar e mapear as queimadas na Amazônia Brasileira, dentre eles está o Projeto Queimadas http://www.inpe.br/queimadas/. Em 2005, foi elaborado um mapa para mostrar aonde as queimadas aconteceram, como podemos visualizar abaixo:


Figura 4. Focos de queimadas na Amazônia Legal em 2005
Fonte: Adaptado de MAPA; EMBRAPA (2005)


Figura 5. Queimada na Floresta Amazônica
Fonte: fapeam.am.gov.br

A figura 4 torna visível os focos de incêndio na Amazônia, em que ocorrem justamente nas áreas mais urbanizadas, onde o processo de ocupação já está consolidado e que orienta-se conforme as rodovias, como a BR-010, BR-163 e BR-234. Normalmente, as áreas de conservação ambiental freiam o avanço do desflorestamento, por isso a constante iniciativa de aumentar o número delas no território brasileiro, apesar da extração ilegal de madeira em algumas ser rotineira. 

O avanço das queimadas ameaçam 1/3 das florestas tropicais do mundo e 30% da sua diversidade biológica. Como dissemos anteriormente, a pecuária extensiva e a agricultura mecanizada são as principais causas do desflorestamento, no qual o Projeto TerraClass (Parceira EMBRAPA/INPE) mapearam o uso da terra das áreas desflorestadas e comprovaram o avanço dessas atividades (Figura 6).


Figura 6. Principais condutores do desflorestamento na Amazônia Legal

Fonte: Adaptado do IMAZON (2015)


Figura 7. Rebanho Bovino na Amazônia
 Fonte: planetasustentável.abril.com.br (2015)

Figura 8. Plantação de Soja na Amazônia
Fonte: planetasustentável.abril.com.br

Figura 9. Mapeamento do uso da terra na Amazônia Brasileira em 2008 e 2010
Fonte: INPE/EMBRAPA (TerraClass)


Conforme a figura acima, é visível o avanço da agricultura mecanizada no total da área antropizada (4,92% em 2008 para 5,39% em 2012), enquanto as áreas de pastagem tiveram uma leve redução de 56,15% em 2008 para 53,41%). É necessário intensificar as operações ambientais na Amazônia, como investir nos equipamentos indispensáveis para a execução do trabalho; aumentar o efetivo de equipes responsáveis por essas operações e principalmente erradicar a corrupção em órgãos de monitoramento ambiental.



4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O patrimônio biológico da Amazônia é um dos mais ricos da Terra, tendo uma diversidade incrível da fauna e flora, assim como a abundância de água. Atualmente, toda essa riqueza está ameaçada, principalmente pelas ações antropogênicas, como a atividade pecuária, a agricultura de grãos (soja, milho, etc), a extração ilegal da madeira, mineração e a própria urbanização, em que é necessário planejar com bastante cautela para não impactar significativamente a região.




5. REFERÊNCIAS


MMA (2003 e 2006). Disponível em http://www.mma.gov.br/estruturas/sca/_arquivos/pas_versao_consulta_com_os_mapas.pdf


MMA (Ministério do Meio Ambiente). Disponível em http://www.mma.gov.br/biomas/amaz%C3%B4nia.

IMAZON. Disponível em http://imazon.org.br/.