quinta-feira, 14 de junho de 2018

Distribuição espacial da Tuberculose no Estado do Pará

Luiz Henrique Almeida Gusmão
* Geógrafo e Licenciado pela Universidade Federal do Pará (UFPA)
* Presta consultoria em Cartografia e Geoprocessamento para Acadêmicos, Pesquisadores e Empresas
* Contato: henrique.ufpa@hotmail.com
*Mapas em Geral, Cartogramas, Cursos, Projetos de Geoprocessamento, 
Palestras e Consultoria em Geotecnologia:  091 (98306-5306) - WhatsApp




1. Distribuição espacial da Tuberculose no Estado do Pará (2015) 


Segundo o Ministério da Saúde (2016), a tuberculose é uma infecção causada por uma bactéria - Mycobacterium tuberculosis (Figura 1), também conhecido como bacilo de Koch, que atinge principalmente os pulmões, conhecida como tuberculose pulmonar, mas também pode acometer diversas partes do organismo, neste caso sendo chamada de tuberculose extrapulmonar.

Ainda segundo o Ministério da Saúde (2016): "Nem todos os infectados desenvolvem a doença, em que a bactéria pode permanecer no organismo durante anos, sem que a pessoa adoeça". 

Conforme o Ministério, algumas condições desfavoráveis como: desnutrição, situação de rua, privação de liberdade, necessidade decorrentes do uso de álcool e outras drogas, além de barreiras de acesso aos serviços de saúde também colocam o indíviduo em maior vulnerabilidade ao adoecimento.


Figura 01. Fases da Tuberculose Pulmonar

Fonte: MD Saúde


Segundo o MS (2017), no Brasil foram notificados 69.569 novos casos de tuberculose. Nesse mesmo ano, o coeficiente foi igual a 33,5 casos por 100 mil habitantes. Já o Estado do Pará, a incidência foi de 38,11 casos/100 mil habitantes (Datasus, 2015), um pouco acima da média. No entanto, sabemos que a distribuição geográfica da doença é dispersa no território, onde alguns municípios possuem incidências mais elevadas do que os outros, ou mesmo sem registro da doença.

Com base nos dados do DATASUS (2015), os dez municípios com as maiores incidências extrapolavam em mais do que o dobro da média brasileira. Entre os municípios, merecem destaque: Santa Isabel do Pará, Ananindeua e Marituba na área metropolitana de Belém; Magalhães Barata, Curuçá, Santarém Novo e Colares no Nordeste Paraense; Pau D' Arco e Canaã dos Carajás na região de Carajás; e Itaituba na região do Tapajós.



Tabela 01. Os dez municípios com as maiores incidências de Tuberculose no Estado do Pará (2015)
Fonte: Datasus (2015), organizado pela FAPESPA


Quando tabulamos os dados em um sistema de informação geográfica (SIG), conseguimos perceber a distribuição geográfica da incidência da tuberculose no Estado do Pará para o ano de 2015 (Mapa 01). A partir da visualização dos dados em um mapa coroplético, conseguimos perceber padrões espaciais que não são vistos em planilhas ou tabelas com vários dados.


Mapa 01. Incidência da Tuberculose nos municípios paraenses (2015)
Fonte dos dados: DATASUS (2015), tabulados pela FAPESPA
Fonte do mapa: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2018)
*É expressamente proibido o uso, aproveitamento e compartilhamento do mapa sem autorização prévia do autor.


A partir do mapa temático, conseguimos perceber a forte incidência da doença em parte da Região metropolitana de Belém e nos arredores da capital paraense, assim como no litoral do Marajó, em parte do Baixo Amazonas, da região do Tapajós e de Carajás.

Por outro lado, a incidência da doença neste ano é menor na maior parte do Nordeste Paraense (arredores de Tomé-Açu, Capitão Poço e Concórdia do Pará); na porção central do Pará (arredores de São Félix do Xingu e de Portel); em parte da Transamazônica, no extremo sul e no litoral norte do Marajó.

Com o intuito de ressaltar os municípios que estão acima e abaixo da média paraense (38,1 para o ano de 2015), novamente modificamos o intervalo estatístico para obtermos este resultado. 


Mapa 02. Incidência de tuberculose acima e abaixo da média nos municípios paraenses (2015)
Fonte dos dados: DATASUS (2015), tabulados pela FAPESPA
Fonte do mapa: Luiz Henrique Almeida Gusmão (2018)
*É expressamente proibido o uso, aproveitamento e compartilhamento do mapa sem autorização prévia do autor.


O mapa temático acima comprova mais uma vez vários padrões espaciais existentes da doença no Estado do Pará. Há tanto o padrão concentrado, em maior número, quanto o padrão pontual, com destaque para municípios isolados como: Belterra, Palestina do Pará, Abel Figueiredo, Canaã dos Carajás, Marabá, Tucuruí, Melgaço e muitos outros).

De acordo com os dados do Datasus, os índices mais baixos foram registrados nos municípios de Eldorado dos Carajás, Ponta de Pedras, Água Azul do Norte, Anapu, Afuá, Rio Maria, Aveiro, São Domingos do Capim, Bonito e Ipixuna do Pará. Outros municípios não registraram casos da doença: Sapucaia e Piçarra.

Se quiséssemos, poderíamos correlacionar outras informações com a incidência de tuberculose como: taxa de pobreza, densidade demográfica, vulnerabilidade social, entre outros. A ideia seria verificar se há correlação espacial com demais temas e assim, poder saber se tais dados possuem algum tipo de correspondência.


Então, gostou da análise da tuberculose para o Estado do Pará?! Nós podemos analisar diversas doenças, basta termos os dados para realizar este estudo. Podemos confeccionar mapas e gráficos, assim como analisar informações para a sua pesquisa científica e desse modo, potencializar os seus resultados diante da banca examinadora. 



2. Conclusões

Os mapas destacam vários padrões espaciais da tuberculose no Estado do Pará, de modo concentrado nos arredores da Região Metropolitana de Belém, de parte do Nordeste Paraense, parte do Sudeste Paraense e uma porção do Sudoeste Paraense, assim como pontual em alguns municípios paraenses. O uso da cartografia demonstrou ser ideal na espacialização de dados sobre a tuberculose, o que mostra a capacidade de aplicação na área da saúde pública, especialmente em pesquisas científicas de abrangência nacional, regional ou até mesmo, municipal.


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3. Referências

FAPESPA. Anuário Estatístico do Estado do Pará. Taxa de Incidência da Tuberculose  2012 a 2016. Disponível em http://www.fapespa.pa.gov.br/sistemas/anuario2018/tabelas/social/saude/tab_5.5.17_taxa_de_incidencia_da_tuberculose_2012_2016.htm. Acesso em 13/06/2018.

Ministério da Saúde, 2018. Boletim Epidemiológico. Implantação do Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública no Brasil: primeiros passos rumo ao alcance das metas. Disponível em http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/marco/26/2018-009.pdf. Acesso em 14/06/2018.

Ministério da Saúde, 2016. Panorama da Tuberculose no Brasil: a mortalidade em números. Disponível em http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2016/outubro/15/panorama_tuberculose_brasil_mortalidade.pdf.