sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Como obter uma imagem de alta resolução espacial do Google Earth?



Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
Mapas em Geral, Treinamentos,
Banco de dados, SHPs e Kmls
Contato: [55] (91) 98306-5306 (WhatsApp)
Emails: henrique.ufpa@hotmail.com
gusmao.geotecnologias@gmail.com



1. Como obter uma imagem de alta resolução espacial do Google Earth Pro? (How can you acquire high-resolution satellite imagery from software Google Earth Pro?). 

Este é o segundo artigo de 2017 e espero que seja de grande valia para você. Hoje nós ensinaremos como obter uma imagem de satélite do Google Earth Pro em alta resolução espacial. 

Primeiramente, caso não tenha ainda o software, baixe ele aqui ao lado https://www.google.com.br/earth/download/gep/agree.html. Após o programa instalado e aberto, siga os passos abaixo:


# Escolha a sua área/local de estudo [Choose your study area]

Primeiro, vá na barra em branco e escreva o nome do local ou da cidade que você pretende ter uma imagem de satélite de alta qualidade. De preferência, escolha uma área pequena como um bairro, um quarteirão ou um parque público por exemplo.


Figura 1. Procure a sua área de interesse [Search your study area]
 Fonte: Google Earth




# Selecione a ferramenta "Salvar imagem": [Select the option to save imagery"]

Procure a ferramenta "Salvar imagem" - símbolo de marcador na parte superior direita. Logo em seguida, clique e aparecerá outros itens, conforme abaixo:


Figura 2. Procure a ferramenta
 Fonte: Google Earth


# Escolha a opção "Resolução Maximum 4800x2360" [Choose the option Maximum resolution 4800 x 2360]


Selecione a opção "Resolução - Resolution" e em seguida, a Resolução "Maximum - 4800x2360", conforme abaixo:



Figura 3. Procure resolução maximum
Fonte: Google Earth

# Escolha a pasta aonde a imagem será salva e exporte [Choose where you will save your imagery and export it]

Escolha a pasta aonde será salva a imagem, conforme abaixo:


Figura 4. Selecione a pasta
Fonte: Google Earth



2. Conclusões

O procedimento descrito acima é essencial para aqueles que trabalham diretamente com Geoprocessamento e necessitam de uma excelente imagem de satélite, com alta resolução espacial, para produzir os seus mapas, ou mesmo para aqueles que buscam uma imagem para ilustrar os seus trabalhos. Lembre-se que as imagens das áreas urbanas sempre terão uma qualidade melhor do que aquelas das áreas rurais. 




segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Cartografia do Índice de Desenvolvimento Humano da América do Sul





Luiz Henrique Almeida Gusmão
Geógrafo e Lic. em Geografia (UFPA)
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1. O Índice de Desenvolvimento Humano

O índice de desenvolvimento humano (IDH) é um indicador comparativo usado para avaliar a qualidade de vida de todos os países do mundo. Este índice é calculado com base em dados da educação, expectativa de vida ao nascer e o produto interno bruto (PIB) per capita (PNUD, 2015). 

A expectativa de vida ao nascer reflete as condições de saúde da população, a educação leva em conta a taxa de alfabetização de adultos e a taxa combinada de matrícula nos níveis fundamental, médio e superior, e a renda é medida pelo poder de compra da população, baseada no PIB per capita ajustado ao custo de vida local, por meio da metodologia conhecida como Paridade do Poder de Compra (PCC) (Scarpin & Slomski, 2007). Os índices são organizados pelas Nações Unidas desde a década de 90 como forma de comparar o progresso da qualidade de vida dos países.

Critérios como educação, renda e longevidade são parâmetros importantes na avaliação da qualidade de vida de um país e podem expressar como a população está vivendo de um modo geral, apesar das desigualdades sociais existentes no território, ou seja, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) calculado pelas Nações Unidas não expressa o padrão de vida de toda a população, de norte e sul, mas uma aproximação da realidade.

O resultado é organizado em forma de ranking, em que valores mais próximos de 1 significam melhor desenvolvimento humano, enquanto os valores mais próximos de 0, demonstram piores desenvolvimentos humanos. O IDH muito alto varia entre 0,8 - 1; o IDH alto entre 0,700 - 0,799, o médio entre 0,699 - 0,500 e o IDH baixo varia de 0,499 a 0 (PNUD, 2015). Para atingir patamares elevados de desenvolvimento humano, os governos devem fomentar as capacidades humanas, proporcionando uma vida longa e saudável, conhecimento e um nível de vida digno a sua população (Figura 1).

Figura 1. Dimensões do desenvolvimento humano
Fonte: PNUD (2015)


É necessário criar condições ao desenvolvimento humano, ampliando os direitos humanos e a segurança pública, a participação na vida política e comunitária, a igualdade e justiça social entre as classes e etnias, assim como valorizar a sustentabilidade ambiental em todos os países. 

O desenvolvimento humano de uma sociedade não deve estar baseada somente na renda adequada aos custos da vida local, ao acesso à educação e aos serviços de saúde disponíveis, mas também a qualidade ambiental, com ampla acesso ao saneamento básico, ao equilíbrio da exploração econômica e sustentabilidade.



2. A Cartografia do Índice de Desenvolvimento Humano na América do Sul

Em 2000, o índice de desenvolvimento humano da maioria dos países sul-americanos (66,6%) era considerado médio, principalmente na porção noroeste e central do subcontinente, abrangendo países como: Brasil, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Guiana. Por outro lado, a porção mais ao sul possuía um padrão de vida melhor, considerado alto, com destaque para a Argentina, Uruguai e Chile (Mapa 1). 




Mapa 01. Índice de Desenvolvimento Humano dos países da América do Sul em 2000

Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
Fonte dos dados: PNUD/ONU (2015)

Após 14 anos, com base na avaliação do IDH, observa-se uma relativa melhoria na qualidade de vida da população sul-americana, com destaque para países como o Brasil, Peru, Venezuela, Colômbia e Equador. Apesar da melhoria, é evidente que ainda há grandes disparidades sociais em cada país, onde há unidades federativas que pouco avançaram nos índices de educação, longevidade ou renda, porém estamos retratando um índice generalizado com base na taxa média de cada país calculado pela ONU. 

Em 2014, 7 países (58,3%) já tinham uma qualidade de vida considerada alta; 2 países com índice muito alto (16,6%) e 3 países com índice médio, ou 25% (Mapa 2). Entre os países, novamente a Argentina e o Chile são os mais bem posicionados, alcançando um nível de vida melhor do que alguns países europeus como Letônia, Croácia e Montenegro, por exemplo (PNUD, 2015).




Mapa 02. Índice de Desenvolvimento Humano dos países da América do sul em 2014

Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
Fonte dos dados: PNUD/ONU (2015)


Em contrapartida, países como a Bolívia, Guiana e o Paraguai são os que oferecem menor qualidade de vida à sua população, sendo comparados a outros países como Indonésia, Vietnã, Nicaraguá ou El Salvador, por exemplo (PNUD, 2015). 

No ranking do IDH de 2014, se fossemos expressar as emoções em viver nos países sul-americanos através dos emotions, a Argentina e o Chile teriam um semblante melhor e mais feliz, pois possuem IDH muito elevado, com ampla cobertura da área da saúde, educação e maior longevidade (Figura 2).




Figura 02. Ranking do IDH dos países da América do Sul em 2014
Elaborador; Luiz Henrique Almeida Gusmão (2017)
Fonte dos dados: PNUD/ONU (2014)


Um rosto mais questionador e duvidoso iniciaria a partir da Venezuela, indo em direção ao Brasil, Peru e Equador, onde as tensões políticas, os problemas de instabilidade econômica e a qualidade de vida razoável modificam drasticamente o semblante do emotion. O rosto mais triste começaria a partir da Colômbia em direção a Guiana, pois a cobertura da saúde e educação está em fraca expansão desde 2000. A Colômbia ainda possui o agravante de guerra civil e problemas ligados ao narcotráfico em larga escala que contribuiu para a migração de milhões de pessoas no próprio país, enquanto a Bolívia e a Guiana, ainda convivem com graves problemas de subnutrição e pobreza em várias regiões.



3. Conclusões

O padrão de vida da população sul-americana tem melhorado, apesar de toda dificuldade na política, finanças e na ampliação dos serviços de saúde e educação. Entre as nações da América do Sul, a Argentina e o Chile são os melhores países no que se refere ao índice de desenvolvimento humano calculado pela Organização das Nações Unidas (ONU), classificados como muito alto, seguido pelo Uruguai, Venezuela e Brasil, intitulados com índice alto, diferentemente da Guiana, Bolívia e Paraguai que possuem os mais baixos IDH da região. Sabemos que o IDH não reflete a condição de vida da população de modo geral, pois há contrastes sociais notáveis em todos as regiões desses países, porém é um dos melhores parâmetros para compararmos as nações a nível global. Os mapas elaborados com o uso do ArcGis mostram a eficiência desse software na confecção e análise de dados espaciais, sendo essenciais na compreensão do espaço geográfico.


4. Referências


PNUD. Relatório do desenvolvimento humano (Human Development Report). Disponível em http://hdr.undp.org/sites/default/files/2015_human_development_report.pdf. 2015.

Scarpin, J. E. & Slomski, V. (2007). Estudo dos fatores condicionantes do índice de desenvolvimento humano nos municípios do estado do Paraná: instrumento de controladoria para a tomada de decisões na gestão governamental. Revista de Administração Pública, 41(5), 909-933.






terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Acervo do IBGE - Mapas, atlas, shapefiles e imagens de satélite





Luiz Henrique Almeida Gusmão
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1. Acervo do IBGE - Mapas, atlas, shapefiles e imagens de satélite

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) possui um acervo com mais de 31.000 mapas, muitos shapefiles, imagens de satélite, dados estatísticos, atlas, arquivos TIF, DGN, GIF, MDB, WMS e KML disponíveis para download. 

Os dados estão compilados em uma plataforma do Instituto (Figura 1), em que é preciso fazer uma conta rapidamente para ter acesso total ao material.



Figura 1. Plataforma do IBGE

Os dados disponíveis na plataforma podem ter infinitas utilidades. Entre as mais importantes, listamos algumas: 


1) Geoprocessamento 



1. Shapefiles - Utilização em SIGs como ArcGis e QGIS.
2. Mapas em JPEG - Impressão ou georreferenciamento.
3. KML - Visualização e análise no Google Earth.
4. GIF - Imagens usadas em Sensoriamento Remoto.
5. TIF - Imagens usadas em Sensoriamento Remoto.
6.  WMS - Camadas de informações em SIGs.
7. Mapas em PDF - Impressão ou georreferenciamento.
8. Mapas Interativos - Visualização geográfica.
9. DGN - Obtenção de folhas topográficas (1:1.000.000; 1:250.000; 1:100.000; 1:50.000 e 1:25.000).
10. Mapas em JPEG ou PDF - Inspiração na elaboração de mapas temáticos e uso de legendas/códigos em mapas.




2) Ensino de Geografia

1. Mapas Escolares - Diversidade de mapas envolvendo temas como: hidrografia, uso da terra, biodiversidade, biomas, população, políticos, energia, entre outros.
2. Mapas Interativos - Uso de mapas em perspectiva multimídia e virtual.
3. Arquivos Kml - Camadas para visualização virtual no software Google Earth
4. Mapas em JPEG e PDF - Impressão de mapas para exposição de salas de aula, laboratórios, entre outros.




3) Secretariais e Órgãos Públicos

1. Mapas em PDF e JPEG - Mapas dos diversos temas de todos os estados brasileiros, incluindo uso e cobertura da terra, densidade demográfica, hidrografia, divisão regional, entre outros. Ideal para imprimir em tamanho A0 ou A1, como forma de ilustrar e se situar no espaço.
2. Shapefiles e outras extensões para SIG - Aproveitamento na composição de banco de dados, geoprocessamento, análises espaciais, subsídio para análise interpretativa do espaço, etc.



2. Conclusões

Hoje eu compartilhei a plataforma do IBGE que compila vários mapas, atlas, shapefiles e outras extensões para área de Geoprocessamento, educação em geografia e outras funções. Espero que possa ser útil para quem acessar e por favor, compartilhe com as demais pessoas, já que muitas têm dificuldades de encontrar os materiais do IBGE.






sábado, 10 de dezembro de 2016

Exposição de Mapas/Artigos Importantes do Blog sobre Belém




Luiz Henrique Almeida Gusmão
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1. Exposição de Mapas/Artigos importantes do Blog sobre Belém

Essa postagem tem o propósito de expor alguns dos melhores ou mais importantes mapas de Belém que o autor do blog já confeccionou. Tratam-se de mapas que levaram horas de trabalho pelo uso de várias técnicas de Geoprocessamento e Cartografia, além de abordar artigos/postagens importantes do Blog.

1.1 Análise da distribuição das praças nos bairros de Belém usando Geotecnologias (Postagem de 2013)


Mapa 1. Área de praça em m² por habitante nos bairros de Belém em 2006
Fonte: Imazon (2006)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão


Esse foi um dos primeiros mapas que eu produzi. A ideia surgiu em 2013, quando eu estava estudando sobre a relação entre os espaços de lazer público, no caso, as praças, e a quantidade de residentes nos bairros de Belém. Os dados são todos do Imazon (2006), porém foi realizado um novo mapa com base em outra abordagem, com destaque para a visualização do nome dos bairros. Para ler sobre o artigo, chamado "Análise da distribuição das praças de Belém usando Geotecnologias", acessem:  http://geocartografiadigital.blogspot.com.br/2013/11/o-uso-do-software-philcarto-e-do-google.html


1.2 Espacialização dos acidentes de trânsito em Belém com o software Philcarto (Postagem de 2013)



Mapa 2. Vulnerabilidade de acidentes de trânsito no município de Belém de 2007 a 2009
Fonte: DETRAN (2007, 2008 e 2009)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão

Eu considero esse mapa, um dos mais criativos que já publiquei no blog, simplesmente porque ele é sequencial e mostra o mesmo tema: acidente de trânsito. Os dados do mapa referem-se a quantidade de acidentes de trânsito que teve em cada bairro de Belém, tornando-os menos ou mais vulneráveis de ocorrer essa situação. Para ler mais, acessem: http://geocartografiadigital.blogspot.com.br/2013/11/belempa-espacializacao-dos-acidentes-de.html


1.3 Mapeamento dos homicídios dos bairros de Belém - 2008 e 2009 (Postagem de 2014)


Mapa 3. Quantidade de homicídios dos bairros de Belém (2009)
Fonte: Anuário Estatístico de Belém (2010)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão


O mapa dos homicídios nos bairros de Belém foi um dos que mais teve repercussão. Por que?, porque ninguém ainda tinha feito ou tinha compartilhado um mapa que mostra os bairros que tiveram mais homicídios. Algo impensável, porque vivemos na era da tecnologia e da comunicação, e nenhum órgão da cidade compartilhou um mapa que retratasse esse tema. O mapa destaca a explosão de homicídios nos bairros da periferia de Belém em detrimento do centro da cidade. Para ler mais, acessem: http://geocartografiadigital.blogspot.com.br/2014/01/mapeamento-dos-homicidios-nos-bairros.html



1.4 Cartografia das Favelas de Belém com o uso do software Philcarto e Google Earth Pro (Postagem de 2015)



Mapa 04. Intensidade de aglomerado subnormal ou favelas nos bairros de Belém em 2010


Fonte: IBGE (2010)
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão


O mapa mais importante e um dos mais vistos na página do facebook do blog, principalmente por expressar uma realidade tão triste da nossa cidade, as baixadas ou favelas, distribuídas por bairro, algo que a prefeitura não destaca e os órgãos não compartilham, porque mostra a incompetência na gestão do município e a quase ausência de políticas voltadas a moradia na cidade. O mapa ressalta alta taxa de favelização de bairros na zona norte e no sul de Belém, em detrimento da ausência no centro da cidade. Para ler mais, acesse: http://geocartografiadigital.blogspot.com.br/2015/01/cartografia-das-favelas-de-belem-com.html


2. Conclusões

Hoje eu destaquei alguns dos mapas mais importantes do blog e consequentemente, os artigos ou postagens que explicam cada mapa e o tema específico. Ademais, irei realizar outras postagens para mostrar demais artigos e mapas importantes do blog.


Mapa Grande dos bairros de Belém/PA






Luiz Henrique Almeida Gusmão
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1. Mapa Grande dos bairros de Belém/PA


Está disponível para impressão um mapa de Belém com todos os bairros da cidade (71), incluindo aqueles do distrito de Icoaraci, de Outeiro e de Mosqueiro, assim como todas as ilhas. A dimensão do mapa é 120x100 cm e todos os bairros estão identificados pelo nome.










Esse produto pode ser reajustado em outro tamanho e ter mais informações acrescentadas. Trata-se de um mapa simples com o intuito de visualizar os bairros.




terça-feira, 22 de novembro de 2016

Plataforma Interativa das Favelas do Brasil





Luiz Henrique Almeida Gusmão
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1. Plataforma Interativo das Favelas (Aglomerados Subnormais) do Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) possui uma plataforma online interativa com dados relativos ao Censo 2010 sobre os "Aglomerados Subnormais", também conhecidos como "Favelas". Há uma diversidade de informações sobre esses espaços do país inteiro, como por exemplo: Domicílios com abastecimento de água, população total residente, população residente por gênero ou cor, média de moradores por domicílio, entre outros. Segue o link abaixo da plataforma. 


Figura 1. Plataforma online do IBGE


1.1 O que são Aglomerados Subnormais ou Favelas?

Segundo o IBGE (2010), os aglomerados subnormais são entendidos como um conjunto constituído de no mínimo 51 unidades habitacionais, "barracos" ou casas precárias, carentes em sua maioriados serviços públicos essenciais como o abastecimento de água por rede geral de distribuiçãocoleta de lixo domiciliar, rede de coleta de esgoto precarização no fornecimento de energia elétricaocupando ou tendo ocupado, até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) e estando dispostas, em geral de forma desordenada e densa. 


Ainda de acordo com o IBGE (2010), unidades habitacionais com urbanização fora dos padrões vigentes, refletidos em ruas estreitas e de alinhamento irregular, lotes e formas desiguais e construções não regularizadas por órgãos públicos, também foram considerados como tal, sendo portanto, características dos assentamentos irregulares existentes no país, também conhecidos como "favelas", "baixadas", "barracos", "palafitas", "vilas", "mocambos", "grota", "comunidade", "ressaca", entre outros termos usados (IBGE, 2010, grifos nosso).

Caso você tenha interesse em ter um mapa de alguma favela brasileira, você pode solicitar um serviço de Cartografia no link ao lado Serviço de Mapas de Favelas.


2. SERVIÇOS DE CARTOGRAFIA E GEOPROCESSAMENTO








quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Cartografia da Atividade Madeireira na Amazônia Legal






Luiz Henrique Almeida Gusmão
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1. Atividade madeireira na Amazônia Legal

A Amazônia Legal é uma das principais regiões produtoras de madeira tropical no mundo (Mapa 1), atrás somente da Malásia e da Indonésia (OIMT, 2006). A exploração e o processamento da madeira estão entre as principais atividades econômicas, junto com agropecuária e a mineração (Veríssimo et al, 2006). Segundo o Imazon (2004), a atividade madeireira impulsiona diretamente a economia de vários municípios amazônicos, contribuindo para geração de 400 mil empregos, cerca de 5% da população economicamente ativa e gera uma receita de US$ 2,3 bilhões. Conforme o IBGE (2015), a Amazônia Legal foi responsável por 11.368.851 m³ de toras de madeira e detém 92,3% de toda a produção brasileira, avaliada em 12.308.702 m³.


Mapa 1. Origem e Produção de madeira do Brasil - 2015
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2016)
Fonte dos dados: IBGE (2015)
É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor


No mapa acima, fica evidente a representatividade da Amazônia Legal como a principal região de extração e comercialização de madeira do Brasil. Segundo Homma (2011), a extração madeireira na Amazônia foi impulsionada pelo crescimento do mercado interno e externo, do esgotamento das reservas da Mata Atlântica, da abertura de rodovias e da expansão da fronteira agrícola. Ou seja, a quase extinção da mata atlântica e a rigidez das delimitações das áreas protegidas nesse bioma, forçaram o mercado a buscar madeira em áreas remotas do país, a região amazônica, onde havia abundância de recursos e as leis de proteção ambiental ainda não estavam totalmente regulamentadas (Figura 1 e 2).


Figura 1. Início da abertura de Rodovia Transamazônica na década de 60
Fonte: http://adrielsonfurtado.blogspot.com.br/

Figura 2. Rodovia Transamazônica na atualidade 


Conforme o IBGE (2015), os principais exportadores de madeira são: Pará (36,5%), Mato Grosso (27%) e Rondônia (16,4%), seguido pelo Amazonas (6,5%), Amapá (5,9%), Roraima (3,2%), Acre (2,5%), Maranhão (1,2%) e Tocantins (0,8%), visto na figura 03. A abertura de rodovias foi primordial para adentar a floresta amazônica e assim, permitir a busca de um dos seus principais recursos: a madeira. A inauguração de rodovias como a Belém-Brasília, Transamazônica, Cuiabá-Rio Branco e tantas outras, iniciaram um ciclo de devastação do bioma amazônico. Nesse sentido, há uma correlação direta entre as rodovias com pavimentadas e melhor estruturadas com os principais estados exploradores de madeira na Amazônia.


Figura 3. Percentual por estado no comércio de madeira na Amazônia Legal

Como já dissemos, os três maiores exportadores de madeira da Amazônia Legal (PA, MT e RO) são responsáveis por quase 80% de toda a produção (IBGE, 2015), contribuindo para que existam polos madeireiros (Mapa 2), onde a produção é significativa para a região ou Estado, o histórico de colonização foi baseado na atividade madeireira, o tempo de exploração do recurso é longo, as condições de acessibilidade são boas e permitem a atividade, assim como a grande variedade dos tipos de floresta existentes no local auxiliam a diversificação da atividade. (IMAZON, 2010).

Mapa 2. Zonas madeireiras na Amazônia Legal - 2009 
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2016)
Fonte dos dados: Imazon (2010) 
http://www.mma.gov.br/estruturas/sfb/_arquivos/miolo_resexec_polo_03_95_1.pdf
É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor

Conforme o mapa acima, com base nos dados do Imazon (2010), o Estado do Pará possui 4 zonas madeireiras, com destaque para o Leste (21% da produção) e o Estuário com 13%. No Mato Grosso há 3 zonas, destacando-se o Noroeste com 12% e o Centro com 11%, enquanto no Estado de Rondônia, há 3 zonas, destacando o Norte com 10%. Os mesmos estados que possuem as maiores zonas madeireiras também são os que mais contribuem com o desflorestamento da floresta amazônica. Atualmente, 22 municípios amazônicos produzem o equivalente a 50,7% de toda a madeira da região (Mapa 3), destacando-se Portel/PA com (980.000 m³), Porto Velho/RO (572.312 m³), Aripuanã/MT (526.841 m³), Colniza/MT (340.267 m³) e Santarém/PA (322.660 m³). 


Mapa 3. Maiores exportadores de madeira da Amazônia Legal - 2015
Elaborador: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2016)
Fonte dos dados: IBGE (2015)
É expressamente proibido o uso indevido, publicação, cópia ou comercialização da figura ou mapa sem autorização prévia do autor

Em uma breve análise espacial do mapa acima, dos 22 maiores exportadores de madeira da Amazônia Legal, percebe-se que 5 grandes polos (Itacoatiara, Juruti, Santarém, Prainha e Gurupá) estão as margens do Rio Amazonas, que é uma das principais vias de escoamento, e outros 4 estão em afluentes do Amazonas (Manicoré, Rorainópolis, Portel e Laranjal do Jari), representando 41% do total de municípios. Há um eixo entre o Norte e Noroeste do Mato Grosso com o Norte de Rondônia, onde há 9 municípios (Feliz Natal, Tabaporã, Juara, Juína, Aripuanã, Colniza, Machadinho D' oeste, Candeias do Jamari e Porto Velho), totalizando 41% do total, enquanto os demais municípios: Pimenta Bueno, Paragominas, Santana do Araguaia e Porto Grande não estão em "nós" madeireiros.


2. Conclusões

A exploração e processamento da madeira está concentrada no estado do Pará, Mato Grosso e Rondônia, onde há grandes zonas madeireiras, constituídas pelos principais municípios exportadores desse recurso natural. O Rio Amazonas e as rodovias interestaduais são as principais vias de escoamento da madeira da Amazônia Legal em direção aos principais mercadores consumidores brasileiros e internacionais. O governo brasileiro deve intensificar as fiscalizações no combate ilegal da madeira da Amazônia, em que as Geotecnologias são essenciais nas análises espaciais dos recursos naturais, pois através da coleta, processamento e do armazenamento dos dados, é possível realizar avaliações precisas sobre a distribuição espacial de qualquer elemento, das queimadas e das áreas desflorestadas, assim como auxiliar várias tomadas de decisões para gerenciar melhor o território.


3. Referências

IBGE, 2015. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?z=t&o=18&i=P&c=289. Acesso em 01/11/2016.

HOMMA, 2011. Madeira na Amazônia: Extração, manejo ou reflorestamento?. Amazônia: Ci & Desenv., Belém, v.7, n. 13, jul/dez, 2011. https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/944362/1/HommaAmazonia.pdf. Acesso em 20/11/2016.

OIMT, 2006. Reseña anual y evaluación de la situación mundial de las maderas. 2006. Organización Internacional de las Maderas Tropicales. Yokohama, Japón. OIMT. 210 p.

Veríssimo, A.; Barreto, P.; Mattos, M.; Tarifa, R. & Uhl, C. 1992. Logging impacts and prospects for sustainable forest management in an old Amazonian frontier: the case of Paragominas. Forest Ecology and Management 55: 169-199.

A atividade madeireira na Amazônia brasileira: produção, receita e mercados / Serviço Florestal Brasileiro, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Belém, PA: Serviço Florestal Brasileiro (SFB); Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), 2010.