sexta-feira, 19 de julho de 2013

Belém (PA) - Áreas verdes no bairro do Jurunas, Condor e Guamá.

Luiz Henrique Almeida Gusmão
Graduando em Geografia pela Universidade Federal do Pará
Instrutor/Monitor dos softwares: ArcGis, QGIS e  Google Earth
Mapas, Palestras e COnsultoria em Geoprocessamento e Cartografia (91) 98306-5306



1. INTRODUÇÃO

A partir dessa primeira postagem, será mostrada a situação das áreas verdes nos bairros da Primeira Légua Patrimonial de Belém, com base em imagens de satélite de 2010 do Google Earth. No primeiro, será apresentada a situação dos bairros do Jurunas, Guamá e Condor de acordo com a vetorização de áreas verdes nos bairros, como praças, parques, jardins, estádios de futebol, arborização no centro de vias, de complexos turísticos com áreas verdes, áreas de recreação com áreas verdes, quintais de casas com áreas verdes significativas. O propósito será uma amostra da situação aparente do bairro, com o intuito de avaliar a qualidade de vida em geral dos residentes.

Palavras-chave: Áreas verdes. Prefeitura de Belém. Jurunas. Condor. Guamá.


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Será apresentado imagens de satélite do Google Earth do bairro do Jurunas, Condor e Guamá com base na fundamentação teórica de CAVALHEIRO (1992); DEL PICCHIA (1992); LIMA (1994) e MOREIRO (2007).


3. DESENVOLVIMENTO

Para Geiser et al. (1975, p. 30) (apud CAVALHEIRO; DEL PICCHIA, 1992), as áreas verdes são "[...] áreas com vegetação fazendo parte dos equipamentos urbanos como parques, jardins, cemitários existentes, áreas de "pequenos jardins", alamedas, bosques, praças de esportes, "playgrounds", "plays-lots", "balneários", "camping" e margens de rios e lagos"
Contrários a esta ideia, Moreiro et al (2007, p.20) entende que:
                   [...] as áreas verdes engloba locais onde predominam a vegetação arbórea, praças, jardins e parques, e sua distribuição deve servir a toda população, sem privilegiar qualquer classe social e atingir as necessidades com sua estrutura e formação, como idade, educação, nível sócio-econômico.


Lima et al (1994) considera que é necessário um esforço para que os termos utilizados para a classificação da vegetação urbana sejam discutidos de forma convergente. Para eles, espaço livre é um termo mais abrangente que áreas verdes.

Nesse sentido, admitimos como áreas verdes, locais como praças, parques e jardins urbanos, complexos turísticos com vegetação arbórea significativa, gramados de estádios, vias com vegetação arbórea significativa no centro, no qual podem de alguma forma amenizar a temperatura local, proporcionar sombreamento, recreação e lazer, de forma a discutir a situação dos bairros da cidade. 

Abaixo será apresentado a situação das áreas verdes e áreas livres dos bairros listados:


Figura 1. Áreas verdes no bairro do Jurunas.
Fonte: Editado no Google Earth por GUSMÃO, L.H (2013)


O bairro do Jurunas, segundo o Anuário Estatístico de Belém (PREFEITURA DE BELÉM, 2010), tem 62.740 habitantes e 265,85 hab/ha, configurando-o como populoso e com alta densidade demográfica, no qual uma parcela significativa de sua população é de classe baixa. 

Na imagem acima, percebemos a existência da Praça Amazonas (noroeste) e poucas vias arborizadas, especialmente no Noroeste do bairro, já na proximidade com o bairro da Batista Campos.  Os locais com menos áreas verdes são aqueles ao longo da Bernardo Sayão e na fronteira com o bairro do Condor.

Há muitas áreas verdes privadas (quintais de casas) e poucas públicas (praça Veiga Cabral e praça Amazonas), ou seja, há pouca áreas verdes. Como a área da praça Amazonas é insuficiente para a demanda do bairro, muitos jurunenses vão em direção a Praça Batista Campos e a Praça da República, em bairros próximos, mas que exige a condução por linhas de ônibus, táxis e automóveis.


Figura 2. Áreas verdes no bairro do Condor
Fonte: Editado no Google Earth por GUSMÃO, L. H (2013)


O bairro do Condor, segundo o AEB (PREFEITURA DE BELÉM, 2010) tem cerca de 42.038 habitantes e 245,84 hab/ha, também sendo um bairro populoso com alta densidade demográfica, com predominância de moradores de classe baixa. 

A imagem acima, nos dá uma dimensão do bairro, no qual há apenas uma praça pequena e com pouca vegetação, a Praça Princesa Isabel ao sul, além da existência de muitas áreas verdes privadas. No bairro há poucas casas com quintais e quando há, a maioria das residências localiza-se em ruas principais.

A maioria dos moradores se direcionam com frequência para bairros com maior oferta de praças e áreas verdes como Batista Campos e Campina, por causa da quase inexistência de espaços públicos verdes.


Figura 3. Áreas verdes no bairro do Guamá
Fonte: Editado no Google Earth por GUSMÃO, L. H (2013)

O bairro do Guamá é o mais populoso de Belém e também um dos mais pobres da cidade, com diversos problemas socioambientais, tais como carência de saneamento básico, segurança pública, entre outros, assim como de áreas verdes. Segundo a AEB (PREFEITURA DE BELÉM, 2010), moram 102.124 pessoas, nas quais uma parcela significativa é de classe baixa. 

A imagem acima nos revela uma situação extremamente preocupante, pois há apenas a Praça Benedito Nunes, sendo muito pequena e com baixíssima área verde em sua volta. Outros espaços são de instituições privadas e públicas, como a do Hospital Barros Barreto, assim como de quintais particulares, ou seja, para uma população de mais de 100.000 habitantes, os espaços de recreação e lazer com áreas verdes é quase nula.

As demais áreas verdes que se destacam no Guamá estão dentro do Cemitério Santa Izabel, sendo portanto, inacessível a toda a população. As áreas mais carentes estão no nordeste e sul do Guamá, próximo ao bairro da Terra Firme e do Campus da UFPA.


2. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O bairro do Jurunas, Condor e Guamá são populosos, no qual juntos têm aproximadamente 206.902 habitantes (AEB, 2010), com elevada densidade demográfica, no qual grande parte de sua população é de classe baixa, estando disponíveis aos mesmos, minúsculos espaços de recreação e lazer, ocasionando deslocamento para bairros mais bem estruturados e com áreas verdes. O contingente populacional nos bairros exige maiores investimentos por parte da Prefeitura de Belém em áreas livres e verdes, contribuindo para uma melhoria na qualidade de vida dessa população. Peço para a atual gestão de Belém, a construção de uma praça maior no bairro do Jurunas e do Guamá, a melhoria e ampliação da Pça. Princesa Isabel no Condor e uma arborização compatível com a realidade das vias desses bairros.


3. REFERÊNCIAS

CAVALHEIRO, F.; DEL PICCHIA, P. C. D. Áreas verdes: conceitos, objetivos e diretrizes para o planejamento. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE ARBORIZAÇÃO URBANA, 4. 1992, Vitória . ES. Anais... v. 1. Vitória, 1992. p. 29 . 38.

MOREIRO, A.M.; SANTOS, R.F.; FIDALGO, E.C.C. Planejamento ambiental de áreas verdes: estudo de caso de Campinas-SP. Revista do Instituto Florestal, v. 19, n. 1, p. 19-30, jun. 2007.

NUCCI, J.C. Qualidade ambiental e adensamento urbano. São Paulo, SP: Humanitas, 2001.











quinta-feira, 4 de julho de 2013

Cartografia da Leptospirose entre 2007 a 2009 em Belém/PA




Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com


1. INTRODUÇÃO


A cidade de Belém (PA) localiza-se às margens da Baía de Guajará e Rio Guamá, no estuário do Rio Pará, exatamente a 1 grau de 28' (S) de latitude e 48 graus e 29' (W), com uma altitude média de 5 m acima do nível do mar. Possui um clima quente e úmido, onde o índice pluviométrico fica entre 2.300 mm a 3.000 mm/ano e a umidade do ar alcança quase 90%, contribuindo para a alta incidência de pluviosidade, principalmente entre os meses de dezembro a junho. Em decorrência das condições climáticas propícias, do baixo investimento e eficácia em saneamento básico, da incompetência da Prefeitura em sanar problemas relacionados a ocupação desordenada e de poucos investimentos na área da educação e saúde para a população mais carente, ocorre frequentemente casos de Leptospirose em nossa cidade, atingindo principalmente a população residente em áreas alagáveis, sem a conclusão e ampliação efetiva de projetos de drenagem e de terraplenagem, suscitando na frequência desse mal.


2. MATERIAIS E MÉTODOS

Nessa postagem serão produzidos dois mapas temáticos com base no trabalho de conclusão de curso em Biomedicina intitulado: Leptospirose, um estudo epidemológico e aplicação de medidas preventivas em uma região do município de Belém (PA) de Renan Chaves de Lima defendido em 2009 na Universidade Federal do Pará. Com o auxílio do software francês de Cartografia Temática: Philcarto disponível em http://philcarto.free.fr/. O uso desse software foi utilizado para produzir os seguintes mapas: Espacialização dos casos de leptospirose entre 2007 a 2009 e a Incidência de leptospirose entre 2007 e 2009 para respaldar os comentários.


3. DESENVOLVIMENTO
3.1 Conceituação e causas da leptospirose


A leptospirose (In OMS, 1998), é uma antropozoonose causada por bactérias do gênero Leptospira. A doença ocorre amplamente em países em desenvolvimento como Brasil e Índia, onde constitui um problema sanitário de grande importância, não somente pela gravidade de sua patogenia, mas também como elemento potencial de contágio ao ser humano (ACHA & SZYFRES, 1986; WHO, 2003). É causada pela bactéria Leptospira eliminada principalmente na urina de roedores, permanece em coleções de água a espera da pessoa que nela adentre. Assim, as pessoas podem contaminar-se não apenas ao entrar em áreas urbanas alagadas pela chuva, como também em coleções de águas rurais em lagoas, represas e riachos, no qual a bactérica invade por pequenas lesões de pele ou pelas mucosas.



 Figura 1. Como se contrai e preveni a Leptospirose
Fonte: www.lookfordiagnosis.com

3.2 Leptospirose em Belém

Em Belém, a contração dessa doença ocorre principalmente através do contato com água contaminada pela urina de ratos nas redondezas das casas sem saneamento básico ou em locais onde os alagamentos são constantes, as chamadas "baixadas", sendo frequente nos bairros com essas características, conforme o (MAPA 01).

Mapa 1. Belém - Incidência e frequência de Leptospirose nos bairros entre 2007-2009



 * Não autorizo a utilização, modificação ou divulgação do mapa temático, antes da comunicação prévia com o elaborador Luiz Henrique Almeida Gusmão.
Fonte: GUSMÃO, L. H (2013)


Conforme o mapa 01, é possível afirmar que os bairros com maior frequência de casos de leptospirose entre 2007 a 2009 eram Terra Firme (18), Guamá (17), Jurunas (12), Cabanagem e Pedreira (11), onde a incidência foi considerada alta, estando destacados em vermelho. São bairros muito populosos que convivem com constantes alagamentos, péssimos sistemas de saneamento básico, obstrução constante dos canais por resíduos sólidos e dos esgotos a céu aberto. São bairros da periferia de Belém, onde uma parcela significativa dessa população, vive em moradias precárias e com baixos rendimentos.

Os bairros com incidência média (5 -l 8 casos), estão distribuídos de forma irregular pelo espaço, visto nos bairros: Cremação, Telégrafo, Sacramenta, Marambaia, Marco, Bengui, Parque Verde e Tapanã. São bairros da periferia iguais aos primeiros, com exceção do Marco, onde a situação de alagamento, precário sistema de saneamento básico e acúmulo de resíduos sólidos nas ruas também é comum em algumas partes dos mesmos.

Os bairros com baixa incidência (1  -l  4 casos), estão principalmente no Norte de Belém (Distrito de Icoaraci) e mal distribuídos no restante do espaço. Aparece até mesmo em alguns bairros nobres como Batista Campos, Campina e São Brás, com apenas 1 caso em cada.

A ausência da leptospirose nesse ano foi percebida nos bairros mais estruturados de Belém, no centro da cidade (Sudoeste), visto na Cidade Velha, Nazaré, Reduto e Umarizal, em consequência da localização em terrenos mais altos, menos sujeitos aos alagamentos e com rede de saneamento básico adequado. Porém, alguns bairros periféricos, apesar de desprovidos ou carentes redes de saneamento, também não registraram nenhum caso nesse período, destacando a porção Sudoeste e Oeste de Belém.


Algumas cenas nos bairros com grandes registros da doença são comuns, como o despejo indiscriminado de resíduos sólidos e líquidos nas ruas, canais e "valas", conforme a (FIGURA 01 e FIGURA 02):

Figura 2. Área propícia a proliferação da Leptospirose na Av. Fernando Guilhon (Jurunas)
Fonte: Panoramio

Figura 3. Área propícia a proliferação da Leptospirose no Canal do Tucunduba (Guamá)
Fonte: Panoramio

As péssimas condições de saneamento básico tem acelerado a disseminação e contágio pelas larvas leptospira, atingindo principalmente os mais pobres, por residirem nos bairros ou nas ruas carentes desse serviço público. Muitas vezes, essas pessoas não têm voz nos principais meios de comunicação dessa cidade. Outra insatisfação é que essa doença não é imprevisível, portanto a Prefeitura de Belém tem conhecimento sobre essa realidade e que uma população considerável de Belém, a mais pobre, tem altas chances  de contrair a Leptospirose, restando combater nos pontos mais críticos, conforme o (MAPA 02):


Mapa 2. Belém/PA - Nível de prioridade no combate a leptospirose


* Não autorizo a utilização, modificação ou divulgação do mapa temático, antes da comunicação prévia com o elaborador Luiz Henrique Almeida Gusmão.
Fonte: GUSMÃO, L. H (2013)



O mapa 02 nos mostra o nível de prioridade no combate a leptospirose em razão da frequência dos casos dessa doença. Percebe-se que a maioria das áreas prioritárias está no entorno do centro da cidade (Sudoeste) e as outras duas estão no norte. Em relação as áreas, destacam-se:

Área 1: Corresponde ao bairro do Guamá, Terra Firme, parte de Canudos e Universitário, com nível de prioridade MÁXIMA, por apresentar os maiores casos registrados da doença e portanto, estando mais vulneráveis. É notável que essa área é densamente povoada, principalmente por pessoas com baixo poder aquisitivo que convivem com precariedade de saneamento básico.

Área 2: Corresponde ao bairro da Pedreira, Sacramenta, Telégrafo e parte do Barreiro, com nível de prioridade MEDIANA, por ter sido registrado muitos casos de leptospirose, estando relativamente vulnerável. 

Área 3: Corresponde ao bairro do Jurunas, por apresentar sozinho muitos casos da doença, com nível de prioridade MÁXIMA, por ser muito populoso.

Área 4: Corresponde ao bairro da Cabanagem, Parque Verde, parte do Una e do Mangueirão, apresentando muitos casos de leptospirose, com nível de prioridade MEDIANA.

Área 5: Corresponde ao bairro do Tapanã, por apresentar razoáveis casos confirmados, com nível de prioridade MEDIANA.


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os mapas nos revelam a situação da Leptospirose em Belém, no qual os bairros mais populosos e pobres da cidade estão mais sujeitos a doença como Guamá, Jurunas, Terra Firme, Cabanagem e Pedreira, onde a incidência é alta, evidenciando aonde a Prefeitura de Belém deve atuar mais rapidamente, no sentido de atenuar esses casos, através do aceleramento e da efetivação dos projetos de saneamento básico. É evidente que os bairros de classe média e alta da cidade quase não existe caso de Leptospirose, resultado de políticas públicas mais efetivas nos mesmos. Clamo para a atual gestão da cidade de Belém, um compromisso sério e justo na democratização do abastecimento de água potável, o manejo de resíduos sólidos, controle de agentes e pragas patogênicos, na coleta e tratamento de esgoto e limpeza urbana, principalmente daqueles mais necessitados que muitas vezes, não têm os seus direitos de cidadão contemplados, mas que são procurados na época de eleição.




5. REFERÊNCIAS

ACHA, P.N & SZYFRES, B. Leptospirosis - Zoonosis y enfermedades transmisibles comunes al hmbre y a los animales. Organizacion Panamericana de la Salud. Washington, 1986.


Lima, C. Renan. Leptospirose, um estudo epidemológico e aplicação de medidas preventivas em uma região do município de Belém (PA). (Trabalho de Conclusão de curso em Biomedicina). UFPA. 2009.



http://www.panoramio.com. (Acesso em 03/07/2013)

Software Philcarto. Disponível em http: philcarto.free.fr.























terça-feira, 25 de junho de 2013

Cartografia da População de Belém (1960)





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
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Segundo Antônio Rocha Penteado (1968), tomando como base as características funcionais, a cidade de Belém nos anos de 1960 era dividida em quatro áreas:

a) Zona Sul: Era formada pelos bairros da Batista Campos , Jurunas, Cremação, Condor e Guamá

b) Zona Leste: Era formada pelos bairros de Nazaré, São Brás, Canudos e Terra Firme.

c) Zona Norte: Era formada pelos bairros da Matinha (Atual Fátima), Umarizal, Telégrafo sem Fio (Atual Telégrafo), Sacramenta, Pedreira, Marco, Sousa e Marambaia. 

d) Zona Oeste: Campina, Reduto e Cidade Velha.


Mapa 01. Divisão dos bairros de Belém em zonas (1960)
Fonte: GUSMÃO (2016)
É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor, configurando-se como plágio.

Belém em 1960 era constituída por 20 bairros situado em 4 zonas diferentes, na qual a Zona Norte tinha a maior extensão territorial, era a mais populosa e com o maior crescimento urbano da época, predominando uma população com baixo poder aquisitivo e estando em áreas de várzea (áreas inundáveis periodicamente). 

Os bairros da Zona Oeste eram predominantemente comerciais, com imensas e variadas lojas, principalmente em Campina. O bairro do Reduto era industrial, contendo inúmeras fábricas alimentícias, têxteis e de limpeza. O bairro da Cidade Velha possuía e ainda tem um rico patrimônio histórico e arquitetônico do século XVI, XVII e XVIII nas suas ruas estreitas.

Os bairros de Batista Campos, São Brás, Canudos, Marco, Nazaré e área Norte da Cremação possuíam terrenos mais elevados, com quarteirões amplos e traçados com um certo planejamento. Neles residia a classe média e alta belenense. Suas casas eram revestidas de azulejo, construídas no alinhamento da rua, geralmente asfaltadas e, com exceção de Canudos, todas eram arborizadas. Na porção sul do bairro da Cremação moravam geralmente os operários e comerciantes. 

No bairro de Nazaré, havia o contraste entre  novo e o velho, se destacando a Basílica de Nazaré, os grandes palacetes, alguns transformados em repartições públicas, outros ainda ocupados pelas famílias tradicionais de Belém, e as modernas construções, como o edifício Manoel Pinto da Silva, o mais alto de Belém na época. 

Além de ser um centro religioso, o bairro funcionava como centro educacional, comercial e recreativo, pois concentrava a Faculdade de Administração da Universidade do Pará, os núcleos de ciências exatas e humanas, colégios de ensino médio, fundamental e língua estrangeira, galerias, livrarias, papelarias, institutos de beleza, cinemas, restaurantes, bares, lanchonetes, farmácias, entre outros, sendo responsável pela maior agitação da vida noturna de Belém nos anos de 1960. (PENTEADO, 1968)

Nos outros bairros residia a população pobre de Belém, alguns apresentando graves problemas de saneamento básico, como a falta de água potável. O Guamá, Telégrafo sem fio, Matinha, Sacramenta, Pedreira Jurunas e Condor eram bairros de várzea e seus moradores viam-se sujeitos às enchentes anuais do rio Guamá ou da Baía de Guajará.

As casas, a maioria barracas de madeira e pau-a-pique, cobertas de folhas de palmeira, eram construídas em um nível mais elevado ligadas através de pontes, conhecida como Estivas. Nesses bairros as principais vias comerciais e industriais eram a Estrada Nova (Atual Bernado Sayão), a Tv. Pe. Eutíquio, a Av. Sen. Lemos e a Av. Pedro Miranda.

Os bairros do Umarizal, Marco, Telégrafo sem Fio e Pedreira concentravam quase 40% da população da cidade, enquanto o restante estava distribuída pelos 16 bairros.


Tabela 1. População dos bairros de Belém em 1960
Fonte: PENTEADO, 1968. p. 208.


Mapa 02. População dos bairros de Belém (PA) em 1960
Fonte: GUSMÃO (2016)
É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor, configurando-se como plágio.


O mapa 02 evidencia a distribuição espacial da população de Belém nos seus bairros, no qual o Umarizal e Marco eram os mais populosos do período, com mais de 26.000 habitantes. Em seguida, entre 14.900 a 16.778 habitantes, estavam Telégrafo sem Fio, Pedreira, São Brás e Jurunas. Em 1960, o setor Norte concentrava a maioria da população da cidade, assim como registrava a maior taxa de crescimento populacional no período.

A área central de Belém naquele período compreendia os bairros da Campina, Cidade Velha e Reduto, que possuíam melhor infraestrutura, no que se refere aos serviços bancários, educacionais, de saúde, de recreação, financeiro, entre outros, no qual a população de classe média e alta habitava. 

A maior parte da população morava em bairros periféricos, denotando um aglomerado de habitantes pobres no Umarizal, Telégrafo sem fio, Pedreira, Guamá, Condor, Matinha, Marco, Sacramenta, Marambaia, Souza e Jurunas, enquanto em São Brás havia uma classe média ascendente decorrente da exaustão de terrenos em Nazaré. O bairro da Terra Firme, apesar de evidência de ocupação, não há dados registrados na obra (PENTEADO, 1968).


O mapa abaixo (Mapa 03) expressa a forte densidade demográfica nos bairros do Setor Leste e Oeste, destacando-se Campina, Umarizal, São Brás, Reduto, Batista Campos, Cidade Velha, Canudos e Matinha, todos com mais de 100 habitantes por hectare, ou seja, cerca de 40% dos bairros já possuíam essa característica. 


Mapa 03. Densidade demográfica dos bairros em 1960 de Belém (PA)
Fonte: GUSMÃO (2016)
É expressamente proibido o uso, publicação, cópia, comercialização ou o compartilhamento desse mapa ou figura sem autorização prévia do autor, configurando-se como plágio.


Os menos povoados eram Sacramenta, Souza, Marambaia e Condor, entre 6 a 25 moradores por hectare, em decorrência da incorporação recente dos mesmos na malha urbana da cidade, sendo distantes do centro com uma população extremamente pobre.

Em 1960, já era evidente um adensamento populacional nos bairros com melhor infraestrutura e pouco susceptíveis aos constantes alagamentos, principalmente pelo baixo custo na manutenção das casas, assim como pela proximidade com o centro comercial da cidade. Em contrapartida, as pessoas que viviam na Zona Norte e na Zona Sul, percorriam grandes distâncias para exercer suas atividades e estavam mais susceptíveis às doenças pela precariedade do saneamento básico.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os mapas destacaram algumas características demográficas de Belém em 1960, como a primeira tentativa de regionalização da cidades; a forte densidade demográfica nos bairros da Zona Oeste e Leste, assim como a alta concentração populacional nos bairros da Zona Norte. É evidente que Belém passava por um período acelerado de crescimento populacional, em decorrência do avanço do sistema capitalista, através da expansão do comércio e da prestação de serviços no centro, o que motivou a ocupação de bairros que eram ocupados por várzeas no Setor Norte e Sul. A cidade em 1960 tinha uma população de 225.218 habitantes, enquanto em 2010 era de 1.392.031, o que destaca o forte e acelerado processo de ocupação do seu território nas últimas décadas.




REFERÊNCIAS

PENTEADO, A. R. Belém do Pará: Estudo de Geografia Urbana. Volume 1. Coleção Amazônica. Série José Veríssimo. Universidade Federal do Pará - UFPA, 1968.




segunda-feira, 6 de maio de 2013

Cartografia dos Distritos Administrativos de Belém/PA com Google Earth




Luiz Henrique Almeida Gusmão
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1. INTRODUÇÃO

O município de Belém (PA) é oficialmente dividido em 71 bairros distribuídos por 8 Distritos Administrativos, por onde a Prefeitura de Belém destina as diretrizes do planejamento para a cidade em geral. Essa divisão está relacionada a incorporação histórica dos bairros à malha urbana de Belém, em que esta postagem tem o objetivo de espacializar tais distritos da cidade através de imagens de satélite do Google, como forma dos leitores visualizarem e de ter conhecimentos das principais características da sua região de moradia. 


2. MATERIAIS E MÉTODOS


Os objetivos propostos foram alcançados através das seguintes etapas:

a) Conversão da base cartográfica elaborada pela Prefeitura de Belém em arquivo kml para ser visualizado no Google Earth, disponível em https://www.google.com.br/earth/download/gep/agree.html.
b) Leitura e reprodução das principais características acerca dos distritos de Belém, com base em informações e artigos elaborados pela UFPA, por jornais e outras fontes de forma verídica.


3. DESENVOLVIMENTO

3.1 O Distrito Administrativo de Belém (DABEL):

- O DABEL engloba engloba 8 bairros e o norte da Cremação, estando no Sudoeste de Belém (Figura 01), em que estes representam juntos a área mais valorizada da cidade, devido a concentração e a complexidade de serviços (Restaurantes, supermercados, farmácias, hospitais, faculdades, comércio desenvolvido, shoppings, escolas, lojas, etc), representando o centro da cidade com grande concentração de famílias de classe média e alta, onde a verticalização e o custo de vida é elevado, assim como também é responsável pela maior agitação da vida noturna de Belém, tendo por isso a maior movimentação de veículos e também de acidentes de trânsito.

A maioria dos bairros são classe média e alta, tendo os melhores índices de escolaridade, renda per capita, consumo e de infraestrutura. É detentor dos principais espaços púbicos e privados (praças, parques, bosques, clubes, boates, bares, cinemas, teatros, hóteis, museus e etc), por concentrar a maior quantidade de pessoas com altos rendimentos. 

Aí está também o centro histórico da cidade, com inúmeros monumentos e prédios característicos do século XVI, XVIII e XVIII (Cidade Velha). Concentra os principais pontos turísticos (Feira do Ver-o-peso, Estação das Docas, Mangal das Garças, Jardim Zoobotânico Rodrigues Alves, Museu Paraense Emílio Goeldi, entre outros).



Mapa 01. Distrito Administrativo de Belém (Dabel)
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3.2 O Distrito Administrativo do Guamá (DAGUA):


- O DAGUA engloba 6 bairros da cidade e parte de alguns bairros do Dabel (Figura 02), onde estes estão entre os mais populosos da cidade. Uma parte significativa da população dessa área é de baixa renda, onde há diversas áreas de ocupação espontânea ou Aglomerados Subnormais (IBGE, 2010), principalmente ao longo das principais avenidas, como a Bernado Sayão, Perimetral e Cipriano Santos, sendo acompanhada com a carência de saneamento básico (Tratamento de esgoto doméstico e água canalizada potável), culminando na frequência de doenças relacionados a transmissão pela água. 

Tem alguns dos bairros mais violentos da cidade (Guamá, Terra Firme e Jurunas) e possui altos índices de pobreza. A maior parte de suas ruas tem um traçado irregular, por causa da ocupação rápida e desordenada durante a década de 60 e 70. As áreas mais próximas do Dabel estão em crescente valorização imobiliária, sendo cada vez mais comuns, os edifícios de médio-alto padrão e serviços mais sofisticados. É um distrito que concentra diversos órgãos públicos: SERPRO, MUSEU EMÍLIO GOELDI (Outra unidade de pesquisa), ELETRONORTE, UFRA, entre outros). Tem sofrido intervenção municipal constante, principalmente na sua orla, através do Projeto Portal da Amazônia que pretende modificar drasticamente a ocupação nas suas margens.

É importante ressaltar que o Norte da Cremação, o Oeste de Canudos, o Noroeste do Jurunas e o Extremo norte do Guamá se assemelham mais ao DABEL (Centro de Belém), por não serem áreas suscetíveis aos alagamentos constantes, assim sendo moradia de classes mais abastadas em relação ao restante do distrito. 



Mapa 02. Distrito Administrativo do Guamá (Dagua)
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3.3 O Distrito Administrativo da Sacramenta (DASAC) :

- O DASAC engloba 7 bairros e está no Sudoeste de Belém (Figura 03). A maior parte destes está na microbacia hidrográfica do Una, sendo entrecortado por diversos afluentes da Baía de Guajará. É uma área que também possui um índice de violência relativamente alto, mais acentuado nos bairros do Barreiro e Sacramenta. A área mais próxima do DABEL (Telégrafo/Fátima/Sacramenta/Pedreira) começou a experimentar uma intervenção mais acentuada pela Prefeitura nos anos 80, através do Projeto Macrodrenagem, proporcionando uma redução dos alagamentos, mas que não contemplou todos os bairros.

O encarecimento dos terrenos no centro da cidade vem contribuindo no processo de verticalização desta área, principalmente na Pedreira e em pontos isolados do Telégrafo e Sacramenta. Os bairros do Telégrafo, Sacramenta, Pedreira e Fátima estão em crescente expansão imobiliária e sofisticação de serviços de comércio nas principais avenidas. Por outro lado, o Barreiro e Maracangalha permanecem em situação marginalizada, sem o vigor do comércio formal e valorização espacial.


Ainda é forte a presença de palafitas e casas de madeira, característicos de uma população com baixos rendimentos, essencialmente nas margens do Canal do Galo, São Joaquim e da Baía de Guajará, com destaque para Barreiro, Sacramenta, Pedreira, Telégrafo e Maracangalha.



Mapa 03. Distrito Administrativo da Sacramenta (Dasac)
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3.4 O Distrito do Entroncamento (DAENT)

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O Daent engloba 9 bairros e está na porção centro-oeste de Belém (Figura 04). Esta corresponde uma área de expansão da cidade através da avenida Augusto Montenegro e da BR-316, com elevado crescimento demográfico principalmente dos bairros Águas Lindas, Aurá, Guanabara e Mangueirão. 

A intervenção municipal em obras de expansão e melhoria de vias tem sido constante, visto na Av. Perimetral, Centenário, João Paulo II e Júlio César. O projeto BRT visa minimizar o tempo de deslocamento de passageiros e melhoria a eficiência do transporte público e pessoal, porém se tornado ineficaz e lento, comprometendo o trânsito da principal via desta área.

Entre os distritos da cidade, é detentor da maior área de cobertura vegetal, devido as imensas áreas militares junto a Av. Pedro Álvares Cabral, Júlio César, em pequena parte da Almirante Barroso e na Rua da Marinha; a Área de Proteção Ambiental de Belém (APA do Utinga) e um imenso terreno verde pertencente a Embrapa Amazônia Oriental, justificando as temperaturas mais amenas nesta parte da cidade. É neste distrito que está situado a Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Rural da Amazônia (UFRA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais da Amazônia (INPE).


Nessa área, a maior parte da população tem rendimento mensal mediano, porém há bolsões de pobreza junto aos bairros de Águas Lindas, Aurá, Guanabara, Curió Utinga e Mangueirão. Por outro lado, há pequenas áreas nobres vistos em condomínios fechados pelo Mangueirão e Souza, porém sendo mais acentuado em Val-de-Cans principalmente próximo ao Aeroporto e em condomínios na Marambaia.


Mapa 04. O Distrito Administrativo do Entroncamento (Daent) 
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3.5 O Distrito Administrativo do Bengui (DABEN)


- O Daben é constituído por 7 bairros, estando no noroeste da cidade (Figura 05). A maior parte deles são de classe baixa, com grandes extensões de aglomerados subnormais (IBGE, 2010). Porém, dois bairros têm tido destaque no cenário imobiliário e consequentemente valorização espacial: Parque Verde e Coqueiro. Estes representam juntos, a principal área de expansão da cidade, através de instalação edifícios de médio-alto padrão, condomínios fechados, shopping center, supermercados, farmácias, escolas particulares e de idiomas, faculdades, entre outros, localizados essencialmente na Av. Augusto Montenegro e nas redondezas da Av. Independência.

É um dos distritos onde fica mais evidente as desigualdades sócio-espaciais, verificado no contraste das moradias precárias convivendo com edifícios e condomínios de alto padrão, ou por exemplo, ruas pavimentadas e sinalizadas com outras sem nenhuma estrutura. É uma área "recém-descoberta" pelos agentes imobiliários que vive em constante crescimento demográfico devido a saturação e encarecimento de terrenos no centro de Belém. 


 
3.6 Distrito Administrativo de Icoaraci (DAICO)


O Distrito Administrativo de Icoaraci (DAICO) engloba os seguintes bairros: Agulha, Águas Negras, Maracacuera, Paracuri, Tenoné, Cruzeiro e Ponta Grossa, todos pertencentes ao chamado Distrito de Icoaraci, uma área de ocupação humana remota, que busca a sua autonomia em relação ao município de Belém. É caracterizado por bairros de classe baixa, com grande concentração de "aglomerados subnormais (IBGE, 2010). Possui uma orla com serviços de alimentação e vestuário em geral, assim como tendo indústrias relacionadas a pesca e madeira, sendo famoso no artesanato em cerâmica indígena.





3.7 Distrito Administrativo de Outeiro (DAOUT) 

O Distrito Administrativo de Outeiro (DAOUT) engloba os seguintes bairros: Água Boa, Itaiteua, Brasília e São João do Outeiro, assim como ilhas na baía de Guajará. É conhecida como ilha de Caratateua, no qual as suas praias representam o seu potencial turístico, notadamente nas férias de julho, quando sua população chega a quintuplicar.



3.8 Distrito Administrativo de Mosqueiro (DAMOS) 

O Distrito Administrativo de Mosqueiro (DAMOS) engloba os seguintes bairros: Vila, Aeroporto, Maracajá, Natal do Murubira, Praia Grande, Farol, Bonfim, Ariramba, Marahu, Mangueiras, São Francisco, Carananduba, Sucurijuquara, Caruara, Baía do Sol e Paraíso.  É uma ilha fluvial a 70 km do centro de Belém, no qual o seu acesso se dá através da uma rodovia estadual pelo município de Benevides, sendo muito movimentada por causa de seus 17 km de praia de água doce, com boa infra-estrutura e fácil acesso.



3.9. Distritos Administrativos de Belém

É visível que o Centro da cidade fica no Distrito de Belém e próximo dos bairros do Distrito da Sacramenta e Guamá. Por outro lado, o Distrito do Entroncamento e do Benguí estão cerca de 5 a 10 km de distância do centro, enquanto Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro são os mais distantes e também, os mais marginalizados, pois concentram uma grande parte da população com baixos rendimentos da cidade, no qual estão entre 12 a 60 km de distância do centro de Belém.


Figura 05. Mapa dos Distritos Administrativos de Belém/PA
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Fonte: Autoria própria (2017)




4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O uso do software Google Earth e do ArcGis 10.1 foram úteis e eficazes para a representação da distribuição dos Distritos Administrativos da cidade de Belém, sendo ferramentas indispensáveis para o conhecimento geográfico, no qual o primeiro é gratuito e bastante difundido https://www.google.com.br/earth/download/gep/agree.html, enquanto o segundo é de uso comercial.


5. ALGUNS DOS SERVIÇOS DE GEOPROCESSAMENTO