domingo, 21 de agosto de 2016

Onde e quantos trabalhadores escravos foram libertos no Brasil entre 1995 e 2015?





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
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1. Escravidão no Brasil no século XXI

Oficialmente, a abolição da escravatura no Brasil ocorreu em 13 de maio de 1888, mas em pleno século XXI ainda é recorrente diversas operações realizadas pelo Ministério do Trabalho e Polícia Federal no combate ao trabalho análogo a escravidão em fazendas, carvoarias, indústrias têxteis, companhias siderúrgicas, mineradoras, madeireiras, empresas de café, celulose, estanho e outras (THERY, 2009). Conforme o aparato legal brasileiro, definida na Lei n°10.803 de 2003, a conceituação do trabalho escravo é:

"Reduzir alguém a condição análoga à de um escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção por razão de dívida contraída com o empregado ou preposto"

Segundo dados do Ministério do Trabalho, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, entre 1995 a 2015, cerca de 49.816 pessoas foram libertadas da condição análoga a de um escravo no país por meio de operações principalmente em propriedades remotas no interior do país (Figura 1 e 2): 

Figura 1. Operação da Polícia Federal no combate ao trabalho análogo a escravidão no Estado do Maranhão

Figura 2. Resgate de uma trabalhadora em condição análoga a escravidão em Goiás por agentes da Polícia Federal


A condição de vida dessas pessoas é desumana, pois constantemente sofrem ameaças como forma de opressão pelos "empregadores" que buscam extrair o máximo de lucro das mercadorias vendidas através da exploração humana. 

Muitas dessas pessoas trabalham mais de 12 horas por dia; não possuem água potável para consumir; manuseiam equipamentos elétricos sem treinamento técnico (serras elétricas e outros objetos); possuem dívidas impagáveis feitas quando são transportadas para os locais de trabalho e principalmente quando adquirem alimentos necessários a sua sobrevivência na propriedade (THERY, 2009), entre outras circunstâncias que violam os direitos humanos.

Conforme a entidade internacional Anti-Escravidão (Anti-Slavery), o trabalho escravo na contemporaneidade é caracterizado quando a pessoa é: 

1. Forçada a trabalhar por meio de opressão física e/ou psicológica 
2. Desumanizada, tratada como mercadoria a ser comprada ou vendida 
3. Fisicamente coagida ou submetida a restrições do seu direito de ir e vir
4. Controlada por um "empregador" através de abuso psicológico, tortura ou endividamento impagável.

O cerceamento da liberdade é um dos principais fatores que caracterizam a existência do trabalho escravo, conjuntamente com situações de ameaças pelos "proprietários". 

No Brasil, a libertação dessas pessoas está ocorrendo aos poucos, sendo notável uma concentração em 7 unidades da federação: Pará, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Maranhão, Bahia, Tocantins e Rio de Janeiro, com 40.737 libertações (81,8%) do total do país (THERY, 2009), conforme o mapa abaixo:


Mapa 1. Quantidade de Libertações de Trabalhadores Escravos no Brasil (1995-2015)
Fonte dos dados: Ministério do Trabalho (1995-2015); Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão
*O mapa é uma amostra de trabalho. Entre em contato e verifique o valor deste mapa


Conforme o mapa, as maiores libertações de trabalhadores em situação análoga a escravidão ocorreram na parte central do Brasil, no sentido Rio de Janeiro-Pará e Mato Grosso do Sul-Bahia, com destaque para o Estado do Pará (12.799), Mato Grosso (5.997) e Minas Gerais (4.543). 


Essas pessoas são libertas principalmente em fazendas e carvoarias, áreas longínquas dos centros urbanos, e logo em seguida, o proprietário é obrigado a pagar todos os direitos trabalhistas e deve responder pelos crimes cometidos. 

Segundo THERY, H. et. al (2009), cerca de 19 microrregiões brasileiras foram responsáveis pelas maiores libertações de pessoas em situação de escravidão em 2009, destacando-se aquelas situadas no Pará (Paragominas, Marabá, Parauapebas, Redenção, São Félix do Xingu, Altamira e Conceição do Araguaia), no Mato Grosso (Norte AraguaiaParecis, Tesouro, Alta Floresta, Primavera do Leste e Jauru) e em Goiás (Vale do Rio dos Bois e Anicuns). Destacaram-se também: Colorado do Oeste (RO), Barreiras (BA), Bico do Papagaio (TO) e Chapada dos Mangabeiras (MA), como pode ser visualizado no mapa abaixo:


Mapa 2. Brasil - Microrregiões com as maiores libertações de escravos em 2009
Fonte dos dados: THERY, H (2009). 
*O mapa é uma amostra de trabalho. Entre em contato e verifique o valor deste mapa



Figura 3. Quantidade de Trabalhadores Libertos por Unidade da Federação entre 1995-2015 no Brasil
Fonte: Ministério do Trabalho; Organização: Luiz Henrique Almeida Gusmão



Em 20 anos, cerca de 1/4 das libertações no Brasil ocorreram no Pará (25,7% do total), que continua sendo o foco das fiscalizações, seguido por Mato Grosso (12%), Minas Gerais (9,1%), Goiás (7,8%) e Maranhão (6,5%).


É importante ressaltar a baixa quantidade de trabalhadores libertos na Região Nordeste, no oeste da Amazônia e na Região Sul, confirmando que nessas partes do território brasileiro, ou o emprego da mão-de-obra análoga a escravidão é incompatível com as atividades produtivas, ou a fiscalização e as denúncias contra o trabalho escravo não têm sido suficientes.


2. CONCLUSÕES

A escravidão ainda é uma realidade no Brasil, apesar da sua abolição ter acontecido há 128 anos. Algumas propriedades situadas no interior do país, distantes dos centros urbanos, usam a mão-de-obra análoga a escravidão em atividades produtivas como a produção de carvão vegetal e de carne bovina, principalmente no Sudeste do Pará, Oeste da Bahia, Leste e Norte do Mato Grosso, Centro de Goiás e parte de Minas Gerais. 

É necessário que as fiscalizações sejam intensificadas nos estados que já registraram muitas denúncias de trabalho escravo. O Estado deve agir para prevenir situações como esta, através de medidas eficazes na educação, saúde e na qualificação profissional, pois muitas vezes, os trabalhadores libertos não possuíam nenhuma perspectiva de trabalho na sua terra natal, ou tinham baixa instrução, alguns sendo até analfabetos. 

As regiões com os mais baixos índices de desenvolvimento humano - IDH devem ser os prioritários em medidas do governo que evitem o aliciamento de trabalhadores em direção aos "cantos de obra" deploráveis e desumanos.



3. REFERÊNCIAS

Anti Slavery. Disponível em http://www.antislavery.org/english

MARTINS, J. de S. A escravidão nos dias de hoje e as ciladas da interpretação. In: VVAA (org). Trabalho escravo no Brasil contemporâneo. Goiânia/São Paulo.

THERY, H. et. al. Atlas do Trabalho Escravo no Brasil/Herve Thery. Neli Aparecida de Mello, Julio Hato, Eduardo Paulon Girardi. São Paulo: Amigos da Terra, 2008, 2009. 80p. 56 cartogramas, sete tabelas e dois gráficos. In: Disponível em Atlas do Trabalho Escravo






quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Freelancer em Cartografia e Geoprocessamento




Luiz Henrique Almeida Gusmão
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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Arborização Viária de Belém - Mapeamento via Google Earth Pro



Luiz Henrique Almeida Gusmão
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1. Arborização Viária 

A arborização viária é uma importante ferramenta para o planejamento urbano por prover benefícios sociais, econômicos e ambientais que proporcionam uma melhor qualidade de vida, sendo imprescindível estar inserida em programas de gestão urbana (SANTOS, T, et. al. 2012), principalmente em cidades tropicais e equatoriais, onde a temperatura é bastante elevada. 

A implantação e manutenção de corredores urbanos verdes é necessária na atual conjuntura das cidades, uma vez que a intensificação do processo de urbanização tem contribuído para: o aumento da sensação térmica através do aquecimento dos gases emitidos pelos carburadores de veículos cada vez mais presentes nas ruas; a frequente pavimentação asfáltica sem o devido planejamento arbóreo; construção de edifícios comerciais e residenciais com alto poder de retenção de calor, entre outras ações que aumentam o calor.

É recomendável que a arborização esteja presente em grandes e movimentados corredores de pedestres e veículos (Figura 1), justamente para aliviar a a sensação de calor para um maior número de pessoas. As fotos abaixo ilustram os conhecidos corredores urbanos verdes ou "Urban Green Ways" em Belém/PA. 


Figura 1. Túnel de Mangueiras na Av. Presidente Vargas em Belém/PA (Brasil)
Fonte: Street View (Google Earth Pro)

Figura 2. Túnel de Mangueiras na Av. Generalíssimo Deodoro em Belém/PA (Brasil)
Fonte: Street View (Google Earth Pro)


A sociedade percebe imediatamente a importância das árvores nas vias, principalmente quando as pessoas estão fazendo o seu percurso a pé, diretamente expostas a radiação solar. Nesse contexto, a arborização é vital para o equilíbrio térmico das cidades, reduzindo significativamente a sensação de calor pela interceptação de até 98% da radiação solar (HEISLER, 1974 apud GREY e DENEKE, 1978). 

A arborização urbana tem inúmeros benefícios sociais, ambientais e econômicos (Figura 2), por isso sempre deve estar presente na pauta das políticas públicas das prefeituras.


Figura 2. Benefícios das árvores
Fonte: Adaptado de www.blogolista.com


No Brasil, assim como em grande parte dos países do mundo, o percentual de domicílios com arborização é bastante desigual. Entre as cidades brasileiras com mais de 1 milhão de habitantes; Goiânia (GO), Campinas (SP) e Belo Horizonte (MG) lideram a lista com mais de 83% dos seus domicílios com arborização no seu entorno, enquanto que Brasília (DF), São Luiz (MA), Manaus (AM) e Belém (PA) possuem as menores taxas, abaixo de 32,7%, apesar das duas últimas estarem localizadas na Amazônia, o que demostra o descaso e o fraco planejamento urbano sem levar em consideração à arborização.


Figura 3. Percentual da Arborização entre as maiores cidades do Brasil
Fonte: IBGE (2010); Gráfico salvadorhistoriacidadebaixa.blogspot.com



2. Mapeamento dos Corredores Verdes Urbanos no Google Earth Pro em Belém/PA

Os Corredores Verdes Urbanos (Urban Green Ways) são áreas urbanas que dispõem de árvores em formato linear (Figura 4) exercendo funções ecológicas (interligação com outras áreas verdes como praças e parques), estéticas (deixando o ambiente mais agradável) e culturais (tornando o ambiente propício para atividades recreativas), melhorando significativamente a qualidade de vida do cidadão, uma vez que diminui a incidência das ilhas de calor, amenina as inundações e problemas respiratórios, por exemplo.


Figura 4. Corredores Verdes em imagens de satélite de Belém/PA
Fonte: Google Earth Pro (16/07/2015)



O mapeamento dos Corredores Verdes na cidade de Belém contemplou a análise de imagens aéreas de 25 bairros da cidade através do software Google Earth Pro, disponível em https://www.google.com.br/earth/download/gep/agree.html pela disponibilidade de imagens de satélite recentes (16/07/2015) com boa resolução espacial. 

O mapeamento dos corredores verdes de Belém (Mapa 1) ficou restrito apenas para as vias com alto grau de sombreamento oferecido pelas árvores, como as imagens acima mostraram. O total da quilometragem de Corredores Verdes foi de 39,10 Km, em que destacaram-se a Av. Marquês de Herval (2,67 Km), Av. Nazaré/Av. Gov. Magalhães Barata (2,58 Km) e a Av. 25 de Setembro (2,40 Km), como mostra o mapa abaixo:



Mapa 01. Corredores Verdes/Arborizados de Belém/PA
Fonte: Autoria Própria (2016)
É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor


Analisando a distribuição dos "Green Ways" no mapa, os bairros de Nazaré, Batista Campos e Umarizal concentram grande parte das vias arborizadas, em decorrência da presença de Mangueiras plantadas no período da Belle Epoque (Século XVIII), principalmente nas proximidades de praças e parques do centro da cidade. 

É visível que muitos bairros não possuem corredores arborizados ou possuem minúsculos trechos arborizados, essencialmente aqueles que tiveram uma ocupação espontânea acelerada como o bairro do Guamá, Jurunas, Condor, Terra Firme, Fátima, Sacramenta, entre outros. 

Algumas imagens dos bairros oriundas do Google Earth Pro estão expostas abaixo para mostrar a extensão desses corredores verdes, normalmente presentes em áreas valorizadas, cercadas de prédios de classe média e alta no centro de Belém.


Figura 5. Green Ways do bairro de Nazaré (Esquerdo) e de Batista Campos (Direito)
Fonte: Google Earth Pro (2016)


Figura 6. Green Ways do bairro do Umarizal
Fonte: Google Earth Pro (2016)

É necessário a implantação de vias arborizadas, notadamente em áreas com alta densidade demográfica (Guamá, Terra Firme, Marco, Jurunas, Batista Campos, Castanheira, Telégrafo, Sacramenta, Campina, etc) e circulação de pessoas (Próximo das principais avenidas, comércio, praças, etc). 

Os corredores verdes devem ser implantados nas elipses azuis, enquanto nas elipses vermelhas, deve haver uma ligação entre os corredores verdes já existentes, como podemos visualizar no mapa abaixo:


Mapa 02. Projeto de Corredores Verdes de Belém/PA
Fonte: Autoria Própria (2016)
É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor


3. CONCLUSÃO

A arborização nos centros urbanos é uma prática indispensável na contemporaneidade, pois possui impacto direto no bem-estar da população e melhora a sensação térmica nas cidades, principalmente naquelas que possuem um ritmo de crescimento acelerado (Verticalização e Expansão Horizontal), em que o software Google Earth pode ser uma poderosa ferramenta para mapear vias arborizadas, devido a sua disponibilização de imagens aéreas recentes e de excelente qualidade. No caso particular da cidade de Belém (Pará - Amazônia) que é uma metrópole com mais de 1.400.000 habitantes de clima equatorial (Quente e úmido), percebe-se uma carência de corredores urbanos arborizados, principalmente na periferia, mas também em áreas consideráveis do centro da cidade. A arborização é concentrada nos bairros mais valorizados da cidade (Nazaré, Batista Campos e Umarizal), devido a implantação e conservação de mangueiras desde a Era Lemos (Século XIX). É recomendável ampliar as vias arborizadas em Belém, principalmente na periferia da cidade, visando aumentar a capacidade de retenção de calor pelas árvores e assim, melhorar o conforto térmico da população.


4. REFERÊNCIAS


GREY, G.M. & DENEKE, F.J. Urban Forestry. New York: John Wizey, 1978. 279p. 

HEISLER, G.M. Trees and human confort in urban areas. J.For., v. 72, n. 8, p. 462-469. 1974


MILLER, R.W. Urban forestry: planning and managing urban greenspaces. 2 ed. New Jersey, Prentice Hall, 1997. 502p.

SANTIAGO, A. de C. Arborização de cidades. Campinas: Secretaria da Agricultura, Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, 1970. 49 p. (Boletim Técnico SCR, 64). 

PIVETTA, K; FILHO, D. Arborização Urbana. Boletim Acadêmico. Série Arborização Urbana. Jaboticabal, 2002.

5. SERVIÇOS DE GEOPROCESSAMENTO E CARTOGRAFIA







terça-feira, 21 de junho de 2016

Cartografia e IDH da Região Metropolitana de Belém





Luiz Henrique Almeida Gusmão
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1. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

Conforme o PNUD (2016), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um meio de mensurar e comparar as condições de vida de um país, unidade da federação ou de regiões metropolitanas. 

O IDH reúne três variáveis: a oportunidade de se levar uma vida longa (Saúde); o acesso ao conhecimento (Educação) e a capacidade de desfrutar de um padrão de vida digno (Renda), conforme o relatório do PNUD e visto na figura abaixo:


Figura 1. As três dimensões avaliadas pelo IDH
Fonte: PNUD/ONU (2010)


Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), os três aspectos são medidos da seguinte maneira:

- SAÚDE (Medida pela Expectativa de Vida)

- EDUCAÇÃO (Média dos anos de educação de dultos durante a vida por pessoas a partir dos 25 anos; Expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar; Número total de anos que uma criança na idade de iniciar a vida escolar pode esperar receber se os padrões prevalecentes de taxas de matrículas específicas por idades permanecerem os mesmos durante a vida da criança).


- PADRÃO DE VIDA/RENDA (Medida pela Renda Nacional Bruta per capita expressa em poder de paridade de compra - PPP constante, em dólar, tendo 2005 como referência).

A partir do cálculo do IDH, a agência divide os resultados em cinco faixas de desenvolvimento humano:
a) Muito Baixo (0 - 0,499)
b) Baixo (0,500 - 0,599)
c) Médio (0,600 - 0,699)
d) Alto (0,700 - 0,799)
e) Muito Alto (0,800 - 1)


Figura 2. Como entender o IDH
Fonte: PNUD/ONU (2010)



2. Índice de Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana de Belém (IDH)

A partir das variáveis: saúde, educação e renda, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) avaliou com base nos dados do IBGE (2000; 2010) todas as Regiões Metropolitanas Brasileiras, porém vamos considerar apenas a de Belém/PA.

A Região Metropolitana de Belém no Estado do Pará é constituída por 7 municípios (Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Bárbara do Pará, Santa Izabel do Pará e Castanhal) que juntos possuem uma população de 2.402.438 habitantes (IBGE, 2014).



Na Região Metropolitana de Belém, as desigualdades sociais são latentes assim como em grande parte das demais áreas metropolitanas brasileiras, principalmente quando avaliamos aspectos como o acesso a educação, a expectativa de vida e a renda. 

Nos mapas elaborados pela ONU fica evidente que a RMB é um espaço multifacetado, pois é constituído por vários fragmentos territoriais heterogêneos. Na Figura 1, com dados do ano 2000, era visível as condições de vida discrepantes, que variava de "Muito Baixo" na maior parte da periferia e "Muito Alto" no centro da metrópole.


Figura 1. IDHM da Região Metropolitana de Belém (2000)



Figura 2. IDHM da Região Metropolitana de Belém - Zoom (2000)


Fonte: PNUD/ONU (2015)

As figuras evidenciavam a forte segregação socio-espacial na RMB, mostrando que as áreas com os melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2000 estavam situados no centro de Belém e arredores (Nazaré, Reduto, Batista Campos, Umarizal, Cidade Velha, Marco, São Bráz, Val-de-Cans, Souza, Fátima, parte da Cremação e Miramar); nos arredores do bairro Coqueiro, na Cidade Nova e no Coqueiro em Ananindeua; e no centro de Castanhal.

Por outro lado, as áreas mais desfavorecidas estavam no Norte e no Extremo Sul de Belém e Ananindeua; Grande parte de Marituba, Benevides, Santa Isabel do Pará e de Castanhal. 

Quando comparamos com a realidade encontrada em 2010, podemos perceber nitidamente uma melhoria do desenvolvimento humano na periferia da RMB. O Programa Bolsa Famíia foi um dos itens que melhorou a capacidade de compra da população mais pobres e também refletiu no acesso à educação e à saúde. A maior oferta de vagas nas escolas e descentralização de serviços de saúde do centro da cidade também repercutiram em melhorias. No entanto, apontar alguns critérios isolados não são suficientes para explicar todo o progresso entre 2000 e 2010.

As condições de vida, por outro lado, ainda permaneceram desiguais (Figura 3), já que a alta escolaridade, as melhores expectativas de vida e condições de acesso a uma renda satisfatória ainda eram mais elevadas no centro de Belém. 


Vale ressaltar a melhor condição verificada em alguns condomínios horizontais mais afastados do centro, como aqueles encontrados na Av. Augusto Montenegro, Rod. Mário Covas (Norte de Belém) e Rodovia BR-316; em alguns bairros de Ananindeua (Coqueiro e Levilândia) e no centro de Castanhal.



Figura 3. IDHM da Região Metropolitana de Belém (2010)
Fonte: PNUD/ONU (2015)


Com base na figura 3, percebe-se claramente a constituição de verdadeiros enclaves na periferia da Região Metropolitana de Belém, essencialmente na metrópole, onde coexistem até hoje, unidades com IDH Muito Alto e IDH Médio. Algo comum ao longo da Avenida Augusto Montenegro e da BR-316.


Isso é resultado da instalação de diversos condomínios de luxo e de classe média, contrastando significativamente com o seu entorno, onde há famílias com condições de vida inferiores no que se refere aos critérios apontados pela ONU: Educação, Renda e Saúde, como podemos visualizar um exemplo espacial no bairro da Pratinha (Figura 4) em Belém. 


Figura 4. Contraste social em parte do bairro da Pratinha em Belém/PA
Fonte: Google Earth (2015)

O padrão entre as duas unidades são completamente diferentes, apesar de estarem próximas. A unidade em amarelo (IDHM Médio - Área de Ocupação Espontânea) é ocupada por uma população mais carente, com recursos financeiros limitados e baixos níveis de escolaridade em comparação com a área em azul (IDHM Muito Alto - Condomínio de Classe Alta), onde a renda e o nível de escolaridade são mais altos. 

Normalmente esses enclaves estão situados ao longo de avenidas arteriais que ligam partes importantes da cidade e mostram que cada vez mais, pessoas com alto poder aquisitivo têm se distanciado do centro da cidade, com o intuito de residir em imóveis exclusivos, amplos, seguros e com uma infraestrutura de lazer completa. Esses indicadores são reflexos da paisagem urbana de Belém e da sua organização espacial, como podemos ver em fotos da cidade abaixo:



Figura 5. Área com IDH Médio em relação a outra com IDH Alto - Contraste social a partir do bairro da Terra Firme em Belém/PA



Figura 6. Área com IDH Muito Elevado - Avenida Visconde de Souza Franco (Divisa entre o bairro do Umarizal e Reduto)



Figura 7. Área com IDH baixo - Canal do Tucunduba no Guamá em Belém/PA




Figura 8 - Área com IDH Muito Alto e Alto



2. CONCLUSÕES



Os mapas e os conteúdos disponibilizados no Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas são ótimos materiais para analisar e compreender a configuração dos principais aglomerados urbanos do Brasil. Em relação a organização espacial da Região Metropolitana de Belém a partir dos critérios da ONU, foi possível visualizar as desigualdades sociais latentes entre as unidades mapeadas, principalmente entre os bairros centrais de Belém e Ananindeua em comparação a periferia e aos demais municípios. 






3. REFERÊNCIAS

Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras - Brasília: PNUD, Ipea, FJP, 2014. 120 p. - (Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil). Disponível em http://www.pnud.org.br/arquivos/AtlasdoDesenvolvimentoHumanonasRegi%C3%B5esMetropolitanas.pdf. Acesso em 10/05/2016.