sábado, 2 de novembro de 2013

Belém/PA - Espacialização dos Acidentes de Trânsito com o software Philcarto






Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. INTRODUÇÃO


O progressivo agravamento da violência no tráfego das vias públicas levou as Nações Unidas a proclamar a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011/2020, procurando estabilizar e posteriormente, reduzir as cifras de vítimas em todo o mundo. Em 2009, aconteceram perto de 1,3 milhão de acidentes de trânsito em 178 países. Estima-se que ocorrerá 1,9 milhão de mortes no trânsito em 2020 e 2,4 milhões em 2030 (OMS, 2009). 

Entre 20 a 50 milhões de pessoas sobrevivem com traumatismos e feridas resultantes de acidentes de trânsito, sendo responsável pela principal causa de morte na faixa etária de 15-29 anos de idade; a segunda entre 5-19 anos e a terceira entre 30-44 anos (OMS, 2009). 

Nesse sentido, esta postagem tem o propósito de espacializar os acidentes de trânsito no município de Belém em 2007-2009, para podermos compreender quais bairros estão mais vulneráveis aos acidentes, os que mais concentram, as vias mais frequentes e os principais motivos desses acidentes.

Palavras-chave: Acidentes de trânsito. Belém. Bairros. Espacialização. Philcarto.


2. MATERIAIS E MÉTODOS

A metodologia utilizada será a análise tabelas referentes aos acidentes de trânsito em Belém com base no documento: Mapa da violência 2012 - Acidentes de Trânsito e do Departamento de Trânsito do Pará (DETRAN-PA); a produção de mapas temáticos com o software Philcarto, como os de vulnerabilidade de acidentes de trânsito 2007-2009 pelo método isoplético e o de variação do comportamento dos acidentes de trânsito 2007-2009 pelo método corocromático, com base nos dados disponíveis pela Secretaria Estadual de Segurança Pública do Estado do Pará e do Departamento de Trânsito do Pará (DETRAN-PA).


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Frota de veículos em Belém 2007-2009

Em 2007, a frota de veículos de Belém era de 212.401 veículos, passando para 235.161 em 2008 e em 2009, atingindo 258.220 veículos, ou seja, a frota da cidade entre 2007 a 2009 cresceu 17,7%. (DETRAN-PA, 2009). 

Esse crescimento é percebido nas vias públicas através da sensação de maior lentidão no trânsito, do aumento da poluição sonora e consequentemente da rotina dos acidentes de trânsito. Um dos motivos que estimularam a compra de automóveis pelos brasileiros foi a alíquota baixa do imposto sobre produtos industrializados (IPI) para carros novos, concedido pelo Governo Federal, assim como a facilidade  de crédito na compra de motos. 


Figura 1. Frota do tipo de veículos no município de Belém no período de 2007 a 2009.
Fonte: DTI/UCP/DETRAN-PA

Entre os veículos, a frota de Belém em 2009 é constituída principalmente por automóveis (61,8%), motocicletas (17,3%) e caminhonetes (6,4%). 


3.2 Acidentes de trânsito, feridos e mortos em Belém 2007-2009.

Figura 2. Acidentes, feridos e mortos no município de Belém no período de 2007 a 2009.

Fonte: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA


No período analisado, o número de acidentes em Belém aumentou em (7,2%), o de feridos em (0,8%), enquanto o número de mortos teve uma redução de (31,4%).


Figura 3. Veículos envolvidos em acidentes de trânsito no município de Belém durante o período de 2007 a 2009.
Fonte: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA

Os condutores de automóveis, motocicletas e de ônibus foram os principais envolvidos em acidentes de trânsito em 2009, por estarem em maior número. Houve uma redução de acidentes com bicicletas, por uma expansão de ciclovias em algumas ruas da cidade, em contrapartida, as vans expandiram sua participação, devido a demanda acentuada de passageiros de bairros com baixa oferta de ônibus ou de difícil acesso.


3.3 Espacialização dos acidentes de trânsito nos bairros 2007-2009


Figura 4. Acidentes de trânsito nos 20 bairros onde ocorreram mais acidentes no município de Belém em 2007, 2008 e 2009.
Fonte: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA 2007, 2008 e 2009.

Em 2007, o maior número de acidentes de trânsito ocorreu no bairro do Marco, Umarizal, Marambaia, São Brás e Pedreira e Nazaré, responsáveis por mais da metade dos acidentes, cerca de 52,1%.

Em 2008, o Marco permaneceu como o principal bairro com acidentes de trânsito, seguido do Umarizal, Pedreira, São Brás, Marambaia e Campina, responsáveis por 53,2% dos acidentes.

Em 2009, o bairro do Marco além de permanecer como o principal local dos acidentes de trânsito da cidade, teve um crescimento de 18,7% nos acidentes em relação a 2007, seguido por Marambaia, Umarizal, Pedreira, São Brás e Campina, responsáveis por 53,1%.

Com base dos dados do DETRAN - PA, o número de acidentes aumentou nos bairros em vermelho: Mangueirão, Marambaia, Castanheira, Pedreira, Marco, São Brás, Umarizal, Guamá, Reduto, Cidade Velha e Batista Campos, enquanto nos bairros em verde houve uma redução, a saber: Val-de-Cans, Sacramenta, Telégrafo, Souza, Nazaré, Cremação e Jurunas. A coleta de dados é uma dificuldade dos órgãos competentes, no qual a maioria dos bairros não possui registro, dificultando uma análise mais minuciosa.


Prancha 1. Mapas de vulnerabilidade de acidentes de trânsito em Belém 2007-2009.


Figura 5. Zoom na principal área de vulnerabilidade aos acidentes de trânsito em Belém em 2009 pelo Philcarto.
Fonte: O autor (2013)

JUR - Jurunas; CON - Condor; GUA - Guamá; TER - Terra Firme; UNI - Universitário; CAN - Canudos; SBS - São Brás; CRE - Cremação; NAZ - Nazaré; CAM - Campina; RED - Reduto; UMA - Umarizal; FAT - Fátima; TEL - Telégrafo; MAR - Marco; CUR - Curió Utinga; SOU - Souza; PED - Pedreira; SAC - Sacramenta; MRG - Maracangalha; VAL - Val-de-cans; SOU - Souza; MAB - Marambaia; CAS - Castanheira; MAN - Mangueirão e PQV - Parque Verde.


Figura 6. Zoom na principal área de vulnerabilidade aos acidentes de trânsito em Belém em 2009 pelo Google Earth.
Fonte: Google Earth (2013)

Os mapas elaborados com o software Philcarto através do método isoplético buscou unir os pontos com valores próximos. Acima, os mapas revelam a vulnerabilidade de acidentes de trânsito, ou seja, a condição de risco que os motoristas se encontram. 

Os mapas de 2007, 2008 e 2009 nos revelam a alta e média vulnerabilidade de acidentes de trânsito no centro da cidade (Sul e Sudoeste de Belém), em bairros como Umarizal, Campina, Batista Campos, Cremação, Cidade Velha, Reduto, São Brás e Nazaré, devido a circulação de veículos ser mais intenso nessa área em decorrência da concentração dos mais diversos serviços, da melhor condição financeira de seus habitantes e ser o centro comercial, financeiro e noturno da cidade. 

Bairros próximos ao centro como Marco, Pedreira, Souza, Guamá, Telégrafo, Sacramenta e Jurunas, também são altamente vulneráveis a acidentes de trânsito. O Marco inclusive, se destaca como o primeiro em número de acidentes, por ter um tráfego intenso e "pesado" em suas avenidas, como a Almirante Barroso, a Duque de Caxias, a João Paulo II, a Dr. Freitas, entre outras transversais, pelas suas ruas darem acesso ao Centro da cidade. 

Bairros periféricos e distantes do centro como Mangueirão Parque Verde, também estão entre os principais "palcos" de acidentes, por serem atravessados pela Av. Augusto Montenegro e portanto, terem um tráfego intenso de ônibus, automóveis e motocicletas. 

O bairro do Castanheira, apesar de pequeno em extensão territorial, também tem alta vulnerabilidade a acidente, por ser local dos primeiros quilômetros da BR-316 próximo ao Entrocamento e ao Shopping Castanheira, principalmente depois do estreitamento das vias pelas obras do BRT Belém.

A ausência de informações pelo Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA, pelo DETRAN e pela AMUB, dos outros bairros da cidade fez com que aparecessem com baixa vulnerabilidade à acidentes, no entanto sabemos que é comum tais fatos em Icoaraci e no Tapanã, por exemplo.


Figura 7. Acidentes de trânsito nas principais vias urbanas no município de Belém em 2007, 2008 e 2009.
Fonte: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA 2007, 2008 e 2009.

A partir da figura acima, percebemos que as vias com mais acidentes de trânsito são: Augusto Montenegro, Almirante Barroso, Pedro Álvares Cabral, Senador Lemos, Júlio César e Governador José Malcher, logo as mais movimentadas da cidade. Nesse sentido, foram editados algumas imagens do Google Earth dos principais cruzamentos que devemos ter uma atenção exacerbada.


Figura 8. Áreas de extrema atenção no trânsito em Belém
Fonte: Google Earth (2013)
Org. Luiz Henrique Almeida Gusmão (2013)

Na imagem acima destacamos a entrada/saída de Belém, a área 1: Complexo do Entroncamento e área 2: BR-316 próximo ao Shopping Castanheira.


Figura 9. Área de extrema atenção no trânsito em Belém
Fonte: Google Earth (2013)
Org. Luiz Henrique Almeida Gusmão (2013)

Na imagem acima destacamos o Complexo Viário Daniel Berg, no qual a Av. Pedro Álvares Cabral, Av. Senador Lemos e Av. Júlio César se entrelaçam.


Figura 10. Principais causas dos acidentes de trânsito registrados no município de Belém em 2009.
Fonte: Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA 2009


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que as principais vítimas no trânsito são os jovens (19-24 anos), sendo portanto, mais vulneráveis, em que os automóveis e as motocicletas têm sido os veículos mais envolvidos em acidentes. Em Belém, o número de feridos e de acidentes no trânsito vem aumentando ao longo dos anos, em que o centro da cidade concentra essas tragédias, principalmente o bairro do Umarizal, Campina, São Brás e Nazaré, assim como nos bairros mais próximos ao centro, como Marco, Pedreira, Sacramenta e Guamá, e aos mais distantes do centro como Castanheira, Mangueirão e Marambaia. As avenidas mais movimentadas da cidade, como a Almirante Barroso, Pedro Álvares Cabral e a Augusto Montenegro são as vias com maior número de acidentes e consequentemente mais propensas, resultado de manobras irregulares, falta de atenção, embriaguês alcoólica ao volante e desrespeito a preferencial. Clamo aos motoristas, mais paciência e responsabilidade no trânsito de Belém, enquanto aos órgãos competentes como o DETRAN, DNIT e AMUB, maior fiscalização, comprometimento na execução de obras e sinalização nas ruas, em respeito aos altos impostos pagos por todos nós.


5. REFERÊNCIAS

http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2012/mapa2012_transito.pdf. Acesso em 01/22/2013

GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ. Relatório estatístico de trânsito no Estado do Pará e no município de Belém, período 2007 a 2009. Belém, 2010. Sistema Integrado de Segurança Pública - SISP PA.


Software [Google Earth]. Acesso em 30/10/2013.


Software [Philcarto]. Disponível em philcarto.free.fr.


Software [Phildigit]. Disponível em philcarto.free.fr


maps.google.com.br. Google Maps. Acesso em 28/10/2013.



7. CONTATO

luizhenrique.ufpa@yahoo.com (Email)

geocartografiadigital.blogspot.com (Blogger)









domingo, 6 de outubro de 2013

Bairros mais populosos de Belém em 1960 e 2010



Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com


1. INTRODUÇÃO

Essa postagem tem o objetivo de revelar quais eram os bairros mais populosos de Belém em 1960 e em 2010, com base nos dados disponíveis no livro: um estudo de Geografia Urbana em Belém do Geógrafo Antônio Rocha Penteado e pelo Anuário Estatístico de Belém, respectivamente, para ser analisado a dinâmica populacional dos mesmos. A dificuldade no acesso de dados mais remotos e de mais atuais sobre a população dos bairros da cidade se tornou um empecilho na análise entre a década de 70 a 90, mas é possível perceber uma mudança significativa nesse recorte temporal, através de gráficos, tabelas e mapas temáticos.

Palavras-chave: Belém. Bairros. População


2. METODOLOGIA

Para alcançamos os objetivos propostos, foi realizado uma revisão bibliográfica na obra: Geografia Urbana de Belém  de PENTEADO (1968), o Anuário Estatístico de Belém da Prefeitura Municipal de Belém (2010); o software Excel 2007 na construção de gráficos e de tabelas dos bairros e os softwares ArcGis e QGIS na produção de dois mapas temáticos, com o método Corocromático, para a identificação dos bairros mais populosos na década de 60 e no ano de 2010.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 População de Belém em 1960

Na década de 60, o município de Belém tinha uma população de 359.988 habitantes distribuída por 20 bairros (PENTEADO, 1968). Mas quais eram os bairros que mais aglomeravam os belenenses naquela época em termos absolutos e relativos?


Figura 1. População dos bairros mais populosos de Belém na década de 60
Fonte: PENTEADO (1968)
Organização: Luiz Henrique Almeida Gusmão

No quadro acima percebemos os dez bairros mais populosos da capital paraense na década de 60, destacando o MarcoUmarizalTelégrafo sem FioJurunas e a Pedreiras. Com base nessas informações foi gerado um mapa temático com o software QGIS para podermos visualizar a localização deles.


Figura 02. Mapa dos bairros mais populosos de Belém em 1960

Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2018)


Conforme o mapa, os bairros mais populosos nos anos 60 estavam principalmente na zona norte da cidade, onde a maioria de sua população era de baixa renda (PENTEADO, 1960). Nessa área começava a se intensificar o processo de migração, sobretudo de pessoas oriundas do interior do Pará e de alguns estados nordestinos. 

No sul de Belém, o bairro do Jurunas e Condor já se destacavam como locais populosos da cidade, em que a maioria de sua população também era de baixa renda (PENTEADO, 1960). Os bairros centrais daquela época eram: Campina, Nazaré, Batista Campos e Cidade Velha. 

Neles já haviam moradias das classes mais abastadas, possuindo parte do seu terreno destinado as atividades comerciais, institucionais e de lazer, tais como praças públicas.

Os dez bairros mais populosos de Belém eram responsáveis por 68,7% de toda a população da cidade, no qual a maioria estava situado dentro da *Primeira Légua Patrimonial, com exceção do Souza.

Ou seja, a maioria dos belenenses morava na principal porção de terra doada pelo então Governador do Maranhão e Grão-Pará em 1703. Desde esse momento, a população foi crescendo, em ritmo menos acelerado, em direção as atuais Rodovias Augusto Montenegro, Arthur Bernardes e BR-316.


Figura 03. Mapa da Primeira Légua Patrimonial e vetores de expansão demográfica de Belém em 1960.
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2018)

*Primeira Légua Patrimonial: Trata-se de uma porção de terra de 4.110 hectares que em 01/10/1627, foi doada, e demarcada oficialmente em 1703, obedecendo o traço de uma légua em arco quadrante das margens do Rio Pará em direção ao sul e do Guamá em direção ao norte. Essa doação foi efetuada por meio da carta de sesmaria, pelo então Governador do Maranhão e do Grão-Pará  - Francisco de Carvalho `Câmara Municipal de Belém (MEIRA FILHO, 1976)



3.2 População de Belém de 1960 para 2010


Após 50 anos...será que mudou esse quadro? 

Sim!. Belém teve um crescimento acelerado e desordenado, em decorrência das altas taxas de natalidade e do intenso fluxo migratório do interior do Pará e do Maranhão. Esse processo resultou na expansão da malha urbana de Belém, sobretudo as margens da Rodovia Augusto Montenegro (Antiga estrada que dava acesso ao distrito de Icoaraci), da Av. Almirante Barroso (Antiga Av. Tito Franco) e da Rodovia BR-316 (Antiga Estrada de Ferro Belém-Bragança). 

A população de Belém passou de 359.988 habitantes na década de 60 para cerca de 1.393.399 habitantes em 2010 (IBGE, 2010). Sendo assim, cresceu 287% e se tornou metrópole regional do Brasil

Esse crescimento urbano foi se espraiando em direção ao município de Ananindeua, propiciando na década de 80, a institucionalização da Região Metropolitana de Belém, formada pelas duas cidades.

No ano de 2010, a "Grande Belém" ou a RMB atingiu a soma de 2.141.618 habitantes (IBGE, 2010), constituída por 6 municípios (Belém, Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara do Pará, Benevides e Santa Isabel do Pará).


Figura 4. População de Belém (1960-2010)
Fonte: PENTEADO (1968) e IBGE (2010)
Organização: Luiz Henrique Almeida Gusmão


Em 2010 existiam 71 bairros na malha urbana da cidade, cerca de 51 a mais do que em 1960! 

Esses novos bairros foram sendo incorporados a Belém em períodos diferentes, como aqueles ao longo da Rodovia Augusto Montenegro (Mangueirão, Cabanagem, Parque Verde, Bengui, Tapanã e outros), da Rodovia Arthur Bernardes (Miramar, Val-de-Cans, Pratinha, Paracuri e outros), do início da Rodovia BR-316 e de suas transversais (Castanheira, Guanabara, Aurá e Águas Lindas), os da Ilha de Mosqueiro (Vila, Paraíso, Baía do Sol, Praia Grande, Marahu e outros) e da Ilha de Caratateua ou Outeiro (Água Boa, São João do Outeiro, Itaiteua e outros). 

Contudo, quais eram os bairros mais populosos da cidade no ano de 2010? Último dado disponível pelo censo.


Figura 5. Bairros mais populosos de Belém em 2010
Fonte: ANUÁRIO ESTATÍSTICO DE BELÉM (2010)
Organização: Luiz Henrique Almeida Gusmão


No quadro acima, nos deparamos com os bairros mais populosos em 2010, dos quais merece destaque o Guamá, a Pedreira, a Marambaia, o Tapanã e o Marco. O mapa abaixo destaca a distribuição dos bairros mais populosos da cidade para o ano de 2010.


Figura 6. Mapa dos bairros mais populosos de Belém em 2010 
Fonte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2018)

Segundo o mapa, os bairros mais populosos de Belém ainda estavam na Primeira Légua Patrimonial, principalmente ao longo da avenida Perimetral, Dr. Freitas, Senador Lemos e Pedro Álvares Cabral. Percebe-se que a maioria deles constituem a chamada periferia imediata, por estar a menos de 10 km do centro da cidade. 


Realizando uma analogia com os maiores em 1960, percebemos que a Terra Firme e a Marambaia nem aparecem entre os maiores naquele ano; a Pedreira, o Marco, o Telégrafo, o Jurunas, o Guamá e a Sacramenta continuam entre os mais populosos; o Tapanã e o Coqueiro nem existiam em 1960. Já o bairro do Guamá é o mais populoso da cidade com mais de 100.000 habitantes, maior até que municípios da Grande Belém.



4. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Conclui-se que entre 1960 e 2010, a malha urbana de Belém expandiu consideravelmente, repercutindo na existência de 71 bairros, assim como a população que passou de 359.899 para 1.393.399 habitantes. A dinâmica demográfica foi bastante significativa, em que muitos são mais populosos do que municípios da Região Metropolitana. Esse "inchaço" populacional muitas vezes não é positivo, porque a demanda por serviços básicos de saúde, saneamento básico, educação, lazer e outros nem sempre é acompanhada pela execução de obras pela prefeitura, contribuindo para o aumento do desemprego, da violência urbana, da desigualdade socioespacial, na precariedade das moradias e na disseminação de doenças.





5. REFERÊNCIAS

PENTEADO, A. R. Belém do Pará: Estudo de Geografia Urbana. Vol. 1. Coleção Amazônica. Série José Veríssimo. Universidade Federal do Pará - UFPA. 1968.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico 2010. IBGE. 


BELÉM. Anuário Estatístico de Belém. Prefeitura de Belém, 2010. 


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Belém (PA): Áreas verdes no bairro do Barreiro, Telégrafo e Sacramenta.

 Luiz Henrique Almeida Gusmão
Graduando em Licenciatura e Bacharelado em Geografia (UFPA)
Contato: (91) 98306-5306

1. INTRODUÇÃO

A partir dessa primeira postagem, será mostrada a situação das áreas verdes nos bairros da Primeira Légua Patrimonial de Belém, com base em imagens de satélite de 2010 do Google Earth. No primeiro, será apresentada a situação dos bairros do Barreiro, Telégrafo e Sacramenta de acordo com a vetorização de áreas verdes nos bairros, como praças, parques, jardins, estádios de futebol, arborização no centro de vias, de complexos turísticos com áreas verdes, áreas de recreação com áreas verdes, quintais de casas com áreas verdes significativas. O propósito será uma amostra da situação aparente do bairro, com o intuito de avaliar a qualidade de vida em geral dos residentes.

Palavras-chave: Áreas verdes. Prefeitura de Belém. Barreiro. Telégrafo. Sacramenta


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Será apresentado imagens de satélite do Google Earth do bairro do Barreiro, Telégrafo e Sacramenta com base na fundamentação teórica de CAVALHEIRO (1992); DEL PICCHIA (1992); LIMA (1994) e MOREIRO (2007).


3. DESENVOLVIMENTO

Para Geiser et al. (1975, p. 30) (apud CAVALHEIRO; DEL PICCHIA, 1992), as áreas verdes são "[...] áreas com vegetação fazendo parte dos equipamentos urbanos como parques, jardins, cemitários existentes, áreas de "pequenos jardins", alamedas, bosques, praças de esportes, "playgrounds", "plays-lots", "balneários", "camping" e margens de rios e lagos"

Contrários a esta ideia, Moreiro et al (2007, p.20) entende que:
                   [...] as áreas verdes engloba locais onde predominam a vegetação arbórea, praças, jardins e parques, e sua distribuição deve servir a toda população, sem privilegiar qualquer classe social e atingir as necessidades com sua estrutura e formação, como idade, educação, nível sócio-econômico.


Lima et al (1994) considera que é necessário um esforço para que os termos utilizados para a classificação da vegetação urbana sejam discutidos de forma convergente. Para eles, espaço livre é um termo mais abrangente que áreas verdes.

Nesse sentido, admitimos como áreas verdes, locais como praças, parques e jardins urbanos, complexos turísticos com vegetação arbórea significativa, gramados de estádios, vias com vegetação arbórea significativa no centro, no qual podem de alguma forma amenizar a temperatura local, proporcionar sombreamento, recreação e lazer, de forma a discutir a situação dos bairros da cidade. 

Figura 1. Áreas verdes no bairro do Barreiro.
Fonte: Editado por GUSMÃO, L. H (2013)


A imagem acima revela pequenos fragmentos de áreas verdes no bairro do Barreiro, devido a existência de quintais com árvores ou gramados. Não há nenhuma praça ou espaço verde para os seus 24.446 habitantes (IBGE, 2012), resultando no deslocamento para praças do bairro da Sacramenta e para outros bairros mais verdes da cidade. É um bairro periférico e com altos índices de violência, onde a maioria de sua população é de baixa renda, no qual necessitam de espaços de recreação e lazer no bairro. Sua formação está ligada a ocupação do Canal São Joaquim na década de 70 e ao crescimento desordenado pela população de baixo poder aquisitivo.



Figura 2. Áreas verdes no bairro do Telégrafo
Fonte: Editado por GUSMÃO, L. H. (2012)

A imagem acima revela as áreas verdes no bairro do Telégrafo a partir do Google Earth, onde é possível vê razoáveis quantidades de verde, no entanto, a maioria desses espaços são fragmentos de áreas desmatadas, de pequenas praças sem manutenção ou canteiros centrais verdes. Nesse bairro de 42.785 habitantes (IBGE, 2012), não há nenhuma praça ou espaço verde significativo, apesar da Praça Cruzeiro ser há tempos atrás, um espaço verde razoável, mas hoje resta um espaço com areia no qual crianças de todas as idades brincam, sem brinquedos na praça ou gramado verde. Muitos espaços verdes foram sendo substituídos por moradias, prédios públicos e comerciais ao longo do tempo.


Figura 3. Áreas verdes no bairro da Sacramenta
Fonte: Editado por GUSMÃO, L. J. (2013)

  A imagem acima revela as áreas verdes no bairro da Sacramenta a partir do Google Earth, onde é possível perceber a existência de três praças: João Dias Paes, próxima a uma universidade particular; a São Sebastião, em frente a uma igreja de mesmo nome e a Júlio César, próximo ao elevado Daniel Berg. Nesse bairro, as praças estão situadas em locais distantes uns dos outros, permitindo um acesso pelos moradores de diferentes partes, no qual é visível a espacialização desses espaços de forma descentralizada. A maioria das ruas possuem uma péssima arborização, devido a Prefeitura da cidade não se atenta para a manutenção das mesmas, refletindo em ruas mais quentes pela pavimentação asfáltica.



 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que o Bairro do Barreiro e do Telégrafo são carentes em áreas verdes, no qual o crescimento desordenado contribuiu enormemente para a conversão das mesmas em áreas impermeabilizadas, viabilizando a malha urbana, principalmente na década de 70 e 80, suscitando na sensação térmica acima de 37 e 38 graus celsius nas ruas pela população. O bairro da Sacramenta, apesar de ser mais arborizado do que os dois primeiros, ainda está bem abaixo do recomendável de áreas verdes ideal, apesar da existência de três praças e algumas vias arborizado, no entanto muitas dessas áreas estão sem manutenção ou sem segurança policial, o que muitas vezes contribui para afastar os moradores. É necessário por parte da Prefeitura de Belém, uma ampliação das áreas verdes nesses bairros, uma vez que os espaços livres de lazer estão cada vez mais escassos. Clamo para a manutenção das praças na Sacramenta, na construção de uma praça no Barreiro e no Telégrafo, beneficiando cerca de 111.638 pessoas (AEB, 2010).



quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Belém (PA) - Áreas verdes no bairro da Terra Firme, Canudos e Universitário.



Luiz Henrique Almeida Gusmão
Graduando em Lic/Bac. em Geografia pela Universidade Federal do Pará
Estagiário no Laboratório de Sensoriamento Remoto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA AMAZÔNIA ORIENTAL)
Instrutor/Monitor dos softwares: Phildigit, Philcarto, Google Earth e Adoe Illustrator aplicado a Cartografia Temática

RESUMO: A partir dessa primeira postagem, será mostrada a situação das áreas verdes nos bairros da Primeira Légua Patrimonial de Belém, com base em imagens de satélite de 2010 do Google Earth. No primeiro, será apresentada a situação dos bairros da Terra Firme, Universitário e Canudos de acordo com a vetorização de áreas verdes nos bairros, como praças, parques, jardins, estádios de futebol, arborização no centro de vias, de complexos turísticos com áreas verdes, áreas de recreação com áreas verdes, quintais de casas com áreas verdes significativas. O propósito será uma amostra da situação aparente do bairro, com o intuito de avaliar a qualidade de vida em geral dos residentes.

Palavras-chave: Áreas verdes. Prefeitura de Belém. Terra Firme. Canudos. Universitário.


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Será apresentado imagens de satélite do Google Earth do bairro da Terra Firme, Universitário e Canudos com base na fundamentação teórica de CAVALHEIRO (1992); DEL PICCHIA (1992); LIMA (1994) e MOREIRO (2007).


3. DESENVOLVIMENTO

Para Geiser et al. (1975, p. 30) (apud CAVALHEIRO; DEL PICCHIA, 1992), as áreas verdes são "[...] áreas com vegetação fazendo parte dos equipamentos urbanos como parques, jardins, cemitários existentes, áreas de "pequenos jardins", alamedas, bosques, praças de esportes, "playgrounds", "plays-lots", "balneários", "camping" e margens de rios e lagos" Contrários a esta ideia, Moreiro et al (2007, p.20) entende que:

                   [...] as áreas verdes engloba locais onde predominam a vegetação arbórea, praças, jardins e parques, e sua distribuição deve servir a toda população, sem privilegiar qualquer classe social e atingir as necessidades com sua estrutura e formação, como idade, educação, nível sócio-econômico.

Lima et al (1994) considera que é necessário um esforço para que os termos utilizados para a classificação da vegetação urbana sejam discutidos de forma convergente. Para eles, espaço livre é um termo mais abrangente que áreas verdes.

Nesse sentido, admitimos como áreas verdes, locais como praças, parques e jardins urbanos, complexos turísticos com vegetação arbórea significativa, gramados de estádios, vias com vegetação arbórea significativa no centro, no qual podem de alguma forma amenizar a temperatura local, proporcionar sombreamento, recreação e lazer, de forma a discutir a situação dos bairros da cidade. 



Figura 1. Áreas verdes no bairro da Terra Firme.
Fonte: Editado por GUSMÃO, L. H. (2013)

Segundo o Anuário Estatístico de Belém 2011, o bairro da Terra Firme possui 62.740 habitantes e uma densidade demográfica de 265,85 habitantes por hectare, caracterizando-o como um bairro populoso e densamento povoado. Na imagem acima percebe-se a carência de áreas verdes no bairro, onde há apenas a Praça Olavo Bilac com pouca área de sombreamento disponível a população e outras áreas verdes isoladas e privadas, sem grande expressão. A Terra Firme é um bairro que cresce rapidamente a partir da década de 70, resultado do grande número de migrantes, principalmente do Nordeste do país e do Interior do Estado do Pará, onde o preço da terra era baixo, devido as péssimas condições de infraestrutura e da carência de serviços básicos. É caracterizado como um bairro carente e periférico, onde seus habitantes tem um baixo poder aquisitivo. Diante disso, é possível dizer que sua população se dirige para bairros com mais áreas verdes, como Campina, Batista Campos e Cidade Velha.





Figura 2. Áreas verdes no bairro do Canudos
Fonte: Editado por GUSMÃO, L. H. (2013)

Segundo o Anuário Estatístico de Belém 2011 (AEB), o bairro de Canudos possui 14.612 habitantes e uma densidade demográfica de 187,33 habitantes por hectare, caracterizando-o como um bairro pouco populoso e altamente povoado. Na imagem acima, é possível perceber que não há nenhuma praça ou área verde significativa, com exceção de alguns quintais com área verde, no entanto é privado, ou seja, os habitantes desse bairro têm que deslocar para outros bairros. É residência de classe média no oeste, mais próximo do bairro de São Brás e a leste, reside a classe baixa



Figura 3. Áreas verdes no bairro Universitário
Fonte: Editado por GUSMÃO, L. H. (2013)

Segundo o AEB (2011), o bairro do Universitário possui 2.629 habitantes e uma densidade demográfica de 5,75 habitantes por hectare, caracterizando-o como pouco populoso e povoado. Na imagem acima, é possível verificar a abundância de áreas verdes, através de pequenas praças, nas margens dos rios, no entorno dos institutos de pesquisa e ensino da UFPA, entre outros, ou seja, é um bairro com áreas verdes significativas, resultado de um planejamento orientado na preservação e criação de áreas verdes dentro do campus universitário. Nesse bairro está presente a UFPA, com seus prédios de ensino, pesquisa, restaurantes, bibliotecas, estacionamentos, espaços de lazer, etc e algumas residência ao longo do canal do Tucunduba e da margem direita da Av. Perimetral e da Rua Augusto Corrêa.


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para não concluir, o bairro de Canudos e da Terra Firme estão em uma situação caótica em relação as áreas verdes, pois quase não há esses espaços dentro dos limites dos mesmos, propiciando o deslocamento para outros bairros com praças e áreas verdes significativas, no qual cerca de 77.308 pessoas sofrem diariamente com a falta de arborização e de espaços públicos verdes, enquanto no bairro do Universitário há abundância desses espaços, principalmente para as pessoas que circulam diariamente no campus universitário, já que nesse bairro reside poucas pessoas.